Fed decide juros nesta quarta-feira. Veja o que o mercado espera
Esta quarta-feira (28) não será super, mas terá o Federal Reserve, o banco central americano, no palco principal. A chamada superquarta ocorre quando há, no mesmo dia, as decisões sobre juros do Fed e do Banco Central brasileiro. Esse descasamento costuma acontecer em apenas duas ocasiões no ano, em julho/agosto e em outubro/novembro.
É o caso da reunião de hoje. O Fed, o banco central americano, portanto vai concentrar as atenções mesmo aqui no mercado local. A expectativa majoritária é de manutenção dos juros na faixa entre 3,75% e 4% ao ano.
Sem suspense Uma pausa no movimento de alta das taxas é o cenário base para 90,6% dos investidores, conforme a ferramenta FedWatch, que acompanha o posicionamento do mercado sobre os rumos futuros da política monetária dos EUA. Mas, na visão dos investidores, trata-se de apenas um hiato entre altas. Para a reunião entre 8 e 9 de dezembro, o FedWatch mostra mais de 84% de chances de nova elevação dos juros americanos.
Leia também Economia Não é só no Brasil: dívida pública dos EUA custa US$ 1 trilhão só em juros e ameaça virar bola de neve Desse total, 76,5% enxergam avanço de 0,25 ponto percentual, enquanto 7,8% acreditam em uma alta de 0,5 ponto. A manutenção das taxas é esperada mesmo com a inflação nos Estados Unidos ainda significativamente acima da meta. Com a manutenção praticamente contratada, todas as atenções se voltam para a coletiva de imprensa do presidente do Fed, Kevin Warsh, em busca de sinalizações sobre os próximos passos da autoridade monetária.
De olho em dezembro Como esta reunião não contará com a atualização do chamado “gráfico de pontos” ( dot plot ), um documento que reúne as projeções dos membros do comitê para a trajetória da taxa de juros e indicadores econômicos, as declarações de Warsh ganham mais peso. Talvez a questão mais especulada pelo mercado seja como vão votar os presidentes das regionais de Cleveland (Beth Hammack), Dallas (Lorie Logan) e Minneapolis (Neel Kashkari). São nomes que figuram como potenciais votos contrários à pausa, repetindo a postura que adotaram em julho.
Momento sensível O encontro ocorre em um momento politicamente sensível: a menos de uma semana das eleições de meio de mandato ( midterms ), em 3 de novembro, que definirão o controle do Congresso americano. Embora o Fed reitere sua independência política, parte do mercado avalia que o banco central prefere evitar movimentações de juros tão às vésperas do pleito. Leia também Investimentos Presidente do Fed explica por que o juro voltou a subir e mercado passa a prever nova alta neste ano Analistas do Goldman Sachs alertam ainda que investidores em busca de sinalizações na coletiva podem se decepcionar.
A avaliação do banco é de que o Fed adotou uma dinâmica de ajustes intercalados (uma alta a cada duas reuniões). Além disso, Warsh sempre reitera que prefere evitar o chamado forward guidance , ou seja, a sinalização dos rumos previstos para a política monetária de modo a dar um direcionamento às expectativas dos agentes econômicos. ]]>
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