Essas pessoas fazem sua casa parecer que ninguém mora nela: a nova onda da classe média alta americana
Os americanos mais ricos empregam verdadeiros exércitos de funcionários domésticos para administrar suas casas como se fossem empresas. Kim House faz tudo isso sozinha. “Adubar as figueiras, arrumar o armário de casacos, consertar a máquina de café, organizar a garagem, grelhar o frango, levar os sapatos da Chanel para alargar”, disse House, enumerando as tarefas do dia.
Atualmente, ela trabalha para nove famílias na região metropolitana de Atlanta e cobra cerca de US$ 60 por hora pelos serviços. Talvez estivesse escrito no destino que uma mulher com esse sobrenome se tornaria administradora de casas, uma nova profissão para pessoas altamente metódicas e com perfil voltado à gestão de operações . Esses profissionais não são faxineiros, planejadores ou organizadores mas uma combinação das três funções, com mentalidade de executivos.
Leia também Economia Noruega usa insulto de Trump para divulgar banheiros públicos em paisagens espetaculares The Wall Street Journal Construção civil abre espaço para mais mulheres com vagas qualificadas e salários melhores nos EUA Eles mantêm a casa funcionando como uma empresa, ao mesmo tempo que eliminam os sinais da bagunça cotidiana. Alguns descrevem a atividade como uma espécie de vocação, algo que pode facilmente render uma renda de seis dígitos no mercado norte-americano. Fotografias de Audra Melton para a WSJ Magazine “É de cair o queixo que as pessoas me paguem para lavar roupa, preparar refeições e cuidar do jardim”, disse House, de 40 anos.
” Ela afirma ganhar cerca de US$ 120 mil por ano. Se contratasse uma pequena equipe para trabalhar sob sua supervisão, estima que sua renda líquida chegaria a US$ 200 mil. Não só para os mais ricos Esse tipo de funcionário costumava ser exclusivo de famílias extremamente ricas, que viviam em propriedades enormes.
Mas a profissão tem registrado demanda crescente entre famílias de classe média e média alta , em um momento em que a maioria dos lares americanos tem dois adultos trabalhando. com, registrou um aumento de 64% nos pedidos por administradores de casas até agora neste ano, em comparação com 2025. Já a Grapevine, agência especializada em recrutamento sob medida para pessoas com patrimônio muito elevado e escritórios familiares, viu a demanda por esses profissionais quase dobrar desde o ano passado.
“Meus clientes sempre têm uma imagem de como querem que suas casas sejam, e é uma ideia perfeita, baseada no que veem na internet”, disse Nicole Giampaglia, de 26 anos, enquanto dobrava pijamas de bebê para uma família em Ho-Ho-Kus, Nova Jersey. “Mas, nos bastidores, é um caos. ” Quando chegou à casa de um cliente naquela manhã, encontrou uma bagunça.
A pia estava cheia de pratos, os cestos de roupa transbordavam, os brinquedos estavam espalhados pelo chão, a bandeja da cadeirinha infantil estava coberta de restos de comida e a pequena entrada da casa estava quase bloqueada por produtos que precisavam ser devolvidos. Ela colocou várias máquinas de roupa para lavar, arrumou a cama do casal, carregou a lava-louças, higienizou as chupetas, afofou as almofadas da sala, levou as devoluções à loja da UPS e ainda teve tempo de abastecer a geladeira com café gelado. Em apenas duas horas, deixou a casa com aparência de que ninguém morava ali.
Giampaglia cobra US$ 50 por hora e trabalha para cinco famílias na região. Ela espera, no futuro, contratar outros administradores para trabalhar sob sua supervisão e destaca que a profissão oferece excelente equilíbrio entre vida pessoal e profissional. “Gosto da minha vida, pratico equitação”, disse.
” Kellie Rae Williams, ex-dançarina que se tornou administradora de casas em São Francisco, trabalha em tempo integral para uma família de alto patrimônio, ao lado de uma babá e de uma faxineira. Sua responsabilidade é a “reorganização diária”, disse Williams, de 33 anos. ” Williams afirma que o objetivo é deixar tudo “impecável”.
“Tudo fica organizado, a cozinha está abastecida, o frango está preparado para que você possa fazê-lo exatamente do jeito que gosta”, disse. Kelly Hubbell, fundadora e CEO da Sage Haus, empresa de recrutamento de administradores domésticos, afirmou que a companhia reuniu um banco de dados com mais de 25 mil profissionais interessados nesse tipo de trabalho. Neste ano, a Sage Haus contratou profissionais para mais de 900 famílias, ante 100 em 2025.
499 das famílias para contratar um administrador que trabalhe 30 horas semanais ou mais. Segundo a companhia, a renda familiar de seus clientes varia de US$ 150 mil a US$ 600 mil ou mais. “Eles são basicamente uma segunda esposa”, disse a médica Anika Ackerman, urologista de 40 anos que mora em Basking Ridge, Nova Jersey, e emprega Theresa Boch como administradora da casa desde abril.
Depois de ser demitida do cargo de assistente executiva em agosto de 2025, Boch encontrou um anúncio da Sage Haus. “Eu não queria ficar atrás de uma mesa”, disse a mãe de três filhos, de 57 anos, que mora em Parsippany, Nova Jersey. ” Agora, ela trabalha cerca de 20 horas por semana como administradora da casa de Ackerman, recebendo US$ 35 por hora.
“É como se eu estivesse brincando de casinha, porque trabalho em uma casa que nunca poderia pagar”, disse. ” Os administradores de casas dizem que estabelecem limites quando se trata de tarefas pesadas, como limpar vasos sanitários. Ainda assim, o trabalho pode se tornar bastante íntimo: organizar o guarda-roupa de alguém, devolver compras feitas por impulso na internet e marcar consultas médicas para toda a família.
“É como a relação com um cabeleireiro”, disse House. com. ]]>
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