Falsas entrevistas de emprego e ferramentas de IA: como ocorreu o ataque à Binance
A Binance informou nesta terça-feira (3) que os hackers responsáveis pelo roubo de US$ 6,3 bilhões usaram técnicas de engenharia social, incluindo falsas entrevistas de emprego, além de softwares maliciosos. O relato é o mais detalhado até agora sobre como o ataque ocorreu. A Binance, que atribuiu o ataque à Coreia do Norte, afirmou que a invasão envolveu uma “campanha sofisticada e realizada em várias etapas”.
Segundo relatório publicado nesta terça-feira, um dos engenheiros da empresa foi contatado por meio de uma plataforma de busca de emprego por alguém que se apresentou como diretor de projetos da companhia. O funcionário foi então entrevistado por uma pessoa que alegava ser CEO de uma empresa fictícia, por meio de um aplicativo de mensagens. Durante a conversa, recebeu a solicitação para baixar uma tarefa que continha um “repositório de código malicioso”.
Isso desencadeou uma série de atividades não autorizadas, segundo o relatório. “Não foi um único erro ou uma única invasão. Foi uma campanha construída ao longo de muitos meses”, afirmou Richard Teng, co-CEO da Binance.
Os atacantes “combinaram entrevistas falsas de recrutamento, softwares maliciosos disfarçados de ferramentas legítimas para desenvolvedores, dispositivos comprometidos e técnicas de inteligência artificial (IA)”. Leia também Investimentos Binance perde participação de mercado para concorrentes após ataque hacker Tecnologia Mercado Bitcoin: como foi o ataque hacker que drenou quase US$ 50 milhões da exchange brasileira Nove dias antes do ataque, os hackers usaram o notebook do funcionário atraído pela falsa entrevista de emprego para invadir os computadores de outros dois engenheiros de software que trabalhavam nas carteiras digitais da Binance. Segundo o relatório, os hackers utilizaram uma “ferramenta interna de IA” para obter acesso.
A Binance não especificou qual era a ferramenta nem como ela foi usada para controlar os notebooks dos funcionários. Um dos dois engenheiros havia baixado acidentalmente, em junho, um software malicioso ao tentar instalar o que a Binance chamou de “uma popular ferramenta de programação baseada em IA”. Com isso, expôs ao hacker informações sobre sua função e sobre a de alguns colegas que trabalhavam nas carteiras digitais da empresa, segundo o relatório.
A nova revelação sobre como os hackers conseguiram desviar bilhões da Binance ocorre enquanto a corretora — e o setor de criptomoedas — tenta se recuperar do maior ataque da história dos roubos cibernéticos. A invasão aprofundou uma crise de segurança crescente em um setor que já enfrenta uma onda de ataques cibernéticos. A inteligência artificial amplia a ameaça ao oferecer novas ferramentas para criminosos identificarem vulnerabilidades e enganarem funcionários, elevando os riscos para plataformas que protegem bilhões de dólares em ativos digitais.
Nas horas seguintes ao ataque, inicialmente noticiado em 29 de outubro, a Binance afirmou que os invasores poderiam ter comprometido o notebook de um engenheiro de software, o que teria permitido aos criminosos retirar criptomoedas da corretora. Em uma publicação posterior, a empresa disse que o ataque era “complexo” e que havia “identificado pontos adicionais de invasão”, sem fornecer mais detalhes. Logo após o ataque, traders, profissionais de segurança cibernética e emissores de tokens correram para responder às consequências.
, além de outras entidades, congelaram rapidamente — ou impediram que os hackers movimentassem — quase US$ 3 bilhões em recursos. Empresas de análise correram para rastrear o fluxo de criptomoedas e acabaram atribuindo o ataque à Coreia do Norte, acusação que o país negou. Alguns traders aproveitaram a turbulência do mercado para obter ganhos.
Durante todo o episódio, a Binance buscou tranquilizar seus usuários, afirmando que assumiria os custos financeiros do ataque. Ainda assim, a corretora suspendeu os saques por quase dois dias após a invasão. No início de domingo, a Binance começou a liberar gradualmente os saques.
Inicialmente, a empresa registrou saídas de bilhões de dólares, mas a situação parece ter se estabilizado. Nesta terça-feira, a corretora informou que os depósitos por hora começaram a superar os saques por hora. A Binance também afirmou que praticamente repôs as criptomoedas roubadas pelos hackers, utilizando recursos de seu caixa corporativo e de dois fundos de seguro.
A corretora também está trabalhando com autoridades americanas, incluindo o Federal Bureau of Investigation (FBI), o Serviço Secreto dos Estados Unidos e o Departamento de Justiça. O FBI, que prestou assistência à Binance pouco depois do ataque, também atribuiu a invasão a hackers norte-coreanos. Em 2026, a Binance identificou e impediu 57 tentativas de ataque de hackers ligados à Coreia do Norte, segundo o relatório que detalha o roubo cibernético.
A empresa também informou que adotou diversas medidas para reduzir os riscos após o ataque, incluindo a reconstrução da infraestrutura de criptomoedas afetada, o desenvolvimento de uma nova versão da ferramenta interna de IA, o aprimoramento das verificações de segurança e a implementação de um detector baseado em inteligência artificial. Apesar do ataque histórico, os impactos no mercado permaneceram limitados. Inicialmente, o Bitcoin caiu mais de 4% após a invasão, chegando perto de US$ 76 mil.
Desde então, a maior criptomoeda do mundo recuperou parte das perdas e era negociada em torno de US$ 77,2 mil nesta terça-feira. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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