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    InvestNews·03 de nov., 22:35

    Ibovespa cai pelo sexto dia e atinge menor patamar desde janeiro

    O tom de forte aversão ao risco dominou o mercado nesta terça-feira (3), em meio a incertezas sobre a política fiscal e econômica do quarto mandato de Lula. 529 pontos, o menor patamar desde 19 de janeiro. Em seis pregões, o recuo acumulado é de mais de 19%.

    No caminho oposto, o dólar avançou 0,8% neste pregão, fechando a R$ 5,49, na sua terceira alta consecutiva. O gatilho para o mau humor dos investidores veio de ruídos em torno da proposta do economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, que defende uma queda brusca da Selic, a taxa básica de juros, para resolver o problema fiscal do país. Ajudou a piorar o sentimento a falta de sinalização do governo sobre quem vai comandar a equipe econômica.

    Sem isso, as apostas em juros mais altos por mais tempo ganharam força. Amanhã, o Comitê de Política Monetária (Copom) decide sobre a taxa de juros, com expectativa de manutenção da Selic nos atuais 13,75% ao ano. O Boletim Focus, divulgado nesta manhã, reforçou a cautela ao mostrar uma combinação de menos crescimento, mais inflação e juros elevados por mais tempo.

    Para 2027, a projeção do PIB caiu de 1,31% para 1,20%, a da inflação subiu de 4,34% para 4,76% e a da Selic foi de 11,75% para 12,50%. “Na economia, isso significa menor expansão esperada das vendas, maior pressão sobre custos e financiamento mais caro. Na Bolsa, essa combinação limita as perspectivas de lucro e reduz o preço que o investidor aceita pagar pelas ações”, comenta Fábio Murad, sócio da Wiser Asset.

    Com a piora de cenário, a XP Investimentos cortou nesta terça a recomendação para a Bolsa brasileira para neutra. A corretora cita um cenário macro “mais desafiador”, com inflação e juros em alta, queda nas estimativas de lucro para 2027 e um índice de sentimento do mercado de volta ao território pessimista. Leia também Investimentos A bolsa depois da queda: veja onde podem estar as oportunidades A XP estima o Ibovespa em 200 mil pontos no fim do próximo ano, uma alta de cerca de 21% sobre o patamar atual.

    É um ganho potencial parecido com sua estimativa para a renda fixa, o que também pesou na decisão de reduzir a aposta em ações. Para quem está de olho em oportunidades depois da queda, a equipe de análise, chefiada por Fernando Ferreira, aponta empresas de alta qualidade que caíram bastante: Sabesp (SBSP3), Rede D’Or (RDOR3), Totvs (TOTS3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Cury (CURY3). Na lista do que evitar estão as companhias muito alavancadas, que levam pancada dupla: pagam juros altos e ainda enfrentam uma economia mais fraca.

    O movimento reflete a dinâmica observada em outubro, quando o índice afundou 10% em um mês marcado por forte volatilidade e aumento do temor fiscal. Só na semana passada o recuo foi de 18%, a pior semana desde 2020 . Leia também Investimentos Dólar pós-eleitoral: por que o momento é de ampliar a diversificação em moeda forte Maiores altas e baixas No índice, a Cogna (COGN3) foi o destaque negativo, com desvalorização de quase 13%, após o Citi cortar a recomendação dos papéis de neutra para venda.

    Na sequência vieram CSN Mineração (CMIN3) e Azzas 2154 (AZZA3), com baixas de cerca de 5%. Do outro lado do placar, a Natura (NATU3) teve a maior alta, de 4%, seguida por Embraer (EMBJ3) e Usiminas (USIM5), com ganhos entre 3% e 4%. Além de ganhar com o dólar mais alto, já que boa parte da receita vem em moeda americana, a Embraer reagiu à assinatura, na segunda-feira (2), do contrato com o Ministério da Defesa da Grécia para a venda de três aeronaves multimissão KC-390 Millennium, com opção de compra de outras três.

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