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    InvestNews·21 de set., 18:01

    GPA rebate Casas Bahia e diz que demora para homologar recuperação extrajudicial pode afetar o caixa

    O GPA , dono do Pão de Açúcar e do Extra, pediu à Justiça a homologação imediata de seu plano de recuperação extrajudicial e afirmou que a Casas Bahia e os demais credores que contestam a proposta não apresentaram provas concretas de que dívidas tenham sido omitidas para manipular o quórum de aprovação. A manifestação, que alertou ainda para o risco de liquidez da empresa caso a homologação da recuperação extrajuidicial demore mais, foi protocolada nesta segunda-feira (21) no processo que tramita na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O documento é uma resposta à decisão que determinou que os credores apontassem, de forma individualizada e com documentos, eventuais créditos excluídos indevidamente da lista usada no cálculo do plano.

    Segundo o GPA, cinco dos seis grupos de credores que impugnaram a proposta se manifestaram nessa etapa, mas, juntos, representam apenas 7,85% dos créditos sujeitos ao plano. A companhia afirma que nenhum deles conseguiu identificar um crédito específico que tenha sido omitido. Leia também Negócios A ‘reestruturação da reestruturação’: por que a nova crise da Casas Bahia é mais do que um caso isolado Negócios Raízen destrava maior recuperação extrajudicial do país com adesão de 75% dos credores A Casas Bahia havia questionado a falta de detalhamento sobre determinadas rubricas contábeis e colocado em dúvida a validade do quórum de 57,49% que aprovou o plano.

    Entre os pontos levantados estavam a exclusão de cerca de R$ 392 milhões em “outros passivos” e de valores relacionados a contingências judiciais. O GPA afirma que os R$ 392,9 milhões questionados são compostos por dois blocos. Cerca de R$ 342 milhões corresponderiam a obrigações que não poderiam ser incluídas na recuperação extrajudicial ou que não se enquadrariam no critério definido no plano.

    A lista inclui, de acordo com o GPA, tributos parcelados, verbas trabalhistas e rescisórias, IPTU, assistência médica a funcionários e contratos correntes de tecnologia, auditoria, manutenção, fretes, segurança e limpeza. Outros aproximadamente R$ 51 milhões seriam provisões contábeis para o fechamento de lojas. De acordo com a companhia, não se trata de dívidas líquidas com credores identificados, mas de estimativas para futuras despesas de desmobilização.

    Ainda segundo o GPA, mesmo que todo o valor de R$ 392,9 milhões fosse incluído na base de cálculo, o quórum cairia de 57,49% para 52,94% — ainda acima da maioria exigida pela Lei de Recuperação e Falências. Sobre as contingências judiciais, a companhia afirma que uma provisão contábil não representa confissão de dívida nem significa que exista um crédito líquido, certo e exigível. O GPA diz que os valores são calculados a partir da avaliação de risco feita por advogados internos e externos e podem envolver processos cujo resultado ou valor ainda não esteja definido.

    Risco sacado e conflito com Itaú Os titulares de CRIs também questionaram operações de risco sacado , financiamento para aquisição de ativos e provisões cíveis e regulatórias. O GPA afirma que o risco sacado tem natureza operacional: os fornecedores decidem, por conta própria, antecipar seus recebíveis com instituições financeiras, sem alteração dos prazos ou valores originalmente negociados com a varejista. A companhia também diz que o saldo dessas operações caiu de R$ 382 milhões em dezembro de 2025 para R$ 20 milhões em março deste ano.

    Segundo o GPA, o prazo médio de vencimento era de 52 dias, o que reforçaria o caráter rotativo e de curto prazo da operação. A empresa voltou a rejeitar ainda as acusações de conflito de interesses e abuso de voto envolvendo o Itaú. Para o GPA, a existência de relações comerciais entre uma companhia em recuperação e instituições financeiras não é suficiente para impedir o voto dos bancos.

    A varejista afirma que a venda de ações da FIC ao Itaú já foi analisada pelo Ministério Público, pela Justiça de primeira instância e pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, sem que fossem identificados indícios concretos de ilegalidade. Pequenos investidores O GPA também apresentou novos dados para rebater a tese de que pequenos investidores não teriam conseguido acessar a opção mais vantajosa do plano. A Opção A, que prevê aporte de novos recursos, foi escolhida por 88,40% dos créditos sujeitos, enquanto a Opção B ficou com 8,34%, e a Opção C, com 3,26%.

    500 investidores individuais escolheram a Opção A. O GPA afirma que a demora na homologação pode comprometer sua liquidez. Caso o plano seja homologado apenas parcialmente, cerca de R$ 382,5 milhões em créditos excluídos poderiam ser cobrados imediatamente, além de haver redução nos prazos de fornecedores e aumento no custo de garantias.

    A companhia também citou manifestação do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que pediu prioridade para a homologação e afirmou que a indefinição afeta cerca de 35 mil trabalhadores diretos do Grupo Pão de Açúcar. A decisão ainda cabe à juíza responsável pelo caso. ]]>

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