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    InvestNews·28 de set., 12:12

    EUA e China reduzirão tarifas sobre US$ 60 bilhões em comércio bilateral

    Os Estados Unidos e a China detalharam um plano para reduzir tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em importações de cada país, dando um passo para cumprir um dos principais resultados da reunião de cúpula da semana passada entre Donald Trump e Xi Jinping. A redução proposta abrange brinquedos chineses, utensílios de cozinha e outros produtos domésticos, além de produtos agrícolas, carvão e equipamentos médicos dos EUA. A maior parte desses produtos deixaria de estar sujeita às tarifas adicionais impostas durante anos de tensões comerciais, enquanto as duas maiores potências econômicas do mundo buscam estabilizar as relações.

    Cerca de 90% dos produtos abrangidos passariam a receber tratamento de nação mais favorecida, informou o Ministério do Comércio da China em comunicado divulgado na segunda-feira. As reduções entrarão em vigor depois que os dois países concluírem os procedimentos exigidos por suas respectivas legislações. Leia também The Wall Street Journal BYD mais que dobra vendas na Europa e pressiona Volkswagen e Stellantis Economia A indústria da Europa está sofrendo com a China.

    Mas o estrago não é geral “Esse acordo ajudará a estabilizar ainda mais as relações econômicas e comerciais entre China e EUA e criará condições favoráveis para as exportações chinesas dos produtos relevantes para os EUA”, afirmou o ministério. Veja a lista de produtos que EUA e China concordaram em incluir nos cortes de tarifas O alívio esperado para US$ 60 bilhões em comércio bilateral foi um dos resultados mais concretos da visita de Estado de Xi a Washington, embora o valor seja uma fração dos US$ 415 bilhões em bens comercializados entre as duas maiores economias do mundo no ano passado. Para os consumidores americanos, tarifas menores sobre brinquedos, itens de decoração de fim de ano e outros produtos podem ajudar a conter os preços durante a temporada de compras de fim de ano.

    Para a China, tarifas americanas menores podem apoiar as exportações em um momento em que a fraca demanda doméstica e o excesso de capacidade industrial levaram os fabricantes a buscar mais vendas no exterior. As ações de algumas fabricantes chinesas de eletrodomésticos subiram depois que os detalhes dos cortes tarifários foram divulgados. A Joyoung Co.

    avançou 10%, limite máximo permitido, em Shenzhen, enquanto a Bear Electric Appliance chegou a subir 9,5%. Os dois países estenderam a trégua comercial até janeiro enquanto negociam um acordo mais amplo, antes de outras duas reuniões esperadas entre Trump e Xi neste ano. Com grandes disputas sobre controles de exportação e Taiwan ainda sem solução, o comércio de produtos não sensíveis surgiu como uma área em que ainda são possíveis acordos.

    O plano de tarifas foi negociado no âmbito do Board of Trade, um mecanismo de governo para governo anunciado inicialmente após a visita de Trump a Pequim, em maio. A estrutura passou oficialmente a funcionar depois da visita de Xi a Washington. A proposta dos EUA abrange 77 categorias de produtos, incluindo fogos de artifício, artigos domésticos e equipamentos esportivos.

    619 itens, incluindo carnes, frutos do mar, laticínios, grãos, carvão, madeira e equipamentos médicos, segundo documentos publicados pelos dois governos. O acordo para retirar US$ 30 bilhões em produtos não sensíveis de cada lado das tarifas ilustra tanto a utilidade quanto as limitações do novo mecanismo, afirmou Chang Shu, economista-chefe para a Ásia da Bloomberg Economics. “Embora esses produtos recebam tratamento tarifário favorável — um sinal claro de boa vontade diplomática —, a escala macroeconômica é insignificante”, disse Shu.

    ” A meta de US$ 30 bilhões é baseada no comércio de 2024. Os produtos chineses abrangidos pelo plano dos EUA representaram US$ 32,3 bilhões em importações naquele ano, antes de caírem para US$ 23,2 bilhões em 2025, em meio a uma nova escalada da guerra tarifária. Os produtos americanos incluídos no plano da China caíram de US$ 29,7 bilhões para US$ 19,3 bilhões no mesmo período, enquanto Pequim retaliava com medidas recíprocas.

    A soja ficou notavelmente fora da redução tarifária proposta, embora Pequim tenha se comprometido separadamente a comprar 25 milhões de toneladas métricas dos EUA por ano até 2028. Colocar as compras de soja em uma negociação separada, fora do Board of Trade, dá a Pequim margem para conter medidas americanas, especialmente antes das eleições de meio de mandato em novembro, afirmou Feng Chucheng, sócio-fundador da Hutong Research, com sede em Pequim. “Pequim sabe muito bem que as compras de soja terão impacto direto sobre os estados agrícolas dos EUA, que formam a base eleitoral de Trump”, disse Feng.

    O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, descreveu os produtos selecionados como bens não sensíveis que poderiam receber tratamento tarifário mais favorável. Segundo ele, as recomendações melhorariam o acesso de produtos agrícolas e dispositivos médicos americanos ao mercado chinês, ao mesmo tempo em que reduziriam as barreiras para artigos domésticos e brinquedos chineses. “O presidente Trump está ampliando o acesso ao mercado para cerca de 30% das exportações americanas para a China, ao mesmo tempo em que beneficia os consumidores com importações de artigos domésticos, brinquedos e outros produtos chineses que os Estados Unidos geralmente não importam de outros países”, afirmou Greer.

    O carvão importado dos EUA será incluído no acordo, o que, segundo Pequim, apoiará as compras chinesas em 2027 e 2028. A Casa Branca havia informado anteriormente que a China concordou em importar pelo menos 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos EUA no próximo ano e novamente em 2028. Entre os produtos agrícolas que terão redução de tarifas estão importantes grãos, como trigo, milho e sorgo.

    Isso pode ajudar a China a avançar em direção à meta de comprar pelo menos US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos EUA por ano até 2028, além do compromisso de compra de soja. O avanço em direção à meta de US$ 17 bilhões tem sido lento desde que ela foi anunciada pelo governo Trump após a última reunião de líderes, em maio. Traders esperavam que possíveis cortes tarifários decorrentes da reunião em Washington estimulassem uma nova onda de compras.

    Um novo Grupo de Trabalho Agrícola será criado entre os dois países após a reunião de cúpula, segundo o Ministério do Comércio da China. A primeira reunião está prevista para ocorrer até o fim de 2026. ]]>

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