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    Gabriel Wilhelms: ‘A falsa equivalência entre Flávio e Lula’
    Revista Oeste·24 de out., 14:00

    Gabriel Wilhelms: ‘A falsa equivalência entre Flávio e Lula’

    Gabriel Wilhelms Não sou indiferente aos defeitos de Flávio Bolsonaro , que são muitos. Quando ocorreu a divulgação de um áudio do senador cobrando de Vorcaro dinheiro, teoricamente destinado à cinebiografia de seu pai, defendi nesse espaço que sua candidatura era um erro . Lembrei em diversas ocasiões, e seguirei lembrando, que tivemos a oportunidade de enfrentar os abusos do STF em tempo hábil e cortar o mal pela raiz, mas isso foi frustrado quando a família Bolsonaro articulou o soterramento da CPI da Lava Toga para livrar Flávio de uma investigação por rachadinhas no supremo .

    Tampouco me faço de sonso diante de notícias recentes que demonstram a relação de Flávio com indivíduos possivelmente implicados na fraude do INSS. Por fim, como historicamente crítico do bolsonarismo, não vejo de forma idílica o retorno de um Bolsonaro à presidência. Diante destes e outros tantos defeitos, tanto da pessoa de Flávio quanto de propostas por ele defendidas, é para muitos tentador enxergar uma equivalência entre sua eleição e a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva , crendo que o país sofrerá igualmente tanto com um quanto com outro na presidência.

    Falo com a propriedade de alguém que já elencou diversas similariedades entre o bolsonarismo e o petismo : essa noção de equivalência entre Flávio e Lula é completamente equivocada, posto que ignora um contexto completamente diferente das outras eleições presidenciais. v=NWE39hF3ric Podemos debater os vícios das duas opções que temos diante de nós, mas nos concentrarmos somente nisso, como se esta fosse uma eleição convencional, como se as instituições estivessem operando normalmente e nos competisse somente escolher entre propostas que melhor aprovamos, com a devida vênia, é coisa de gente que estava dormindo nos últimos anos ou que só se lembra que existe política a cada quatro anos. É patético que parte do eleitorado compre a baboseira de que, se eleito, Flávio implantará uma ditadura, como se o que tivéssemos atualmente fosse uma democracia funcional e não um regime juristocrático.

    Falam de um hipotético arbítrio, sem dar nenhuma atenção ao arbítrio que grassa pelo país, de forma mais comedida já a partir de 2019, mas de forma escancarada no período coincidente com o Governo Lula 3. Escondem-se embaixo da cama temendo fantasmas sem pensar em exorcizar os demônios que aí estão. v=36rzEveFPr0 Como ignorar os abusos da suprema corte já não é mais possível, sobretudo após a eleição de uma bancada de direita forte o suficiente para enfrentá-los (assim esperamos), muitos, para sustentar uma equivalência ou mesmo superioriedade de Lula sobre Flávio, tentam isentar aquele de ingerência nos abusos, relegando tudo ao STF.

    Já demonstrei que isso é uma falácia e que Lula age sintonizado com ao menos parte da corte , mas elenco agora mais alguns fatos que reforçam tanto a relação de Lula como sócio beneficiário do consórcio, bem como fatos que atestam o papel ativo de seu governo na censura e no abuso de autoridade. O governo Lula perseguiu críticos durante as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024, incluindo afetados pela mesma . O governo Lula ativou a máquina da censura diante de críticas pela alta do dólar no final de 2024 .

    Prestes a assumir a presidência do STF, Barroso declarou que haviam (ele e seus pares) derrotado o bolsonarismo, confessando uma atuação da corte em prol da eleição de Lula em 2022 . O governo Lula usou atentados em escolas para, de forma vil, manipular o medo das pessoas, atacar opositores e defender censura . O governo Lula buscou inspiração na ditadura chinesa e até mesmo pediu “conselhos” a Xi Jinping para censurar as redes no Brasil .

    Lula caracterizou a censura como remédio contra a desinformação, mas não hesitou em corroborar uma grotesca mentira contra seu principal adversário ainda às vésperas do primeiro turno, contando com o apoio de seu eterno ministro da Justiça, Flávio Dino, que, em benefício de Lula, resolveu suspender, por ora, o argumento de que fake news é crime . v=9L3rFJ3IFxM Indivíduos como Flávio Dino e Gilmar Mendes atuaram descarada e desavergonhadamente para beneficiar Lula durante o primeiro turno. Claramente se mancomunaram com o governo para que ações de seu interesse fossem protocoladas em processos antigos de sua relatoria, ainda que sem qualquer conexão com as novas ações.

