Flávio muda o tom na Globo e prioriza propostas no último debate contra Lula
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou um discurso mais sóbrio no debate da TV Globo desta sexta-feira, 23, em comparação com o confronto promovido pela Band cinco dias antes. O candidato à Presidência procurou administrar melhor o tempo de fala, organizar as respostas e dedicar maior atenção às propostas de governo . O encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o último debate televisivo antes do segundo turno, marcado para este domingo, 25.
Na Band, Flávio havia recorrido com maior frequência a provocações diretas, gestos durante as intervenções do adversário e questionamentos pessoais. Na Globo, por sua vez, reduziu parte desse comportamento. Essa mudança acompanhou a orientação da campanha para que o senador dedicasse mais espaço às propostas e procurasse estabelecer contato com eleitores que ainda não haviam definido o voto.
Como Flávio mudou de estratégia A campanha de Flávio avaliou positivamente a participação do senador no debate da Band, mas identificou assuntos que poderiam ter recebido maior atenção. Conforme apurou Oeste , interlocutores consideraram que o Zero Um poderia ter explorado mais as críticas ao governo federal nas áreas econômica e de segurança pública . Flávio cumpriu a orientação de responder às cobranças de Lula e direcionar questionamentos ao presidente.
A equipe, contudo, entendeu que algumas discussões acabaram consumindo tempo que poderia ter sido dedicado a outros assuntos. Um dos episódios envolveu o Banco Master. Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões solicitados ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse , projeto de cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador respondeu às cobranças e mencionou suspeitas envolvendo pessoas próximas ao presidente. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Revista Oeste (@revistaoeste) A campanha avaliou que o assunto poderia ter sido explorado de outra maneira, com maior atenção às relações políticas de Vorcaro e aos esclarecimentos sobre as investigações. Na economia, Flávio havia criticado os preços dos alimentos, mencionado o endividamento público e apresentado propostas para reduzir as dívidas das famílias.
Na segurança pública, defendeu medidas como o endurecimento das penas para integrantes de organizações criminosas e a ampliação de vagas no sistema prisional. O fator Tarcísio A preparação para a Globo contou com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A intenção era organizar a apresentação das propostas e reduzir situações que pudessem desviar a discussão dos temas escolhidos pela campanha.
O senador também reservou a última quinta-feira, 22, e parte desta sexta-feira para estudar assuntos que poderiam surgir no debate e preparar suas intervenções. A programação contrastou com a agenda que antecedeu o encontro da Band, quando Flávio participou de um ato político na Avenida Paulista. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Revista Oeste (@revistaoeste) As críticas do PT Flávio abriu o debate da Globo cobrando explicações de Lula sobre obras paralisadas no país.
O senador citou, por exemplo, um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) que aponta mais de 11,5 mil empreendimentos nessa situação. Em seguida, questionou como o governo pretendia ampliar a infraestrutura nacional sem concluir projetos já iniciados. Lula afirmou ter recebido cerca de 6 mil obras paradas ao assumir a Presidência, em 2023, e recorreu aos números do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Segundo o petista, o programa reúne R$ 1,7 trilhão em investimentos previstos, dos quais quase R$ 800 bilhões já teriam sido executados. Na réplica, Flávio anunciou compromissos para a infraestrutura. Prometeu concluir a Ferrovia Transnordestina, ampliar a malha ferroviária, expandir concessões de rodovias e portos e garantir isenção de pedágio para motociclistas nas novas concessões rodoviárias.
Além disso, defendeu a ampliação do acesso à internet, inclusive em aldeias indígenas. Lula contestou a cobrança e afirmou que parte dos projetos mencionados pelo adversário já estava em andamento. Citou a Transnordestina, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) e a BR-319, entre Manaus e Porto Velho.
O confronto avançou para o salário mínimo e o poder de compra. Lula defendeu a política de reajustes acima da inflação adotada em seus governos e perguntou se Flávio manteria a valorização dos rendimentos. O senador respondeu que os aumentos salariais não resolvem por si só as dificuldades financeiras das famílias, diante dos impostos, dos juros e do endividamento.
“Hoje é dia 23 de outubro, o mês ainda não acabou", disse Flávio. ” O candidato também se declarou favorável à tarifa zero nos ônibus aos fins de semana, proposta mencionada por Lula durante o debate. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Revista Oeste (@revistaoeste) E o Nordeste?
O Nordeste entrou no debate depois que Lula questionou Flávio sobre os planos para a região e afirmou ter a impressão de que o adversário não gostava dos nordestinos. O senador rejeitou a acusação e respondeu que, se eleito, pretende trabalhar com os governadores dos nove Estados, independentemente das diferenças partidárias. Flávio citou Raquel Lyra (PSD), governadora de Pernambuco, como exemplo de possível parceria para combater o crime organizado e executar obras de infraestrutura.
Em outro momento, prometeu construir uma ferrovia ligando Salvador, na Bahia, a São Luís, no Maranhão, com o objetivo de estimular o turismo e a atividade econômica. A discussão incluiu a transposição do Rio São Francisco. Lula mencionou a obra, a Ferrovia Transnordestina e a expansão da rede federal de ensino entre as realizações dos governos petistas.
