Gonet nega vínculo com Vorcaro em defesa no Conselho do MPF
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou não ter relação de amizade ou interesse pessoal em processos envolvendo Daniel Vorcaro e defendeu sua permanência na condução de casos relacionados ao Banco Master. Em documento de 30 páginas distribuído internamente no Ministério Público Federal (MPF), Gonet também rebateu questionamentos sobre mensagens do ex-banqueiro e pediu que seja afastada a hipótese de suspeição ou impedimento. + Entenda mais sobre Política em Oeste A manifestação foi apresentada antes da sessão do Conselho Superior do MPF marcada para 25 de setembro.
O procedimento foi aberto a partir de representação de parlamentares do Partido Novo, que questionaram a possibilidade de Gonet atuar nos casos relacionados a Vorcaro. O relator é o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, em sessão do Conselho Superior do MPF, em 05/11/2024 | Foto: Antonio Augusto/MPF No documento, Gonet classificou as imputações contra ele como “descabidas e estapafúrdias”.
Também citou declaração do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afirmou não ter identificado atuação irregular do PGR ao analisar as mensagens que mencionam seu nome. Gonet contesta interpretação de mensagens Sobre Vorcaro, Gonet foi direto ao negar proximidade. “Não tenho com o Sr.
Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado”, escreveu. O chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) também afirmou que não recebeu nenhum pedido de interferência nas investigações. Segundo ele, as anotações encontradas em materiais apreendidos com Vorcaro mostram que eventuais expectativas do ex-banqueiro não se concretizaram.
Reprodução de vídeo de Daniel Vorcaro prestando depoimento à Polícia Federal | Foto: Reprodução/ Uol “Não recebi interferência nenhuma para obstar investigações”, afirmou Gonet. Ele acrescentou que sua atuação teria sido no sentido de garantir “todo o suporte institucional e material” para que os procuradores responsáveis conduzissem as apurações. A defesa também rebate a interpretação de mensagens em que aparece o nome “Paulo”.
Gonet sustentou que, mesmo se consideradas verdadeiras as anotações de Vorcaro, elas não demonstrariam que o PGR recebeu informações sigilosas ou interferiu nas investigações. Duas propostas de delação foram recusadas Gonet afirmou ainda que a PGR recebeu propostas de colaboração premiada apresentadas por Vorcaro. Segundo ele, foram estabelecidos critérios prévios para avaliar os acordos, entre eles a assunção de responsabilidade criminal, a apresentação de fatos novos e a existência de elementos sérios de corroboração.
Fachada do prédio do Banco Master, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo | Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo. O procurador-geral disse que também ficou definido que o MPF não indicaria alvos para serem delatados nem excluiria possíveis investigados. Os colaboradores deveriam, ainda, revelar os fatos criminosos conhecidos e contribuir para a recuperação de ativos.
“Foi com base em tais premissas, informadas aos interessados, que a Procuradoria-Geral da República, fundamentadamente, recusou duas propostas de colaboração premiada envolvendo o Sr. Daniel Vorcaro e firmou outras duas”, escreveu. Segundo Gonet, os dois acordos firmados foram encaminhados ao STF para homologação.
Encontro em Londres Outro ponto da defesa trata do encontro entre Gonet e Vorcaro em Londres, em abril de 2024. O PGR afirmou que aquela foi a única ocasião em que esteve presencialmente com o ex-banqueiro. Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes e outros membros do STF tomaram uísque escocês da marca Macallan, no refinado George Club, em Londres.
Tudo pago por Vorcaro | Foto: Reprodução/X O encontro ocorreu durante evento organizado pelo Grupo Voto e pela revista eletrônica Consultor Jurídico. Gonet participou de um painel sobre “O papel do Judiciário para a estabilidade democrática”, enquanto o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair também esteve entre os convidados. “Até aquele momento, o Sr.
Daniel Vorcaro me era pessoa desconhecida”, afirmou Gonet. Segundo ele, não havia, naquela ocasião, conhecimento público sobre supostas atividades ilícitas envolvendo o Banco Master ou seu dirigente. O procurador-geral disse ainda que não sabia previamente quem eram os patrocinadores do evento.
Segundo ele, o organizador Marcio Chaer posteriormente encaminhou uma manifestação escrita confirmando que Gonet não havia sido informado sobre os patrocinadores. O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, durante participação de evento no Brasil | Foto: Reprodução/XP Expert PGR diz que não tinha contato direto com Vorcaro A defesa também menciona um relatório da Polícia Federal (PF) segundo o qual Gonet não aparecia na lista de contatos telefônicos de Vorcaro. O PGR afirmou que também não há registros de ligações feitas pelo ex-banqueiro para seu número.
“Não há registro algum de ligação efetuada por ele para o meu número de telefone – nem poderia haver mesmo, porque isso nunca aconteceu”, escreveu. Gonet reconheceu, contudo, uma segunda interação com Vorcaro, além do encontro em Londres. Em 15 de março de 2025, segundo o relato, o advogado e empresário Ciro Soares telefonou para Vorcaro e passou o aparelho ao PGR para uma breve saudação.
De acordo com Gonet, Ciro havia mencionado que o Banco Master estava prestes a concluir uma transação para adquirir o BRB. “Até por gentileza, dei os parabéns”, afirmou. Ele ressaltou que não tinha, naquele momento, conhecimento de qualquer notícia sobre atividades ilícitas relacionadas ao banco.
O BRB teve um rombo bilionário por causa de operações irregulares ligadas ao Banco Master | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons O PGR também explicou mensagens que teriam sido encaminhadas por Ciro a Vorcaro. Segundo Gonet, expressões como “já estou com saudade de você” e “você é uma máquina” eram dirigidas a Ciro, e não ao ex-banqueiro. “Não sou responsável pelo que terceiros dizem entre si”, afirmou.
Gonet negou ainda que seu filho tenha tido contato com Vorcaro ou participado de evento em Londres relacionado ao ex-banqueiro. Segundo o PGR, o filho não chegou a ser convidado para o evento de 2025, que acabou não ocorrendo, e nunca esteve em Londres com Vorcaro. “Tenho também por demonstrado que minha participação no evento jurídico organizado pelo Grupo Voto, no ano de 2024, em Londres, não acarretou nem acarreta nenhum impacto na minha atuação como Procurador-Geral da República”, escreveu.
A sessão do Conselho Superior do MPF está marcada para 25 de setembro. O órgão deverá avaliar se as referências a Gonet nas mensagens recuperadas pela PF comprometem sua imparcialidade para atuar nos procedimentos relacionados ao caso Master. O post Gonet nega vínculo com Vorcaro em defesa no Conselho do MPF apareceu primeiro em Revista Oeste .
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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