Fundo reorganiza sua fatia nos bilionários royalties do Porto Sudeste
O Porto Sudeste , terminal que pertenceu ao grupo de Eike Batista e hoje é controlado por Mubadala e Trafigura , passará por uma mudança na forma como seus royalties são repassados a uma parcela dos investidores, apurou o InvestNews . A mudança envolve o Planck , fundo de investimento que comprou, no leilão de ativos da falida MMX , ações do Porto Sudeste e direitos a receber royalties. Agora, esses direitos serão trocados por cotas de um fundo que já concentra a maior parte desses pagamentos.
Leia também Negócios Vale e Gerdau se unem à BlackRock em oferta de até US$ 3,5 bilhões pelo Porto Sudeste Negócios Como a Eneva passou de espólio de Eike Batista a força do setor elétrico com o BTG Pactual Na operação lançada nesta quinta-feira (17), o Planck entregará esses direitos ao Porto Sudeste Royalties . Em troca, receberá o equivalente a R$ 193,8 milhões em cotas e passará a receber sua parcela dos royalties por meio desse fundo. Apesar da complexidade técnica por trás da operação, o que está em jogo é uma fatia de um fluxo bilionário de pagamentos projetados para os próximos anos.
Segundo o laudo contratado pelo Planck para embasar a operação, o Porto Sudeste poderá distribuir o equivalente a R$ 8,3 bilhões em royalties entre o segundo semestre deste ano e o fim de 2028, considerando o câmbio utilizado na avaliação. A parcela do Planck corresponde a 0,968% desses pagamentos – aproximadamente R$ 80 milhões no período, caso as projeções se concretizem. Para alcançar essa cifra, porém, os royalties terão de crescer bastante.
Em 2025, o Porto Sudeste desembolsou R$ 67,7 milhões em royalties . Como os repasses dependem do caixa disponível depois das despesas e das obrigações com credores, o terminal encerrou o ano com R$ 9 bilhões em royalties acumulados ainda não pagos, segundo seu balanço mais recente. A avaliação pressupõe, portanto, uma forte aceleração dos pagamentos.
Além do desempenho da operação portuária, o cenário projetado considera captações de dívida e recebimento de valores atrasados da mineradora MMI. Porto de Eike Localizado em Itaguaí, no Rio de Janeiro, o Porto Sudeste foi concebido para escoar o minério de ferro da MMX, do grupo de Eike Batista. Em 2025, movimentou 27,8 milhões de toneladas do produto, seu recorde anual, segundo a companhia .
O terminal atende mineradoras como a da Usiminas e a Morro do Ipê , também controlada por Mubadala e Trafigura. Além do minério, opera com petróleo e derivados. Os direitos a royalties que estão sendo reorganizados na operação desta semana remontam à época da MMX, quando a mineradora criou um compromisso de remunerar investidores conforme o volume de cargas movimentadas pelo terminal.
Com a crise do grupo de Eike, Mubadala e Trafigura assumiram o controle do porto em 2014. Sob novo controle, o terminal passou a responder pelo pagamento dos royalties, e os direitos de recebê-los foram reunidos, em sua maior parte, no fundo Porto Sudeste Royalties. Uma parcela desses direitos, porém, permaneceu com a MMX e acabou entre os bens levados a leilão após a falência da mineradora.
Em março, o Planck arrematou, sem concorrentes, um pacote que incluía esses direitos e uma pequena participação acionária no terminal. O custo total foi de R$ 66,3 milhões. Agora, apenas os direitos aos royalties estão avaliados em R$ 193,8 milhões para a troca por cotas, quase três vezes o custo de todo o pacote adquirido no leilão.
A reorganização ocorre enquanto Mubadala e Trafigura negociam a venda do porto. Em princípio, a venda do terminal não muda o funcionamento do fundo nem seus direitos aos royalties: são operações separadas. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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