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    Poder360·01 de nov., 11:10

    Estudo associa atividade física a maior volume cerebral em idosos

    Idosos que praticam mais atividade física apresentam maior volume cerebral, especialmente em regiões relacionadas à memória e ao raciocínio. A conclusão é de uma revisão sistemática conduzida por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com apoio da FAPESP, e publicada na revista científica Journal of Aging and Physical Activity . 684 pessoas com 60 anos ou mais, com idade média de 70 anos.

    Os pesquisadores analisaram 19 estudos observacionais e avaliaram 76 estruturas e regiões cerebrais. Os resultados indicaram uma associação entre níveis mais elevados de atividade física e maior preservação do volume cerebral. Entre as regiões analisadas está o hipocampo, responsável pela formação de novas memórias e uma das estruturas mais afetadas pelo envelhecimento e por doenças como o Alzheimer.

    Segundo Lucas Melo Neves, professor do Departamento de Educação Física da Unesp e orientador da pesquisa, alguns estudos identificaram que idosos que praticavam ao menos 150 minutos de atividade física por semana apresentavam hipocampo de 7% a 10% maior em comparação aos menos ativos. “Um hipocampo mais preservado está associado a melhor desempenho de memória e a maior reserva cognitiva, que é a capacidade do cérebro de lidar melhor com perdas relacionadas à idade” , afirmou o pesquisador. A revisão também identificou associação entre atividade física e maior preservação da substância branca, responsável pela comunicação entre diferentes regiões do cérebro.

    Alterações nessa estrutura podem comprometer a velocidade do raciocínio e outras funções cognitivas. ATIVIDADE FÍSICA E ENVELHECIMENTO Com o avanço da idade, o cérebro passa por uma redução gradual de volume, relacionada à perda de neurônios e à diminuição das conexões entre as células nervosas. O processo pode afetar a memória, a atenção e a capacidade de raciocínio.

    De acordo com Neves, a prática regular de exercícios pode favorecer a saúde cerebral ao melhorar a circulação sanguínea, estimular a formação de vasos e reduzir processos inflamatórios. A atividade física também estimula a produção de substâncias como o BDNF, proteína associada à sobrevivência e à capacidade de adaptação dos neurônios. “A atividade física cria um ambiente biológico mais favorável à saúde cerebral.

    Não se trata apenas de preservar, mas potencialmente de estimular adaptações estruturais” , declarou. ESTUDO NÃO COMPROVA CAUSA E EFEITO Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que a revisão analisou estudos observacionais. Por isso, não é possível afirmar que a prática de exercícios seja diretamente responsável pelo maior volume cerebral.

    Uma das hipóteses é que pessoas com estruturas cerebrais mais preservadas tenham maior disposição para realizar atividades físicas. Para investigar essa relação, os autores desenvolvem uma nova revisão com estudos que acompanham idosos submetidos a programas regulares de exercícios. A pesquisa foi realizada pela estudante Sara Oliveira Dias de Lucena, bolsista da FAPESP, sob orientação de Neves.

    Este texto foi publicado originalmente pela Agência Fapesp , em 21 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360 . ]]>

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