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    Money Times·22 de set., 15:11

    Fusão Afya-Yduqs: onde estão os riscos e as oportunidades para as empresas e concorrentes, segundo o BBA

    O Itaú BBA manteve a recomendação outperform (equivalente a compra ) para Afya ( AFYA ) e Yduqs ( YDUQ3 ) ao avaliar uma possível combinação entre as empresas. 500 vagas de medicina. A análise do BBA é de que os portifólios das empresas são complementares em nível nacional, mas a análise de concentração de mercado indica alguns pontos de atenção.

    Regulamentação pode ser o principal desafio Um dos pontos mais acompanhados pelo mercado em uma eventual fusão entre Afya e YDUQS é a análise do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Na avaliação do Itaú BBA, a expectativa é de que o regulador analise a concorrência por curso e por mercado local, seguindo precedentes já observados em operações do ensino superior. O relatório destaca que o Cade já demonstrou em operações anteriores que tende a avaliar segmentos específicos da educação separadamente, o que abre espaço para uma análise individual do mercado de Medicina.

    A vantagem para as companhias é que a sobreposição direta dos portifólios acontece em poucas cidades, embora a proximidade entre campi aumente quando se amplia o raio de influência. As maiores preocupações identificadas pelo banco aparecem em Teresina (PI), Ji-Paraná (RO), Grande Belém, Grande Salvador e, principalmente, na região metropolitana do Rio de Janeiro. O Grande Rio é o destaque, uma vez que a participação combinada chega a aproximadamente 50% das vagas privadas de Medicina dentro de um raio de 50 quilômetros.

    Para evitar tensões concorrenciais na análise regulatória, o BBA sugere que uma possibilidade seria a venda de escolas de Medicina ou vagas em áreas delimitadas, “ao invés de medidas mais amplas que afetassem a combinação a nível nacional”. Os analistas ressaltam, porém, que a avaliação regulatória dependeria da estrutura efetiva da operação e da análise da concorrência em cada mercado local. Potencial redução de despesas Além dos ganhos estratégicos, o estudo avalia o potencial de redução de despesas administrativas da Yduqs.

    Em um cenário hipotético, uma economia de 20% nas despesas gerais e administrativas poderia gerar aproximadamente R$ 338 milhões em economias após impostos. Esse benefício seria parcialmente compensado por cerca de R$ 80 milhões em custos tributários adicionais relacionados ao Pilar Dois – regras globais da OCDE para garantir uma tributação efetiva mínima de 15% sobre os lucros corporativos de grandes multinacionais. Isso poderia elevar o múltiplo de preço sobre lucro estimado da Yduqs para 2027 de aproximadamente 5 vezes para 6 vezes.

    “Mesmo considerando o possível aumento da carga tributária, estimamos que o múltiplo P/L (preço/lucro) da Yduqs em 2027 poderia cair para 3 a 4 vezes em um cenário com captura integral das sinergias, contra 4 a 5 vezes caso a empresa permaneça independente”, afirma o relatório. ” O que muda para o restante do setor Para os concorrentes, o surgimento de uma empresa com mais de 6,5 mil vagas de Medicina representaria uma mudança importante no equilíbrio competitivo do ensino superior brasileiro. O impacto mais imediato, de acordo com o BBA, seria o aumento da pressão competitiva.

    Como Medicina reúne as maiores margens, melhor geração de caixa e maior previsibilidade de demanda do setor, uma companhia com tamanho e abrangência nacional poderia ganhar mais poder de marca, capacidade de investimento e escala operacional. A consequência é que grupos como Ânima ( ANIM3 ), Cruzeiro do Sul ( CSED3 ) , Cogna ( COGN3 ) e Ser Educacional ( SEER3 ) poderiam enfrentar um concorrente ainda mais forte na disputa por alunos, expansão de vagas e futuras aquisições de ativos médicos. Por outro lado, o relatório ressalta que eventuais exigências do Cade podem gerar oportunidades justamente para esses concorrentes.

    Caso seja necessário vender escolas médicas para viabilizar a fusão, empresas com balanços mais preparados para aquisições poderiam se beneficiar. O banco cita especialmente Cogna e Cruzeiro do Sul como potenciais compradoras naturais desses ativos. Já a Ânima, segundo a análise, continua concentrada na integração da FMU, enquanto a Ser Educacional tem adotado uma estratégia mais voltada ao crescimento orgânico nos últimos anos.

    Isso pode reduzir a disposição desses grupos para participarem de um eventual processo de consolidação decorrente dos remédios regulatórios. O preço-alvo para Yduqs ao final de 2027 é de R$ 16 , um potencial de valorização de 50,9% . Já para Afya , o preço-alvo ficou definido em US$ 18 , com potencial de valorização de 32,4%.

    * Com supervisão de Maria Carolina Abe ]]>

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