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    Estudo identifica dinossauro que viveu há 66 milhões de anos com adaptações na mandíbula para triturar frutas, semelhantes às de papagaios atuais
    CNN Brasil·02 de nov., 14:43

    Estudo identifica dinossauro que viveu há 66 milhões de anos com adaptações na mandíbula para triturar frutas, semelhantes às de papagaios atuais

    Um estudo identificou que o dinossauro da espécie Infernogallus jamesi , que viveu há cerca de 66 milhões de anos, tinha adaptações na mandíbula que permitiam triturar frutas. A conclusão foi publicada na revista Nature Communications, que identificou a espécie a partir de um fóssil encontrado na formação geológica de Hell Creek, nos Estados Unidos. A análise revelou uma organização muscular incomum entre os dinossauros terópodes não avianos .

    Leia Mais Fóssil esquecido em gaveta revela primeiro osso de dinossauro na Antártida Dinossauro brasileiro 'chorava' para sobreviver; entenda motivo Réptil de 230 milhões de anos com "bico de papagaio" é descoberto no RS Diferentemente do movimento predominantemente vertical de abertura e fechamento da mandíbula, o animal conseguia movimentá-la também para frente e para trás, o que facilitava o processamento de alimentos macios. As características identificadas são semelhantes às encontradas em algumas espécies de papagaios que se alimentam de frutas. Para os pesquisadores, as evidências indicam que os caenagnatídeos, grupo ao qual o dinossauro pertencia, desenvolveram uma dieta herbívora especializada, provavelmente composta em grande parte por frutos carnosos.

    Fóssil permitiu reconstruir a mastigação O material analisado inclui um crânio articulado quase completo, o primeiro desse tipo identificado para o grupo dos caenagnatídeos. A preservação permitiu aos cientistas investigar estruturas que ajudam a explicar como o animal se alimentava. Os pesquisadores reconstruíram a anatomia do crânio e analisaram a disposição dos músculos responsáveis pelos movimentos da mandíbula.

    O estudo identificou mudanças na organização dessa musculatura , além de estruturas na região do céu da boca que permitiam o contato entre superfícies ósseas durante a mastigação. Esse mecanismo possibilitava que o bico deslizasse para frente e para trás , triturando alimentos macios. A adaptação é considerada incomum entre os dinossauros terópodes e apresenta semelhanças com a forma como alguns papagaios atuais processam frutas.

    O Infernogallus jamesi era um dinossauro sem dentes, com bico e corpo leve. Segundo informações do Museu Real de Ontário, o animal tinha aproximadamente o tamanho de um peru e pesava cerca de 12 quilos. Pegadas de Tiranossauro Rex feitas há 66 milhões de anos são encontradas nos EUA | CNN BRASIL Frutas podem ter influenciado a evolução dos dinossauros A discovery também contribui para o debate sobre a relação entre a diversificação dos dinossauros herbívoros e a expansão das plantas com flores, chamadas angiospermas, durante o Cretáceo Superior, última época geológica do período Cretáceo , compreendida entre aproximadamente 100,5 milhões e 66 milhões de anos atrás.

    De acordo com os pesquisadores, os caenagnatídeos desenvolveram adaptações para consumir frutos carnosos em um período no qual esse tipo de alimento aumentava de tamanho e diversidade. Os cientistas apontam que esses dinossauros estão entre os candidatos mais fortes a apresentar adaptações alimentares relacionadas ao consumo de frutos de angiospermas. Ainda não está claro, porém, se os animais tiveram participação significativa na dispersão das sementes e na expansão dessas plantas.

    O estudo amplia o conhecimento sobre os hábitos alimentares dos dinossauros no fim do Cretáceo e indica que a diversidade desses animais incluía estratégias de alimentação mais especializadas do que se conhecia. Fóssil de espécie de réptil ajuda a entender ascensão dos dinossauros *Sob supervisão de Carolina Figueiredo ]]>

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