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    Forbes Brasil·23 de set., 08:00

    Evento de Barcos de Lazer em SP Deve Movimentar R$ 550 Milhões com Mercado Aquecido

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Um total de R$ 550 milhões em seis dias. É aproximadamente esse o volume de negócios que o São Paulo Boat Show espera movimentar em 2026, caso confirme a projeção de crescimento de cerca de 10% sobre os R$ 500 milhões registrados no ano passado.

    A um dia da abertura, o salão chega à 29ª edição com mais de 160 embarcações confirmadas, acima de 30 lançamentos e um retrato de uma indústria náutica brasileira que ganhou escala, emprego e projetos mais ambiciosos. O evento é realizado entre 24 e 29 de setembro , no São Paulo Expo, na capital paulista. Para Ernani Paciornik, fundador do Grupo Náutica e do Boat Show, os sinais antes da abertura são positivos.

    “O salão está completamente lotado. ” A comparação com 2025 ajuda a dimensionar o movimento. No ano passado, 120 marcas levaram 170 embarcações ao evento, que recebeu 40 mil visitantes e terminou com 750 barcos negociados, alta de 7,14% sobre a edição anterior.

    Mesmo assim, Paciornik evita tratar o crescimento como garantido. “Eu sempre fico cético porque a gente vem crescendo sempre. O ano passado foi muito forte.

    Espero que cresça 10%”, afirma. Se a projeção se confirmar, o volume negociado ficará próximo de R$ 550 milhões. Barcos maiores ganham espaço Uma característica desta edição está no tamanho das embarcações.

    Mais de 40 dos barcos confirmados têm entre 30 e 40 pés, o equivalente a aproximadamente 30% dos modelos já contabilizados. São lanchas destinadas a usos diferentes, de pesca e esportes náuticos a passeios e viagens, com projetos que acrescentam cabines, áreas gourmet e espaços externos maiores. Para Thalita Vicentini, diretora da Boat Show Eventos, essa presença acompanha clientes que começaram em embarcações menores e passaram a procurar mais espaço, autonomia e conforto à medida que aumentaram a frequência de uso.

    O perfil também conversa com uma indústria que ampliou a variedade produzida no Brasil. Paciornik vê o São Paulo Boat Show como a principal concentração desse mercado. “O São Paulo Boat Show concentra cerca de 80% de todo esse movimento do Brasil”, afirma.

    Os eventos do Rio de Janeiro, Itajaí, Salvador e Brasília, segundo ele, complementam o circuito e ajudam a aproximar fabricantes de consumidores em diferentes regiões. A cadeia, porém, vai muito além do salão. O Brasil produz aproximadamente 5 mil embarcações de lazer por ano e o setor mobiliza cerca de 150 mil trabalhadores diretos e indiretos.

    Parte importante dessa produção ainda depende de componentes estrangeiros. No primeiro semestre de 2026, as importações relacionadas à construção de barcos de recreio e esporte avançaram 23%, de US$ 61,5 milhões para US$ 75,6 milhões. Chegam de outros países motores, sistemas elétricos, radares, estabilizadores, resinas, móveis e diferentes materiais usados na fabricação e no acabamento das embarcações.

    “É uma indústria de mão de obra intensiva. Não tem robô fazendo barco, nem na China”, diz Paciornik. ” De R$ 30 mil a R$ 90 milhões Essa indústria também ocupa faixas de preço muito diferentes.

    Paciornik lembra que o universo náutico não começa nos grandes iates. ” No outro extremo, a indústria brasileira começa a avançar para projetos até então restritos a estaleiros estrangeiros. Em Itajaí, a Azimut iniciou em junho a construção do Grande 30 Metri, que será o maior iate já produzido no Brasil .

    Com quase 30 metros e valor estimado a partir de R$ 90 milhões, o modelo deve ficar pronto no fim de 2028. Ele não estará exposto no Boat Show, mas ajuda a mostrar o tamanho do mercado brasileiro. O projeto faz parte de um ciclo de R$ 120 milhões em investimentos da fabricante italiana no país e acompanha a expansão de sua fábrica catarinense para 65 mil metros quadrados.

    Itajaí concentra aproximadamente 35% da produção brasileira de barcos e também vem ampliando as exportações. Entre janeiro e junho, empresas instaladas na cidade venderam ao exterior US$ 8,7 milhões em iates e embarcações de recreio e esporte, avanço de 93% em relação aos US$ 4,5 milhões do mesmo período de 2025. Para Paciornik, são números que ajudam a desmontar uma antiga visão do barco apenas como bem de luxo.

    “Hoje, barco dá emprego e gira toda a economia do mar. ” Um barco que produz o próprio combustível É justamente tecnologia produzida no Brasil que estará entre as discussões do Boat Show deste ano. No dia 28 de setembro, o Grupo Náutica e a GWM Hydrogen apresentarão o projeto JAQ H2, concebido para captar água do mar e produzir o próprio hidrogênio a bordo.

    A embarcação está em desenvolvimento e deverá receber um eletrolisador para gerar o combustível que será utilizado pelo próprio sistema. A ideia nasceu como evolução do JAQ H1, embarcação de 36 metros usada durante a COP30, em Belém. Sua célula a combustível abasteceu os sistemas de hotelaria — iluminação, climatização, cozinha e outros equipamentos — com hidrogênio.

    Depois, o H1 recebeu dois motores capazes de utilizar hidrogênio e diesel. O processo de adaptação levou aproximadamente seis meses. Paciornik diz que o objetivo era tornar a tecnologia visível.

    Parte dos equipamentos foi instalada externamente, em um contêiner, justamente para que visitantes pudessem acompanhar seu funcionamento. “Se estivesse tudo escondido dentro da casa de máquinas, ninguém conseguiria ver o que realmente estava acontecendo”, afirma. “O barco é quase uma escola.

    ” O JAQ H2 avança um passo. Com cerca de 50 metros, segundo Paciornik, ele deverá ter seu próprio sistema de produção de hidrogênio e um laboratório destinado a pesquisas. O casco e as estruturas principais já existem, enquanto o projeto entra em novas etapas de adaptação.

    Para ele, produzir hidrogênio dentro de uma embarcação tem também um papel demonstrativo. Se a tecnologia pode ser colocada em um barco, argumenta, pode ajudar a mostrar a possibilidade de implantação de infraestrutura semelhante em portos. É uma discussão que chega ao São Paulo Boat Show em meio a motores, jets, lanchas e iates de milhões de reais.

    E talvez seja esse contraste que melhor represente o momento atual do setor náutico brasileiro: uma indústria capaz de reunir no mesmo pavilhão o barco de lazer, o superiate produzido localmente e uma embarcação experimental que tenta descobrir como navegar usando o combustível que ela própria produz. O post Evento de Barcos de Lazer em SP Deve Movimentar R$ 550 Milhões com Mercado Aquecido apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>

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