Flávio contestou os atrasos na transposição e atribuiu à administração de Bolsonaro a conclusão de etapas do projeto, executado ao longo de diferentes governos. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Revista Oeste (@revistaoeste) Na segurança pública, o senador acusou o governo e administrações estaduais aliadas ao PT de permitir o avanço do Comando Vermelho no Nordeste. Lula não respondeu diretamente à acusação e voltou a mencionar investimentos realizados na região.
O Datafolha divulgado em 23 de outubro registrou Lula com 65% das intenções de voto no Nordeste, contra 30% de Flávio. A diferença ajuda a explicar a atenção dedicada à região durante a campanha. Em outros segmentos, a distribuição das preferências eleitorais era distinta.
Entre os evangélicos, o mesmo levantamento apontou 69% para Flávio e 26% para Lula. Na Região Sul, o senador registrou 58%, contra 33% do presidente. O resultado das pesquisas A pesquisa Datafolha divulgada em 23 de outubro apontou empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula.
O senador registrou 47% das intenções de voto totais, enquanto o presidente apareceu com 46%. Os votos brancos e nulos somaram 5%, e 2% dos entrevistados declararam estar indecisos. Quando são excluídos brancos, nulos e indecisos, Flávio aparece numericamente à frente de Lula: 50,47% contra 49,53%.
520 eleitores de 16 anos ou mais, em 154 municípios, entre 20 e 22 de outubro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09709/2026.
Na rodada anterior, Flávio tinha 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. A diferença desapareceu no levantamento mais recente, depois de uma oscilação de um ponto porcentual para cada candidato. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Revista Oeste (@revistaoeste) Outros institutos divulgaram resultados próximos, embora com diferenças numéricas.
O PoderData/Aya, por exemplo, em pesquisa publicada em 22 de outubro, registrou 51% dos votos válidos para Flávio e 49% para Lula. A Quaest, em levantamento divulgado no dia 21, apontou 45% das intenções de voto totais para o senador e 44% para o presidente. Nos votos válidos, os porcentuais foram de 50,56% e 49,44%, respectivamente.
Já o Real Time Big Data divulgou, em 23 de outubro, um levantamento que registrou 52% dos votos válidos para Flávio e 48% para Lula. Nos votos totais, os candidatos apareceram com 49% e 45%. Eleitorado decidido e rejeição aos candidatos O Datafolha identificou que 94% dos entrevistados estavam totalmente decididos sobre o voto no segundo turno.
Entre os eleitores de Lula, o índice chegou a 96%. Entre os apoiadores de Flávio, foi de 95%. O instituto também investigou o comportamento de quem havia votado em outros candidatos no primeiro turno.
Entre os eleitores de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, 47% declararam intenção de votar em Flávio, enquanto 26% escolheram Lula. Outros 21% disseram que votariam em branco ou nulo, e 6% permaneciam indecisos. Nesse grupo, 23% admitiram a possibilidade de mudar de escolha até a votação.
Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Revista Oeste (@revistaoeste) A rejeição aos candidatos também apareceu em patamares próximos. Segundo o Datafolha, 46% dos entrevistados rejeitavam exclusivamente Flávio como opção para a Presidência, enquanto 45% rejeitavam exclusivamente Lula. Outros 3% rejeitavam ambos, e 6% não rejeitavam nenhum dos dois.
O levantamento apresentou ainda um dado sobre a expectativa de vitória. Para 53% dos entrevistados, Flávio venceria a eleição. Lula foi apontado como provável vencedor por 39%, enquanto 8% não souberam responder.
As regras do último debate O encontro da Globo foi mediado pelo jornalista César Tralli e começou às 21h40, depois do Jornal Nacional . A emissora estabeleceu regras específicas para a movimentação dos candidatos pelo cenário. Nos três primeiros blocos, o participante que estivesse com a palavra poderia circular pelo estúdio, enquanto o adversário deveria permanecer no púlpito.
No quarto bloco, de tema livre, os dois poderiam se movimentar, desde que permanecessem em seus respectivos lados do palco. Essa medida procurou evitar situações semelhantes às registradas no debate da Band, quando Flávio se aproximou de Lula durante uma intervenção do presidente. O formato incluiu quatro blocos e considerações finais.
No primeiro, foram previstas seis rodadas com temas regionais e um assunto de alcance nacional. Cada candidato recebeu três minutos por rodada. O segundo e o terceiro blocos foram organizados a partir de temas apresentados no telão.
No quarto, cada participante teve oito minutos de fala, sem limite de intervenções. As regras foram aceitas pelas duas campanhas antes do encontro. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Revista Oeste (@revistaoeste) Segundo turno à vista O debate da Globo ocorreu a dois dias da votação que definirá o próximo presidente da República.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, a eleição foi encaminhada para o segundo turno. A votação está marcada para este domingo, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
Além de disputar os eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno, as campanhas procuram mobilizar aqueles que não compareceram às urnas em 4 de outubro. Na véspera da eleição, estão previstas novas pesquisas Datafolha e Quaest. O Datafolha informou que o último levantamento incluirá perguntas sobre o debate da Globo, a avaliação do desempenho dos candidatos e a possibilidade de mudança na intenção de voto depois do confronto.
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