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    Poder360·02 de nov., 18:06

    Gabrielli defende “ajuste progressivo” sem “austeridade”

    O coordenador do programa de governo da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), José Sérgio Gabrielli , defendeu que o governo federal busque a redução da taxa de juros por meio de um “ajuste progressivo” dos gastos e das receitas, sem “austeridade contra o próprio eleitor”. 2026), em um contexto de apreensão do mercado sobre como será a política fiscal do próximo governo Lula. Eis a íntegra (PDF – 469 kB).

    O texto, com o título “Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027”, sustenta que não há correlação forte nas últimas décadas “entre resultado primário e a curva da taxa de juros na economia brasileira” e que aumentar o superavit primário, em si, não seria o caminho adequado para reduzir os juros. Ele também afirma que, depois da reeleição de Lula, “aparentemente não há mais a onipresença do pensamento único”. Gabrielli foi presidente da Petrobras de 2005 a 2012.

    Dívida em alta Há preocupação no mercado financeiro com a trajetória de alta na dívida pública brasileira, que atingiu em setembro 82,9% do PIB. Desde o início do 3º mandato de Lula, o indicador avançou 11,2 pontos percentuais. No final de agosto, Gabrielli afirmou que dizer que o Brasil vive uma crise fiscal seria “fake news”.

    nov), ele afirma não ver “motivo para pânico” . Argumenta que a dívida líquida, que considera os ativos financeiros do setor público, está em 69,3% do PIB, e que o fato de 90% da dívida estar em moeda nacional e de o país ter “enormes” reservas cambiais não justificariam temores de risco de insolvência. Menção a Lara Resende Gabrielli sustenta que a alta taxa de juros é a “principal responsável” pelo crescimento da dívida pública e defende ser necessário dar “atenção especial” a uma proposta heterodoxa feita pelo economista André Lara Resende, que participou da elaboração do Plano Real, para criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional que definiria metas conjuntas de política fiscal e monetária para 4 a 5 anos.

    Lara Resende propôs reduzir a Selic ao longo de aproximadamente 12 meses, inicialmente para cerca de 7,5% ao ano, e depois manter a taxa numa faixa de 3% a 5,5% ao ano, entre a meta de inflação e o crescimento nominal potencial da economia. Isso exigiria uma reformulação na forma como Banco Central define a taxa Selic, hoje não sujeita a uma faixa. A proposta lembra o que foi tentado na Turquia em 2021, sem sucesso.

    nov) o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não discute adotar um tabelamento dos juros. Inflação e juros O Brasil tem hoje uma das maiores taxas de juros do mundo, o que encarece financiamentos e aumenta o endividamento de pessoas e empresas, assim como a própria dívida pública. O Banco Central mantém a taxa de juros alta para combater a inflação.

    A pressão sobre os preços é provocada por fatores externos, como a alta do petróleo, e internos, como problemas de oferta e alta dos gastos públicos. Gabrielli afirma que “a experiência traumática da inflação elevada” no Brasil consolidou uma arquitetura macroeconômica “profundamente avessa ao risco inflacionário” e que pressões de preços, mesmo que provocadas por choques temporários ou de oferta, levariam a “respostas automáticas” da política econômica. Ele afirma que, no momento, os maiores vetores de alta de preços são fatores externos, como a guerra dos EUA contra o Irã, e que não haveria indícios de que “fatores de excesso de demanda sejam relevantes” no quadro atual do país.

    Ao comentar a queda abrupta da Bolsa após a vitória de Lula, Gabrielli afirma que isso ocorreu porque o mercado financeiro não esperava a reeleição do presidente e apostava no sucesso do senador Flávio Bolsonaro (PL). “Mas a reação também se deveu a ausências. Não havia no discurso promessas de ajuste fiscal.

    Os portfólios financeiros precisavam ser reorganizados. A Faria Lima quer pautar o programa do presidente eleito, mesmo tendo apostado no seu adversário” , diz o texto. Políticas sociais Gabrielli defende que eventuais redução nas despesas devem ser feitas sem reduzir o salário mínimo real, restringir o acesso ao BPC ou ao Bolsa Família e diminuir os pisos constitucionais de saúde e educação.

    Ele defende ainda que o governo priorize a “revisão de privilégios” e a qualidade dos gastos público. Entre as medidas citadas estão a revisão de benefícios tributários considerados ineficientes, a análise de contratos públicos e a recuperação de créditos tributários de grandes contribuintes. ]]>

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