Fazenda vê choque persistente no petróleo e revisa PIB
A SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda passou a tratar a alta do petróleo Brent como um “cenário de choque persistente” , e não mais como um choque pontual de oferta. A mudança no diagnóstico decorre da constatação de que a recomposição dos estoques globais e a normalização do fluxo de embarcações exigirão mais tempo do que o estimado, prolongando a pressão sobre as cotações. A lenta absorção da alta elevou a projeção média do Brent para 2026 de US$ 79,20 para US$ 87,70 o barril, o que pressiona as taxas de juros de longo prazo e amplia o prêmio de risco global.
A revisão do cenário externo impactou os indicadores domésticos: a estimativa para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2026 caiu de 2,3% para 2,0%, enquanto a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) recuou de 5,1% para 4,9%. 2026) na divulgação do Boletim Macrofiscal de setembro . Participaram da apresentação a jornalistas: Débora Freire Cardoso, secretária de Política Econômica; Rafael de Azevedo Ramires Leão, subsecretário de Política Macroeconômica; Rodrigo Toneto, subsecretário de Política Fiscal.
Segundo Freire, a situação ainda não chegou a um patamar disruptivo ou “catastrófico” . Ela também negou se tratar de um “novo normal” . REVISÃO DO PIB POR SETOR Segundo a SPE, a desaceleração demonstra o efeito defasado dos juros altos sobre os setores mais sensíveis ao crédito: serviços: de 2,4% para 1,8%; indústria: de 2,1% para 1,7%, pressionada pela indústria de transformação; agropecuária: revisão para cima, de 1,8% para 2,8%, com apoio da safra do 2º e 3º trimestres e do aumento do abate na pecuária.
Para o 3º trimestre de 2026, a SPE projeta alta de 1,8% do PIB na comparação interanual (ante 2,0% no 2º trimestre) e de 0,2% na margem dessazonalizada. Para 2027, a estimativa caiu de 2,5% para 2,3%. BOLSA FAMÍLIA O reajuste do programa Bolsa Família foi anunciado após o fechamento da grade de parâmetros do boletim, em 4 de setembro, e por isso não está incorporado às projeções numéricas divulgadas.
De acordo com a secretária Débora Freire, a decisão de reajustar o benefício veio da constatação de espaço fiscal em 2026, resultado de crescimento menor do que o projetado nas despesas obrigatórias –especialmente na Previdência Social. O impacto estimado do reajuste em 2027, de R$ 22,7 bilhões, será acomodado no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027 via mensagem modificativa, com realocação interna de despesas para preservar a meta de superavit primário. Isso significa que o aumento não deverá elevar o resultado fiscal projetado para 2027, porque o governo pretende compensar esse gasto com cortes ou remanejamentos de outras despesas do Orçamento, mantendo a meta.
A secretária declarou que a transferência de renda para a base da pirâmide funciona como amortecedor da desaceleração econômica, sem conflitar com o ciclo de flexibilização monetária. INFLAÇÃO, SELIC E CÂMBIO Segundo a SPE, os riscos para a inflação de 2027 incluem impactos do fenômeno El Niño sobre a safra agrícola, reversão do ciclo pecuário —com maior retenção de fêmeas para abate– e efeitos indiretos da alta do petróleo sobre frete e fertilizantes. IPCA 2026 – de 5,1% para 4,9%, por conta de surpresas baixistas na alimentação no domicílio até julho e do efeito acumulado da Selic contracionista; INPC 2026 – de 5,3% para 5,1%; IGP-DI 2026 – de 5,6% para 5,0%; IPCA 2027 – revisão para cima, de 3,6% para 3,8%.
Selic – o Focus projeta taxa terminal de 13,75% ao fim de 2026, e a taxa média anual da grade da SPE passou de 14,16% para 14,22%; Câmbio – mantido em R$ 5,16 por dólar. PLOA 2027 com superávit primário O subsecretário Rodrigo Toneto destacou a entrega do PLOA 2027 com expectativa de superavit primário de 0,56% do PIB. Sobre a meta fiscal de 2026: deficit primário acumulado até julho – R$ 81,0 bilhões; estimativa para cumprimento da meta – superavit de R$ 10,77 bilhões, após deduções legais de R$ 62,78 bilhões; No 1º semestre de 2026, os gastos que o governo pode definir ou ajustar com maior liberdade cresceram mais do que as despesas obrigatórias, como salários, aposentadorias e benefícios, em parte porque a Lei Complementar nº 235/2026 ampliou a margem para execução dessas despesas.
IMPULSO ESTRUTURAL DO GASTO A SPE apresentou o IEG (Impulso Estrutural do Gasto), indicador que isola o efeito da variação dos gastos federais sobre a demanda agregada. Ele mede quanto a política de gastos do governo contribui para estimular ou reduzir a demanda na economia. Serve para avaliar se a política fiscal está exercendo pressão de alta ou de baixa sobre a atividade econômica.
p. p. do PIB.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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