IA faz preço de chips disparar e tira poder de barganha histórico da Apple
A disparada dos preços das memórias flash, impulsionada pela demanda de empresas de inteligência artificial , mudou a relação entre a Apple e seus fornecedores. Após anos pressionando fabricantes por descontos, a empresa enfrenta custos maiores e menor poder de negociação. Segundo a TechInsights, os preços dessas memórias quintuplicaram no último ano, fortalecendo a posição comercial da Kioxia e de outras fabricantes.
A alta no custo de componentes levou a Apple a aplicar um reajuste médio de 13% na linha de celulares iPhone. – Imagem: Divulgação/Apple Demanda por IA muda o mercado Durante anos, a Apple foi a maior compradora mundial de memórias flash, chips usados para armazenar fotos, músicas e aplicativos. Seu volume de compras permitia exigir preços baixos e condições contratuais favoráveis.
Dois anos atrás, a empresa comprava quase o dobro da quantidade adquirida em conjunto por Microsoft , Amazon , Meta e Google , segundo estimativas da TechInsights. Agora, essas quatro empresas compram, juntas, o dobro da participação da Apple no mercado. Em 2026, Meta, Microsoft e Amazon assinaram contratos de fornecimento de longo prazo com a Kioxia, aceitando preços mais altos.
Os acordos também protegem os lucros da fabricante caso o mercado mude. A memória flash representa uma parcela menor do custo de construção de um data center do que da fabricação de um iPhone. As regras contábeis também permitem distribuir esses custos ao longo de vários anos, o que ajuda a explicar por que as empresas de IA conseguem pagar mais pelos componentes.
A TechInsights estima que a Apple gastará US$ 25 bilhões (cerca de R$ 131,25 bilhões) com memórias flash em 2026, ante US$ 6 bilhões (R$ 31,5 bilhões) em 2025, para adquirir aproximadamente a mesma quantidade. Custos maiores pressionam as margens A alta surpreendeu a Apple, apesar dos alertas anteriores de analistas, segundo pessoas familiarizadas com as práticas de compras da empresa ouvidas pelo The Wall Street Journal . Em 2023, o preço da memória flash chegou a cinco centavos de dólar por gigabyte.
Com a demanda do setor de IA, ultrapassou 30 centavos, uma alta superior a 500% em relação àquele patamar. O encarecimento afeta diretamente a rentabilidade das versões com mais armazenamento. No iPhone 17 Pro, a Apple cobrava US$ 200 adicionais pela versão de 512 GB em comparação com o modelo básico de 256 GB.
Na época, a memória extra custava US$ 15 à empresa. Esse valor subiu para US$ 66. Segundo a análise do The Wall Street Journal , a Apple obteve, em média, mais de US$ 0,80 de lucro bruto por dólar cobrado pelo armazenamento adicional em iPhones e iPads desde o lançamento desses produtos até 2025.
A pressão sobre os custos também coincide com aumentos nos preços dos produtos. Nos últimos meses, a Apple reajustou quase toda a sua linha, com alta média de 13% nos iPhones, incluindo modelos antigos que normalmente ficam mais baratos com a chegada de novas versões. Walt Coon, analista da TechInsights, resumiu a mudança de posição dos fornecedores: “A Apple historicamente negociou de forma muito dura com os fornecedores de memória.
E não falta satisfação entre os fornecedores agora que o equilíbrio de poder está mudando”. A Apple obteve US$ 14 bilhões em lucro bruto com armazenamento adicional em 2023, segundo estimativa da Bernstein Research. – Imagem: vfhnb12/iStock Uma relação marcada por disputas A relação entre a Apple e seus fornecedores começou a ganhar força em 2001, quando engenheiros da Toshiba apresentaram à empresa um disco rígido de 1,8 polegada e 5 GB.
A Apple adquiriu direitos exclusivos sobre o componente, que se tornou parte central do iPod. Em 2005, a empresa passou a usar memória flash no iPod Nano e antecipou US$ 1,25 bilhão para garantir o fornecimento até 2010. O lançamento do iPhone, em 2007, ampliou seu poder de compra e reforçou uma estratégia de negociação baseada em preços baixos, auditorias nas contas dos fabricantes e contratos que buscavam assegurar condições comerciais iguais ou melhores que as oferecidas a outros clientes.
Em 2023, quando a queda na demanda por dispositivos derrubou os preços das memórias, a Bernstein Research estimou perdas operacionais de US$ 19 bilhões para o setor. No mesmo ano, a Apple obteve US$ 14 bilhões em lucro bruto com a venda de armazenamento adicional. Agora, a expansão da infraestrutura de inteligência artificial elevou a demanda e os preços dos componentes, fortalecendo os fabricantes nas negociações.
A empresa que durante anos usou seu poder de compra para impor condições enfrenta um mercado em que garantir o fornecimento exige aceitar custos mais altos. O post IA faz preço de chips disparar e tira poder de barganha histórico da Apple apareceu primeiro em Olhar Digital . ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
Leia a matéria completa em Olhar Digital →
