Governo de esquerda favorece super-ricos e prejudica os mais pobres, diz Tallis Gomes
A vitória da esquerda em uma eleição pouco altera a vida de quem já acumulou grande patrimônio, mas pode ter consequências muito maiores para os brasileiros de baixa renda. A avaliação é do empresário Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi e presidente do G4, que discutiu o cenário político e econômico do país durante o G4 Valley 2026, realizado em São Paulo de 29 a 31 de outubro. "Para os super-ricos, que é o meu caso, um governo de esquerda é ainda melhor", relatou o empresário em entrevista a Oeste .
"Porque é um Brasil de terra arrasada, juros altos, ou seja, não preciso tomar muito risco para enriquecer mais. Movo o meu capital para o rentismo, característica de um governo de esquerda. Muita gente vai piorar, vou comprar empresas com problemas de caixa.
" Na visão do empresário, porém, as decisões que afetam o emprego, a inflação, o crédito e o crescimento econômico têm impacto imediato sobre o padrão de vida de quem está na base da pirâmide social. O empresário fez a reflexão menos de uma semana depois da eleição presidencial, durante um encontro que reuniu milhares de participantes no São Paulo Expo, no último fim de semana. Segundo os organizadores, o evento recebeu pelo menos 25 mil empresários e teve como slogan nesta edição “Onde os heróis do Brasil se encontram”.
Ao longo do encontro, Tallis disse que empreendedores têm papel central na geração de emprego e renda e precisam continuar produzindo mesmo diante de um ambiente que hostil aos negócios. Tallis Gomes reforça que empreendedor vai vencer "apesar deles" Antes de Tallis subir ao palco, o público assistiu a um vídeo que destacou o esforço dos empresários brasileiros e transmitiu a mensagem de que o empreendedor seguiria em frente “apesar deles”, em referência ao governo petista. Ao iniciar a apresentação, Tallis reforçou a mensagem do vídeo.
O presidente do G4 afirmou que empresários e trabalhadores são os responsáveis por “verdadeiramente” construir o país e sustentou que o setor produtivo enfrenta, historicamente, mais obstáculos do que apoio do poder público. "É um prazer estar ao lado de homens e mulheres que verdadeiramente constroem o Brasil", disse Tallis. "Nunca contamos com eles e eles nunca nos ajudaram, só nos atrapalharam.
" Na sequência, o empresário criticou a carga tributária brasileira e avaliou que o país cobra impostos elevados sem entregar serviços públicos de qualidade equivalente. Tallis também ressaltou que as dificuldades não se restringem a um único governo. Durante a apresentação, citou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem considera um bom presidente, mas lembrou que o país enfrentou uma crise de grandes proporções durante a pandemia de covid-19.
business) Para sustentar a ideia de que empresas podem crescer mesmo em ambientes adversos, Tallis mencionou casos como Localiza, Ambev e BTG Pactual, companhias que atravessaram períodos de crise e conseguiram expandir os negócios. Ele também citou o próprio G4, que reformulou o modelo durante a pandemia e ampliou a atuação em tecnologia. A mensagem aos empresários foi a de que, independentemente das mudanças no cenário político, é preciso continuar a adaptar estratégias, investir e desenvolver negócios.
Segundo um dos fundadores do G4, enfrentar obstáculos faz parte da trajetória de quem empreende no Brasil. Empresários veem cenário desfavorável As preocupações manifestadas durante o evento também apareceram em uma pesquisa do G4 com 800 fundadores e sócios de pequenas e médias empresas. Realizado em outubro, o levantamento revelou que 75% dos entrevistados consideravam o ambiente de negócios no Brasil desfavorável ou muito desfavorável.
Os entrevistados apontaram os juros elevados, o custo do crédito, a dificuldade para contratar profissionais e a carga tributária entre as principais preocupações. A burocracia também se destacou: 73% dos participantes classificaram o impacto das exigências burocráticas como alto ou insuportável. Leia mais: "Flávio Bolsonaro participa de culto nos EUA" A reforma tributária também gerava insegurança entre os empresários.
A maioria dos entrevistados manifestou preocupação ou dúvidas sobre as mudanças, enquanto mais da metade previa aumento dos custos operacionais. Parte dos empresários pretendia contratar mais funcionários ou manter o quadro atual, enquanto outros planejavam ampliar o uso de tecnologia para reduzir custos e aumentar a produtividade. “Adoraria ver pessoas migrando das classes C e D para a classe B”, acrescentou Tallis.
“Mas, infelizmente, não verei isso. Não acho que o governo vá arriscar sua popularidade para fazer o que deve ser feito. ” Sobre as eleições, Tallis afirmou que não questiona o resultado das urnas e que pretende concentrar seus esforços nas pessoas que podem ajudá-lo a crescer.
O empresário acrescentou, contudo, que um governo capaz de criar um ambiente de negócios favorável à atração de investimentos poderia proporcionar “maior crescimento”. “É só ver o que aconteceu quando Flávio Bolsonaro venceu no primeiro turno”, explicou Tallis. “A Bolsa de Valores atingiu um recorde histórico, e o dólar caiu para menos de R$ 5.
” Leia também: "Pequenas empresas não estão prontas para reforma tributária, diz Fenacon" No mesmo discurso, Tallis reconheceu a trajetória eleitoral de Lula, a quem chamou de “vencedor” por estar no quarto mandato. “Se ele for um líder competente, vai pacificar o país e liderar para a esquerda e a direita”, acrescentou. Para a CEO da G4, empresários já fizeram seu papel nas urnas A CEO do G4, Misa Antonini, afirmou que os empresários devem concentrar esforços naquilo que podem controlar.
“Não há nada que o empresário não tenha vivido em crises”, comentou. “O que podíamos fazer era votar e cumprir nosso papel. ” Segundo Misa, os empresários precisam priorizar a gestão dos negócios, a adoção de processos e tecnologias e a cultura organizacional.
“A mensagem é que assumam as rédeas de seus negócios”, concluiu. antonini) Para Misa, o G4 Valley proporcionou aos participantes uma oportunidade de aprendizado e contato com referências do empreendedorismo, com o objetivo de aplicar os conhecimentos adquiridos aos próprios negócios. “A nossa maior característica é a resiliência”, afirmou.
“Arregacem as mangas e façam aquilo que está dentro do controle de vocês. ” Tallis encerrou a participação com uma mensagem aos empresários: em vez de esperar por mudanças políticas, devem concentrar esforços na construção de negócios capazes de enfrentar os desafios de qualquer governo. O G4 reforçou essa mensagem durante o Valley ao destacar a importância de controlar o caixa, profissionalizar a gestão, aumentar a produtividade, investir em tecnologia e desenvolver lideranças.
Na avaliação de Tallis, os efeitos dessas decisões vão além dos empresários e alcançam outros setores da sociedade. + Leia mais notícias do Brasil em Oeste Durante três dias, o evento reuniu executivos, fundadores de empresas e especialistas em gestão, tecnologia, inteligência artificial, vendas e liderança. Entre os convidados estavam Steve Wozniak, cofundador da Apple; Alê Costa, fundador da Cacau Show; Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual; além dos fundadores do G4, Tallis Gomes, Alfredo Soares e Bruno Nardon.
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