Fundos de pensão já aplicam quase 90% dos recursos na renda fixa. Mas isso pode estar prestes a mudar
Os fundos de pensão no Brasil vivem um dos momentos mais conservadores em décadas do ponto de vista dos ativos nos respectivos portfólios. E isso diz muito sobre o momento atual dos mercados e sobre o o que o investidor pessoa física pode esperar sobre o futuro. Um levantamento da Itajubá Investimentos com entidades de previdência fechada que reúnem, somadas, R$ 461 bilhões sob gestão mostra que a renda fixa está presente em 100% dos planos de aposentadoria do sistema; e que hoje representa o equivalente a 86,2% do total dos ativos.
Essa fatia saiu de 53% em 2013 para quase 90% em 2026. Se o percentual for extrapolado para toda a indústria, isso significaria algo como R$ 1,1 trilhão de recursos em crédito de um total de R$ 1,37 trilhão em ativos do setor. Leia também Videos Assista (ou reveja) a masterclass Estratégias para Viver de Renda Economia Menos jovens, mais idosos: como o envelhecimento do país se tornou uma conta inescapável A concentração reflete o longo período de juros altos, com a Selic acima de 10% ao ano há quase cinco anos.
Além disso, nessa meia década, a taxa básica esteve acima de 13% ao ano por três anos, entre junho de 2022 a agosto de 2023, e de janeiro de 2025 em diante. Tesouro IPCA+ reina nas carteiras Os fundos de pensão aplicam seus recursos majoritariamente em Tesouro IPCA+ , conhecido no mercado como NTN-B. Do total de dinheiro depositado na renda fixa, os títulos atrelados à inflação representam 90% do montante.
Leia também Economia A bomba-relógio da dívida pública. E como desarmá-la “Com os títulos públicos tendo pagado inflação mais 7,5% e até 8% ao ano nos últimos anos, basicamente cumprem a meta atuarial dos fundos, mas é importante a indústria também começar a olhar para acrescentar mais risco na carteira”, afirma o CEO da Itajubá, Carlos Garcia. O risco nas carteiras está nos níveis mais baixos históricos.
A avaliação, compartilhada por outros profissionais do mercado de capitais, é que há uma janela de oportunidade de migração de recursos para a renda variável, desde que, é claro, haja uma perspectiva mais duradoura e consistente de redução dos juros e do nível de risco do país. Esse cenário, por ora ainda incipiente, começou a ganhar força nas últimas semanas com a expectativa de um novo governo que seja mais efetivo nas medidas que podem abrir caminho para a queda dos juros. Enquanto isso não se materializa, quem pagou a conta da concentração nos investimentos da previdência privada fechada na renda fixa foi justamente a renda variável.
Menos de 5% em renda variável A pesquisa mostra que a parcela de recursos aplicados em renda variável caiu de 34% em 2013 para os atuais 4,7%. E mesmo nesse universo encolhido, as ações vêm perdendo espaço. Os ETFs, por exemplo, aumentaram a participação de 15% para 36%.
Mais uma vez, o raio-x da alocação dos fundos de pensão virou espelho da situação da bolsa nos últimos anos. Leia também Investimentos Taxas da previdência privada podem consumir quase metade da aposentadoria A fotografia atual do Ibovespa coloca o índice em patamares recordes, mas o filme desde 2021 é o de uma seca de ofertas iniciais de ações que perdura até o momento. São cinco anos sem IPOs.
E, na contramão, no mesmo período, 48 empresas saíram da bolsa. Fundos vão para fora em 2027 Apesar de “mergulhados” na renda fixa, fundos de pensão têm planos de aumentar a diversificação a partir de 2027. Mas quem pensa em ações brasileiras acertou apenas parte da resposta.
As entidades pretendem, em grande parte, elevar a alocação em ações e ativos no exterior nos próximos três anos. Conforme o levantamento, metade das entidades pretende aumentar a parcela internacional ao longo de um período de 12 meses, enquanto os demais 50% vão manter como está. Para os próximos três anos, o percentual de entidades que querem ter mais alocação fora do país sobe para 53%.
No caso das ações, 64% pretendem manter a alocação atual, enquanto apenas 26% pensam em elevar, e 8%, em reduzir. Em um horizonte de 36 meses, a parcela que quer aumentar vai para 36%. Porém, ao longo dos próximos três anos, mais fundos de pensão planejam reduzir as aplicações em renda variável: 10%.
“Diversificação e baixa correlação [ com os ciclos locais ] são os principais motivos das entidades para investir fora do país”, afima Garcia, da Itajubá. Além disso, quem imagina que o dinheiro vai todo para os Estados Unidos também se engana. Os mandatos globais, ou seja, os poderes conferidos aos gestores para alocar dinheiro no exterior em qualquer país, já representam 67%, ante 25% de estratégias voltadas ao mercado americano.
Para João Ferreira, diretor de Investimentos da Abrapp, a associação do setor, uma retomada mais expressiva dos investimentos em ativos de maior risco depende de uma mudança estrutural no cenário de juros. ” ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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