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    Forbes Brasil·23 de set., 21:40

    Ibovespa Cai Contaminado Pelo Risco; Petróleo e Dólar Sobem

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Após duas altas seguidas, o Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (23), contaminado pelo cenário externo desfavorável a ativos de risco, em meio ao avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. 772,33 na máxima do dia.

    O volume financeiro somou R$29,68 bilhões, com investidores também analisando nova pesquisa eleitoral no Brasil. O rendimento do Treasury de 10 anos marcava 5,1038% no final da sessão, com a retomada da alta do petróleo e dados robustos sobre a maior economia do mundo apoiando apostas de alta dos juros norte-americanos em outubro. Investidores também analisaram os comentários do diretor do Federal Reserve, Michael Barr, de que o banco central dos EUA deu um passo importante na semana passada para “recalibrar” os juros de curto prazo a fim de reduzir a inflação, e que provavelmente precisará implementar novos aumentos nas taxas.

    Em uma decisão unânime na semana passada, os membros do Fed elevaram a taxa de juros de referência para a faixa de 3,75% a 4,00%. De acordo com o advisor senior da Blue3 Investimentos, Gabriel Macarini, o movimento dos títulos do Tesouro dos EUA foi o principal gatilho para a performance negativa na bolsa, dada a leitura que o Fed seguirá duro por mais tempo. Em Wall Street, o índice acionário S&P 500 encerrou em baixa de 0,75%.

    O barril do petróleo sob o contrato Brent superou US$103 sem sinais de fato de um avanço diplomático para o Irã, com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmando que o país nunca irá se render. A sessão também foi marcada por expectativa para o encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, na quinta-feira em Washington. No Brasil, pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a liderar as intenções de voto contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial, embora siga o empate técnico.

    De acordo com Mateus Hammes, head de investimento da Ludo Capital, as pesquisas continuam mostrando um cenário binário com desfecho em aberto. E o mercado “está cobrando um prêmio de risco por não saber quem governará o Brasil em 2027”. Em paralelo, dados da B3 mostraram nova entrada líquida de estrangeiros das ações brasileiras no último dia 21, ampliando o saldo positivo acumulado em setembro para R$9,635 bilhões, de R$9,230 bilhões até o dia 18.

    Destaques PETROBRAS PN avançou 2,59% e PETROBRAS ON subiu 2,61%, endossadas pelo avanço dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou com elevação de 3,86%, a US$103,08. No noticiário sobre a companhia, executivas afirmaram que a Petrobras já garantiu o volume de importação de diesel necessário para outubro, de 650 milhões de litros, e não prevê grandes volumes de compras externas para novembro, bem como pode incluir projeto de gás na Colômbia em plano de negócios 2027-2031. Ainda no pano de fundo, analistas do UBS BB elevaram o preço-alvo para as ações da estatal a R$62 ante R$60 e reiteraram recomendação de compra.

    ITAÚ UNIBANCO PN recuou 1,88%, abandonando o sinal positivo, com piora no setor como um todo. BRADESCO PN fechou negociada em queda de 2,17%, BANCO DO BRASIL ON cedeu 2,21%, BTG PACTUAL UNIT perdeu 0,47% e SANTANDER BRASIL UNIT caiu 0,98%. VALE ON perdeu 1,85%, em sessão com oscilação modesta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou o pregão diurno com acréscimo de 0,07%.

    No setor de mineração e siderurgia, CSN ON foi o destaque de baixa com declínio de 3,66%. TENDA ON caiu 6,02%, com o setor como um todo pressionado, em meio ao avanço nas taxas dos contratos de DI. O índice imobiliário na B3 fechou em baixa de 1,2%.

    Analistas da XP também chamaram a atenção nesta semana à desaceleração da Caixa na concessão de financiamentos imobiliários entre junho e julho, que gerou preocupações com o aumento da inadimplência. Para a equipe da XP, porém, o movimento refletiu um problema temporário de execução ou maior seletividade, e não uma restrição estrutural ao crédito habitacional. “Seguimos construtivos com as incorporadoras de baixa renda”, afirmaram.

    LOCALIZA ON avançou 0,66%, após o conselho de administração da empresa de aluguel de veículos e gestão de frotas aprovar quase R$615 milhões em juros sobre capital próprio (JCP). A decisão mantém a consistência na remuneração aos acionistas, afirmaram analistas do Citi, destacando que o pagamento veio ligeiramente acima das estimativas deles, “embora ainda se mostre saudável, considerando o bom potencial de geração de fluxo de caixa livre (FCF) da companhia”. ENGIE BRASIL ON caiu 4,27%, em sessão negativa para elétricas, com o índice do setor na B3 recuando 1,44%.

    O Ministério de Minas e Energia colocou em consulta pública uma proposta de diretrizes sobre o futuro de uma série de concessões de usinas hidrelétricas que vencem até 2032, citando possíveis “travas” em leilões para evitar concentração de mercado entre os grandes grupos hidrelétricos. Além de Engie, a discussão interessa a importantes companhias do setor que possuem portfólios hidrelétricos, como Axia e Copel. Petróleo Os preços do petróleo fecharam com alta de pouco menos de 4% por barril, em um pregão volátil, enquanto os operadores avaliavam a promessa do presidente iraniano Masoud Pezeshkian de nunca se render, um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter advertido que poderia “aniquilar” o Irã.

    Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com alta de US$3,83, ou 3,86%, a US$103,08 por barril, enquanto os contratos futuros do West Texas Intermediate subiram US$ 1,64, ou 1,81%, para US$92,16. Os futuros do diesel com teor ultrabaixo de enxofre caíram cerca de 5% depois que o site Politico noticiou que o governo Trump estava preparando planos para uma proibição de 90 dias à exportação de diesel, notícia que a Casa Branca negou posteriormente. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, havia afirmado na quarta-feira que uma proibição à exportação de diesel não funcionaria.

    Analistas e observadores do mercado alertaram que tal medida pouco contribuiria para aliviar os altos preços da energia e poderia agravar a escassez global de suprimentos e perturbar ainda mais as economias. O que impulsionou a alta dos preços do petróleo foi o discurso de Pezeshkian na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em que ele afirmou na quarta-feira que Teerã nunca se renderia aos EUA, mas ainda acredita na diplomacia. Na terça-feira, Trump aproveitou um discurso no mesmo fórum para fazer sua ameaça.

    Teerã estava analisando a resposta dos EUA à sua proposta de pôr fim às hostilidades, embora ainda haja muitas divergências, disse uma alta autoridade iraniana à Reuters. A reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval de Washington ao Irã foram discutidos durante negociações indiretas na terça-feira, disse a autoridade. Na manhã desta quarta-feira, o chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou que o Estreito de Ormuz não seria reaberto enquanto as condições do Irã não fossem atendidas.

    Em outros lugares, os estoques de petróleo dos EUA aumentaram em 3 milhões de barris, para 426,4 milhões de barris, na semana encerrada em 18 de setembro, informou a Administração de Informações sobre Energia. Analistas consultados pela Reuters esperavam uma redução de 641 mil barris. Os estoques de combustível diminuíram.

    Dólar O dólar fechou a quarta-feira com alta firme no Brasil, reagindo ao avanço da moeda norte-americana no exterior e a uma nova pesquisa eleitoral no Brasil mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperando vantagem numérica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno. O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 1,27%, a R$5,1689, o maior valor de fechamento desde 31 de agosto, quando marcou R$5,1814. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 5,83%.

    Às 17h04, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 1,20% na B3, aos R$5,1715. A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 47,7% das intenções de voto no segundo turno na disputa pelo Planalto, contra 47,4% de Flávio. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão em empate técnico.

    No entanto, o resultado coloca Lula novamente na liderança numérica, já que no levantamento anterior o petista tinha 46,8% e Flávio somava 47,2%. Nas últimas semanas, a percepção de fortalecimento da candidatura de Flávio vinha favorecendo o chamado “trade eleitoral”, que se traduz no avanço do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros). Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.

    Assim, notícias não tão favoráveis a Flávio — como o leve fortalecimento de Lula no segundo turno da pesquisa Atlas/Bloomberg — tendem a trazer um viés de alta para o dólar. “A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula voltando à frente numericamente, ainda em empate técnico, e o mercado reagiu cobrando mais prêmio. Na minha opinião, o que está em jogo não é o nome de quem vai ganhar, é a trajetória da dívida”, disse à tarde Marcos Bassani, sócio-fundador da Boa Brasil Capital, em comentário escrito.

    “Enquanto não houver um sinal claro de compromisso com as contas públicas, acredito que o investidor vai continuar exigindo juros mais altos para financiar o país e vai buscar proteção no dólar”, acrescentou. O cenário externo foi outro fator altista para as cotações nesta quarta-feira, com a moeda norte-americana ganhando força ante quase todas as demais divisas. Por trás do movimento está a perspectiva de nova alta de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, em meio aos impactos inflacionários da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

    Em outro sinal de pressão inflacionária, a S&P Global informou pela manhã que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que acompanha os setores de manufatura e serviços, subiu para 58,4 em setembro. Esse foi o nível mais alto desde julho de 2021, após o resultado de 56,0 em agosto. Uma leitura acima de 50 indica expansão no setor privado.

    Em reação, o dólar acelerou os ganhos ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Após marcar a cotação mínima intradia de R$5,1214 (+0,34%) às 10h30, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1769 (+1,43%) às 14h40. Depois, as cotações se mantiveram em níveis elevados até o fechamento.

    000 contratos de swap cambial para 1º de outubro em operação de rolagem. Também pela manhã, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, disse que não espera grandes solavancos no câmbio diante das mudanças de juros no Brasil e nos Estados Unidos. À tarde o BC informou que saíram do Brasil US$7,078 bilhões líquidos em setembro até o dia 18.

    Às 17h05, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,54%, a 101,090. O post Ibovespa Cai Contaminado Pelo Risco; Petróleo e Dólar Sobem apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>

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