Groenlândia sob controle dos EUA? Entenda o acordo com a Dinamarca
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na sexta-feira (18) que Washington chegou a um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia para garantir aos americanos “controle permanente” sobre a segurança da ilha, território autônomo dinamarquês. Segundo o republicano, o entendimento também impede que adversários dos EUA mantenham presença militar ou façam investimentos considerados sensíveis na região sem autorização americana. De acordo com o governo dinamarquês, o acordo deve ser assinado na próxima semana, durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), e tem como objetivo reforçar a segurança no Ártigo e no Atlântico Norte.
Leia mais Trump anuncia acordo para que EUA controlem segurança da Groenlândia Interesse dos Estados Unidos na Groenlândia vem desde 1867 EUA já tentaram comprar a Groenlândia antes: Entenda Apesar das declarações de Trump sobre controle permanente , o governo da Dinamarca afirma que o entendimento reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino, além do direito dos groenlandeses à autodeterminação. O primeiro-ministro da Groenlândia , Jens-Frederik Nielsen, também afirmou que o acordo reconhece os interesses da ilha. O que Trump diz que os EUA conseguiram?
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que o acordo concede aos Estados Unidos controle permanente sobre a segurança e outras necessidades da Groenlândia. “Os Estados Unidos da América firmaram um Acordo com o Reino da Dinamarca e a Groenlândia, que concede aos Estados Unidos o controle permanente sobre a segurança e todas as demais necessidades na Groenlândia, atendendo completamente a TODAS as nossas inúmeras preocupações. ”, escreveu Trump na rede social Truth Social, descrevendo o tratado como um “Acordo de ‘Vida Infinita'”.
Segundo o presidente americano, o acordo não tem prazo de validade. Ele também afirmou que os EUA terão capacidade permanente de agir na ilha para garantir a segurança da Groenlândia e dos próprios Estados Unidos. “Sob minha orientação, trabalhamos com representantes da Dinamarca e da Groenlândia para garantir que os Estados Unidos tenham PARA SEMPRE a capacidade total de fazer o que for necessário na Groenlândia para assegurar e defender a segurança da Groenlândia e dos Estados Unidos da América”, escreveu Trump.
O republicano também afirmou que nenhum adversário dos Estados Unidos poderá manter presença militar ou realizar determinados investimentos na ilha sem autorização de Washington. “Além disso, de agora em diante, nenhum adversário dos EUA poderá JAMAIS ter uma base na Groenlândia, manter presença militar na Groenlândia ou realizar investimentos sensíveis na Groenlândia sem a nossa aprovação expressa por escrito”, afirmou. Trump disse ainda que os Estados Unidos começariam imediatamente a estabelecer uma “grande presença militar” na Groenlândia e trabalhariam com a população local no desenvolvimento e na construção dessa estrutura.
O que diz a Dinamarca? O gabinete da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, informou que Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia esperam assinar o acordo na próxima semana. Segundo o governo dinamarquês, o entendimento tem como objetivo o “reforço da segurança no Ártico e na região do Atlântico Norte”.
“Estou satisfeita por estarmos prestes a firmar um grande acordo para a Groenlândia, o Reino da Dinamarca e os Estados Unidos”, disse Frederiksen, acrescentando que o acordo seria “excelente também para a Otan e para a Europa”. A primeira-ministra também afirmou que o entendimento “reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo groenlandês à autodeterminação”. O que diz a Groenlândia?
O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que o acordo reconhece os interesses da ilha e seu papel na cooperação internacional. “O acordo reconhece os interesses da Groenlândia e o nosso lugar na cooperação internacional”, disse Nielsen. “É algo que beneficia a todos nós”, acrescentou.
O que os EUA poderão fazer na Groenlândia? Uma autoridade dos EUA afirmou que o acordo inclui “acesso permanente, direitos de instalação de bases e direitos de sobrevoo” para os EUA na ilha. O acordo impede que países que não pertencem à Otan, incluindo China e Rússia, estabeleçam bases ou enviem tropas para a Groenlândia, disse a autoridade, acrescentando que ele garante a existência de “mecanismos necessários para impedir investimentos em setores sensíveis”.
A Rússia vem expandindo sua presença militar no Ártico há décadas, e a China também tem intensificado sua atuação na região. O secretário de Estado Marco Rubio declarou que o acordo “aborda de forma permanente e completa nossas preocupações de segurança nacional na Groenlândia”. Interesse dos EUA na ilha No início deste ano, Trump insistiu repetidamente na importância de os Estados Unidos adquirirem a Groenlândia por motivos de segurança nacional, mas as discussões sobre o assunto haviam praticamente desaparecido do debate público nos últimos meses.
As declarações recorrentes de Trump sobre a aquisição da Groenlândia desencadearam uma crise diplomática na Otan e uma corrida para tentar contornar a situação. Em janeiro, após uma reunião entre autoridades dinamarquesas e groenlandesas e o vice-presidente americano JD Vance e Rubio, os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia formaram um “grupo de trabalho de alto nível para explorar se podemos encontrar um caminho comum a seguir” em meio às disputas em curso sobre a soberania da ilha, nas palavras do ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen. Mais tarde naquele mês, no Fórum Econômico Mundial na Suíça, Trump afirmou ter garantido a “estrutura de um futuro acordo” sobre a Groenlândia.
Essa estrutura, assim como o acordo descrito na sexta-feira, apresenta fortes semelhanças com um pacto existente de 1951 entre os EUA e a Dinamarca, que permitia uma ampla presença militar americana na Groenlândia. A autoridade americana observou que, “sob o status quo anterior, qualquer país, inclusive adversários, poderia receber permissão para construir uma base militar na Groenlândia ou enviar tropas para lá”. “Em contrapartida, nos termos deste acordo, nenhum país que não pertença à Otan pode construir uma base na Groenlândia ou manter tropas no território”, afirmou a autoridade.
(Com informações de Kit Maher, Jennifer Hansler e Hira Humayun, da CNN , Gram Slattery, Erin Banco, Jacob Gronholt-Pedersen e Stine Jacobsen, da Reuters) Entenda por que Trump quer o território da Groenlândia para os EUA ]]>
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