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    Forbes Brasil·17 de set., 16:00

    Forbes Mulher Agro: Por Que o Americano Valoriza o Agro Sustentável e o Brasileiro Ainda Não?

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Nos mercados americanos, ética, sustentabilidade e rastreabilidade não são adjetivos de rodapé, são o argumento de venda principal. Em minha última viagem a Nova York, percebi uma mudança radical na forma como as marcas vêm se posicionando e enaltecendo os produtores locais que priorizam a procedência dentro do modelo de negócio.

    “Bem-estar animal”, “regenerativo”, “sem hormônio”, “sem antibiótico”, “raised with care”, essas frases não ficam escondidas na lista de ingredientes, elas ocupam o centro do rótulo, do tamanho da marca. O sebo bovino que comprei se vendia como “farm to table & regenerative” antes mesmo de dizer o que era. O bone broth trazia “100% regenerative” gravado à mão, como selo de honra.

    O consumidor lá não pergunta só: “É bom? ”. ”.

    E paga premium por essa resposta, muitas vezes o dobro do preço de um produto convencional equivalente. Regenerativo versus orgânico Isso virou tão relevante que “regenerativo” superou até “orgânico” (o que faz sentido) como palavra de maior valor percebido em muita prateleira americana. Não basta não fazer mal, o produto precisa provar que está ativamente curando o solo, cuidando do animal, sustentando a comunidade em volta.

    O Brasil tem tudo para liderar essa narrativa, não só segui-la. Pasto o ano inteiro, sistemas regenerativos reais, produtores que já fazem isso há gerações, só falta contar essa história com a mesma força e orgulho que os americanos contam a deles. O produtor como a própria marca Lá, comprar de um pequeno produtor não é sacrifício, é status.

    O consumidor paga mais caro por isso, e sente orgulho de pagar. A rastreabilidade virou desejo, não obrigação regulatória. Aqui no Brasil, muitas vezes o produtor fica escondido atrás da marca.

    Lá fora, o produtor É a marca. É um caminho que a gente também pode contar melhor, a história de quem cria o boi, de onde vem, com que cuidado. A pergunta não é se o boi bom vai vencer essa disputa.

    É se a gente vai ser protagonista dessa conversa ou só espectador de uma tendência que nasceu aqui. *Amália Sechis é bacharel em direito pela Fundação Armando Álvares Penteado, empresária e criadora da marca BeefPassion, produtora de carne bovina brasileira que em 2015 a recebeu o certificado internacional da Rainforest Alliance, tornando-se a primeira empresa produtora de carne brasileira a alcançar a certificação de agricultura sustentável. Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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