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    Fim das bets e Desenrola 3.0 soam de “caráter eleitoreiro”, dizem analistas
    CNN Brasil·26 de set., 07:00

    Fim das bets e Desenrola 3.0 soam de “caráter eleitoreiro”, dizem analistas

    Às vésperas da eleição, o governo federal anuncia um novo pacote de medidas mirando um público afetado pelo cenário de crescente endividamento no país: a proibição das bets e um novo programa de renegociação para inadimplidos. Olhando para o momento e a maneira como as ações são anunciadas, analistas ouvidos pelo CNN Money entram em consenso: “soa de caráter eleitoreiro”, ressalta Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper. “Ainda que haja benefício, são medidas que lidam com questões muito sérias para fazer de maneira tão açodada, beirando o oportunismo eleitoral”, enfatiza.

    A proibição às casas de aposta esportiva começa de fato no dia 6 de outubro , após o primeiro domingo em que os eleitores irão às urnas . Mas o novo anúncio de apelo popular a pouco menos de uma semana do primeiro turno é visto criticamente pelos especialistas. Leia Mais Bets: Sensação de que "tudo pode acontecer" afasta investidores, diz ex-BC Manifesto aponta insegurança jurídica com fim das bets por MP Selic: quanto a economia precisa desacelerar para os juros caírem?

    “Pacote de bondades” O chamado “pacote de bondades” do governo prevê injetar cerca de R$ 271 bilhões na economia em 2026 , mostram dados levantados pelo CNN Money que contemplam anúncios de linhas de crédito, reforços orçamentários a programas já existentes e subsídios. Antes desta sexta-feira (25), o movimento mais recente havia sido a elevação do pagamento do Bolsa Família, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o reajuste do piso do benefício para R$ 691 – gerando um custo adicional de R$ 5,8 bilhões aos cofres públicos neste ano. 0, considerando um deságio mínimo legal de 90% .

    Isso em um momento que “o fiscal está apertado”, enfatiza Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV EESP (Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas). Endividamento Pinheiro observa ainda como o tom do pacote é “bem endereçado à dor do endividamento”, olhando para as duas medidas combinadas. Porém, especialistas ressaltam como a questão da inadimplência recorde no país – que não foi mitigada pela fase anterior do programa de renegociação de dívidas – é algo mais profundo e passa por questões estruturais, como juros, avanço da renda e preço dos alimentos.

    “Funciona no curto prazo, tanto é que funcionou na primeira fase. Mas fizeram um e a tentação de fazer novos é grande. Aí resta aquela dúvida sobre um programa que é totalmente de curto prazo e não muda estruturalmente a situação das pessoas”, pontua Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

    Com a desaceleração da economia em curso por conta dos efeitos das altas taxas de juros no país , Vale ressalta que a tendência é de o mercado de trabalho começar a minguar e, consequentemente, o bolso das pessoas voltar a apertar. Brasil precisa de uma reforma institucional, diz Walter Schalka | MONEY NEWS Bets Ainda assim, os analistas ouvidos pela reportagem apontam que lidar com as bets é uma questão crítica – não só financeira, mas de saúde também. As apostas elevam o risco de inadimplência do jogador em até 40% quando se olha para as dívidas do cartão de crédito, segundo estudo da Stone.

    Além disso, o Ministério da Saúde informou, em maio, que, houve um crescimento de quase 140% na busca por tratamento no SUS (Sistema Único de Saúde) ao longo dos últimos cinco anos por problemas de dependência com jogos on-line. “A ludopatia virou nossa papoula, pensando na Guerra do Ópio. Tudo que acontence perto das eleições tem viés eleitoreiro.

    Mas é evidente a pandemia dos jogos”, pondera Rafael Favetti, sócio da Fatto Inteligência Política. E a população tem lado nisso: quando questionados sobre apostas online, 75% dos entrevistados se disseram favoráveis à proibição , apontou pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23), dois dias antes do anúncio do governo. Juntando os fatos, Tatiana Pinheiro reforça a crítica com a medida tomada próxima da eleição.

    “Dá tom eleitoreiro quando vê pesquisas mostrando população favorável ao fim das bets”, diz a consultora. Para os especialistas, o grande problema nesse caso é a maneira como a proibição foi levada “a toque de caixa”. “Todo o empresariado, os participantes do mercado buscam estabilidade.

    Medidas intempestivas como essa sinalizam para o lado contrário, que as instituições não estão sendo claras como o mercado precisa. É um sinal truncado de instabilidade e insegurança, que desincentiva outros setores também a acreditar na nossa segurança jurídica “, argumenta Leandro Consentino. Favetti indica que o mercado será afetado, sobretudo, nas mídias e clubes de futebol, alem de influencers .

    “Mas essa é uma escolha que o governo e a sociedade tem que fazer”, indaga o sócio da Fatto Inteligência Política. Mas a sinalização ruim que a ação passa ao setor privado faz Tatiana Pinheiro olhar para a insegurança jurídica , mostrando como isso esbarra no cenário macroeconômico do país. “Isso é ruim porque o Brasil precisa de investimento que faça a roda da economia girar, seja o local ou o estrangeiro bancando atividade produtiva.

    Agora, tudo que foi investido é anulado porque a operação é fechada, e isso limita o quanto o país pode crescer”, avalia Pinheiro. ”, indaga. E se havia um problema a ser enfrentado, ele não se construiu do dia para a noite, o que leva os especialistas a questionarem o por quê a restrição não veio antes ou foi melhor dialogada com legisladores e o setor privado ao longo de todo o trabalho de regulação do setor.

    “O governo atrasou, de certa forma, ao lidar com essas questões que são de saúde pública. Junto com o reajuste do Bolsa Família, coloca a impressão de que o governo está correndo atrás do tempo para se beneficiar dessas questões. ”, questiona Sergio Vale.

    Aí entra o “o caráter eleitoral” da coisa, segundo o economista-chefe da MB. E diante do “temor com o primeiro turno”, o governo aposta no chamado “pacote de bondades”, analisa Consentino. “O problema não é a natureza das medidas, mas sim o timing e a maneira como são trabalhadas de maneira corrida e, talvez, sem a devida eficiência.

    O problema é a política pública submetida ao interesse do governo e do timing eleitoral”, conclui o professor do Insper. Com informações de Vitória Queiroz, da CNN Brasil, e da Agência Câmara de Notícias Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco   ]]>

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

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