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    Forbes Brasil·03 de nov., 12:47

    Focus Eleva Projeções de Inflação, Dólar e Selic Às Vésperas da Decisão do Copom

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. A deterioração das expectativas para a inflação, o câmbio e os juros voltou a ganhar força entre os economistas do mercado financeiro. A poucos dias do encerramento de 2026 e às vésperas de uma nova decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) , o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (3) mostrou uma rodada de revisões para cima nas projeções de preços e da taxa Selic, acompanhada de uma redução nas estimativas de crescimento econômico.

    A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 passou de 5,19% para 5,22%. Com isso, a inflação projetada permanece 0,72 ponto percentual acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%. O objetivo central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

    O movimento, porém, não se restringe ao horizonte mais próximo. Para 2027, a projeção de inflação avançou de 4,34% para 4,76%, na terceira semana consecutiva de alta. Em 2028, a estimativa passou de 3,75% para 4%, interrompendo um período de estabilidade.

    Para 2029, subiu de 3,51% para 3,98%. A sequência de revisões indica que os agentes econômicos passaram a incorporar uma inflação mais persistente também nos próximos anos. A mudança ocorre em um momento de maior incerteza sobre a condução da política fiscal, após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo resultado surpreendeu os investidores e alterou a percepção do mercado sobre a trajetória das contas públicas.

    O câmbio também concentra parte importante da revisão. A estimativa para o dólar ao fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34. Para 2027, avançou de R$ 5,15 para R$ 5,40.

    Nos anos seguintes, as projeções também foram elevadas: de R$ 5,20 para R$ 5,40 em 2028 e de R$ 5,28 para R$ 5,45 em 2029. A combinação de expectativas mais elevadas para o câmbio e a inflação adiciona um componente de pressão ao trabalho do Banco Central. Uma moeda brasileira mais depreciada pode encarecer produtos importados e insumos negociados internacionalmente, com efeitos sobre os preços domésticos.

      Juros mais altos por mais tempo É justamente na trajetória da Selic que as revisões do Focus mostram uma mudança relevante. Para 2026, a mediana das projeções subiu de 13,25% para 13,50% ao ano. Para 2027, avançou de 11,75% para 12,50%.

    Em 2028, a estimativa passou de 10% para 11%, enquanto, em 2029, subiu de 10% para 10,25%. A revisão ocorre na véspera da decisão do Copom, em um contexto no qual a piora das expectativas de inflação e a desvalorização cambial aumentam a cautela em relação ao início de um ciclo de flexibilização monetária. Para o Banco Central, a questão não se limita à inflação corrente.

    A trajetória das expectativas para os anos seguintes é um dos elementos considerados na avaliação da política monetária, sobretudo porque projeções mais distantes do centro da meta podem indicar dificuldades para ancorar a percepção dos agentes sobre a evolução dos preços. A elevação das estimativas para a Selic nos próximos anos também sugere que o mercado passou a trabalhar com uma redução mais lenta dos juros.   Crescimento perde força Do lado da atividade econômica, as revisões apontam para uma perspectiva menos favorável.

    A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 recuou de 1,80% para 1,76%. Para 2027, caiu de 1,31% para 1,20%, acumulando três semanas consecutivas de redução. A combinação de inflação projetada mais alta, juros elevados e crescimento mais fraco expõe um dilema para a política monetária.

    A manutenção de condições financeiras restritivas pode contribuir para conter a demanda e as pressões sobre os preços, mas também limita o crédito, o consumo e os investimentos. O post Focus Eleva Projeções de Inflação, Dólar e Selic Às Vésperas da Decisão do Copom apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>

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