    Foi assim que, além de autorizar a disseminação de uma fake news contra Flávio Bolsonaro, Dino se tornou relator de uma ação esdrúxula do PT que aponta uma fantasmagórica interferência estrangeira nas eleições brasileiras. Já Mendes validou o pornográfico reajuste do Bolsa Família em 15% às vésperas do primeiro turno. O governo Lula transformou a Polícia Federal (ao menos parte dela) em uma guarda pretoriana com o propósito de censurar seus críticos, dentro e fora das redes.

    Alguns fatos ilustram isso : A presença de uma viatura da PF com um delegado e um escrivão acompanhando as viagens presidenciais com o fim de coibir manifestantes críticos a Lula no ato . O episódio no qual o agente da PF Rolff Keven Santos Ferreira tentou desinflar o Pixuleco — adereço típico de manifestações críticas ao PT há anos — antes da passagem de Lula por Natal . Em abril deste ano, a Polícia Federal foi até a residência de um morador de Presidente Prudente (SP) e o coagiu (chamemos a coisa pelo nome) a retirar uma faixa posicionada na janela de seu apartamento com a inscrição “Ladrão ”.

    v=sSrItxg7_qE Se você pensa que o episódio da faixa é o mais ridículo a que podem chegar, em agosto de 2025, durante as preparativas para um evento com Lula, em Porto Velho (RO), a equipe de segurança identificou uma rede de wi fi móvel chamada “Lula Ladrão”. O proprietário foi ‘convidado” a se retirar e a PF abriu um inquérito . Levantamento da Folha feito no início deste ano, dá conta de que ao menos 57 inquéritos por “crimes contra a honra de Lula” foram abertos até aquela data, englobando até mesmo pessoas que gritaram “Lula ladrão” na rua, uma mulher que segurou cartazes com críticas a Lula e a Moraes perto da casa do presidente em São Paulo e memes em redes sociais .

    Pode-se argumentar, com razão, que o governo de Jair Bolsonaro também protagonizou episódios de censura, alguns tão pitorescos quanto — quem lembra da censura ao outdoor dizendo que Bolsonaro “não vale um pequi roído”? —, devidamente documentados e criticados por este escriba. Há, contudo, uma diferença nada trivial.

    Contra os abusos de Bolsonaro, havia a via judicial que invariavelmente culminava por fulminar as pretensões censórias. Vale recordar que também houve, naquela ocasião, um contrapeso do Legislativo, que sabiamente extinguiu a então vigente Lei de Segurança Nacional que Bolsonaro vinha usando por intermédio de seus ministros da Justiça (primeiro Moro, depois Mendonça) para perseguir críticos. Já contra os abusos de Lula, não há via judicial à qual recorrer, já que a suprema corte não só é sócia-administradora do empreendimento censório, mas comete abusos ainda maiores.

    Estes são os fatos: o Executivo, na mão de Jair Bolsonaro, ficou isolado e teve os arroubos autoritários frustrados. O Executivo, na mão de Lula, se alinhou com o STF e os arroubos autoritários se tornaram rotina. Demonstra-se assim que não há equivalência entre Flávio, malgrados seus múltiplos defeitos, e a continuidade do governo Lula.

    A reeleição de Lula representaria uma possibilidade de sobrevida à juristocracia então vigente: mesmo um Senado turbinado pela direita poderia não ser forte o suficiente para fazer frente à continuidade da dobradinha Lula/STF. Não só isso: Lula teria a oportunidade de nomear ao menos mais quatro Dinos para servirem de acólitos de Moraes, que, se não for despejado da corte via impeachment , assumirá a presidência do STF em setembro. Nada é mais urgente hoje do que impedir que isso aconteça.

    Pode ser que tanto Flávio quanto Lula lhe pareçam detestáveis, mas só um deles é sócio e beneficiário de um consórcio autoritário que efetivamente perseguiu opositores, censurou ostensivamente e condenou centenas de cidadãos em julgamentos de exceção.    O post Gabriel Wilhelms: ‘A falsa equivalência entre Flávio e Lula’ apareceu primeiro em Revista Oeste . ]]>

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