Fed mantém juros nos EUA. Dois dirigentes defendem nova alta diante da inflação
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,75% a 4% ao ano nesta quarta-feira (28), apesar da persistência da inflação acima da meta. A decisão era amplamente esperada pelo mercado. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), responsável pelas decisões de política monetária, optou por aguardar novos dados econômicos antes de definir os próximos passos.
Em comunicado, o Fed afirmou que a inflação continua elevada e que novas informações ajudarão a determinar a política necessária para levar o indicador à meta de 2%. Leia também Investimentos Governo vai subir IOF de papéis isentos? Veja os impactos potenciais sobre LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures Economia Eleições nos EUA 2026: o que são as midterms e como podem afetar Trump?
A decisão teve dois votos contrários entre os 12 integrantes com direito a voto. A diretora Lisa Cook e Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros. A divergência reflete o debate dentro do banco central sobre a necessidade de elevar os juros para conter a pressão sobre os preços.
A inflação permanece acima da meta de 2% há mais de cinco anos, e os sinais recentes indicam que a alta dos preços ganhou força desde a reunião de setembro. Nas últimas semanas, porém, dirigentes do Fed defenderam cautela e a necessidade de aguardar novos dados antes de apertar ainda mais a política monetária. Inflação e crescimento no radar A decisão ocorre em um cenário de inflação resistente e atividade econômica aquecida.
A inflação medida pelo indicador preferido do Fed deve ficar acima de 3% em setembro, mesmo quando são excluídos os preços de alimentos e energia. Economistas também demonstram preocupação com a disseminação das pressões inflacionárias para além do setor de energia e dos efeitos da guerra no Irã. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho continua relativamente forte e o crescimento econômico permanece robusto.
A combinação de crescimento forte e inflação persistente levanta dúvidas sobre o quanto os juros atuais estão restringindo a atividade econômica e se o banco central precisará elevar a taxa de forma mais agressiva caso os preços não desacelerem. Mercado acompanha próximos passos Os contratos futuros de juros indicam a possibilidade de um novo aumento na reunião de dezembro, além de uma ou duas altas adicionais em 2027. O presidente do Fed, Kevin Warsh, deveria comentar a decisão em entrevista coletiva nesta quarta-feira.
Investidores aguardavam indicações sobre a trajetória dos juros nos próximos meses. O cenário também é acompanhado em meio à proximidade das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. A votação definirá o controle do Congresso americano.
O presidente Donald Trump, que indicou Warsh para o cargo, defende juros mais baixos e mantém divergências com o banco central sobre a condução da política monetária. A independência do Fed é considerada um princípio central da instituição. ]]>
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