Estudo questiona papel de cometas na origem da vida na Terra e indica que impactos dificilmente forneceriam moléculas essenciais suficientes
Cometas podem ter contribuído muito menos do que se imaginava para o surgimento da vida na Terra. De acordo com o estudo publicado na última quarta-feira (28) na revista científica Scientific Reports, os impactos desses corpos celestes dificilmente teriam fornecido quantidades suficientes de moléculas essenciais às reações químicas que antecederam a vida. A pesquisa utilizou simulações computacionais para analisar a evolução dos cometas de curto período, a passagem desses objetos pela atmosfera terrestre e a sobrevivência de compostos orgânicos durante o impacto.
Os resultados indicam que a entrega bem-sucedida dessas substâncias seria extremamente rara. Leia Mais Estudo revela composição do asteroide da extinção dos dinossauros Explosão de fezes ajudou a explicar origem da vida moderna, aponta estudo Fóssil de criatura de 324 milhões de anos com 24 membros e apenas 49 milímetros é descoberto Cometas poderiam transportar ingredientes da vida Cometas apresentam uma variedade de moléculas orgânicas voláteis e, por isso, são considerados possíveis veículos de transporte de ingredientes químicos para a Terra primitiva. A hipótese é que esses corpos celestes tenham levado substâncias necessárias às reações que antecederam o surgimento dos primeiros organismos.
No entanto, a presença desses compostos nos cometas não garante que eles chegariam intactos à superfície do planeta. Para contribuir com a química pré-biótica, as moléculas precisariam sobreviver à passagem pela atmosfera e ao impacto. Cianeto de hidrogênio foi analisado Uma das substâncias analisadas pelos pesquisadores foi o HCN (cianeto de hidrogênio), composto que pode participar de reações químicas capazes de produzir componentes fundamentais para a vida, como açúcares, lipídios e moléculas que integram o material genético.
A pesquisa investigou se os impactos de cometas poderiam fornecer esse composto em concentrações relevantes para as reações químicas associadas à origem da vida. Atmosfera e impacto dificultam preservação Os pesquisadores identificaram dois obstáculos principais para a entrega dessas moléculas: a fragmentação dos cometas durante a passagem pela atmosfera e a destruição térmica provocada pela colisão em alta velocidade com a superfície terrestre. Corpos menores e com trajetórias mais inclinadas seriam particularmente vulneráveis à destruição atmosférica.
Já durante o impacto, as altas temperaturas podem decompor compostos orgânicos que sobreviveram à passagem pela atmosfera. Simulações indicam eventos raros Para estimar a frequência desses eventos, os pesquisadores combinaram modelos da evolução dos cometas com simulações de sua entrada na atmosfera e da sobrevivência do cianeto de hidrogênio após a colisão. Mesmo em cenários considerados favoráveis à preservação das moléculas, as simulações registraram, em média, zero impactos capazes de fornecer concentrações de HCN consideradas relevantes para a química pré-biótica.
Em 54% das simulações, nenhum impacto atingiu esse patamar. O estudo também indica que eventuais entregas bem-sucedidas teriam ocorrido, com maior probabilidade, nos primeiros períodos da história da Terra, quando o bombardeio por cometas era mais intenso. Além disso, as moléculas que eventualmente sobrevivessem poderiam ser rapidamente diluídas pela água no ambiente após o impacto, reduzindo ainda mais as chances de participação nas reações químicas necessárias.
Maior cometa já descoberto viaja em direção à Terra | NOVO DIA Marte teria condições mais favoráveis A pesquisa também compara os resultados com os de Marte e Vênus. De acordo com as simulações, Marte teria apresentado condições mais favoráveis para receber moléculas preservadas em impactos de cometas, principalmente por causa da menor velocidade das colisões e de sua atmosfera mais rarefeita. Os pesquisadores ressaltam que essa comparação depende das condições ambientais consideradas nos modelos e não comprova que a vida tenha surgido em Marte .
Estudo não descarta contribuição dos cometas Os resultados desafiam a hipótese de que os cometas tenham sido uma fonte importante de moléculas concentradas necessárias ao surgimento da vida na Terra. O trabalho, porém, não demonstra que nenhum cometa tenha contribuído para esse processo. A origem da vida continua sendo uma questão em aberto.
O estudo indica que, ao menos para a Terra, os impactos de cometas podem ter sido uma via muito menos eficiente de fornecimento de ingredientes químicos do que se supunha, sem excluir outras possibilidades para o surgimento das primeiras formas de vida . Cientistas recrutam voluntários para caçar novos buracos negros na Via Láctea *Sob supervisão de Carolina Figueiredo ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
Leia a matéria completa em CNN Brasil →
