Ibovespa fecha em queda de 13,7%. Dólar sobe quase 9% para R$ 5,40
Nem bem abriu e a bolsa entrou em circuit breaker , ou seja, a paralisação temporária das negociações em momentos de altíssima volatilidade. A B3 decidiu suspende as negociações por 30 minutos dos ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDR , Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs . O mecanismo foi acionado após queda de 10% em relação ao fechamento anterior.
Na retomada do pregão, o principal índice da bolsa continuou a desabar: queda de mais de 16% e chegou a cair mais de 17%. Ao longo da sessão, o Ibovespa amenizou a queda. 906 pontos.
Quedas dessa magnitude foram vistas pela última vez no auge da crise financeira de 2008, quando a bolsa chegou a ter baixas acima de 20% na mesma sessão. O circuit breaker foi criado em 1997 e já foi acionado 23 vezes. Entre os principais momentos estão: 1997 – Crise asiática: o Ibovespa registrou queda de 10,19%; 1999 – Desvalorização do real: o Ibovespa caiu 10,29% no dia; 2008 – Crise do subprime nos Estados Unidos: houve seis interrupções em menos de um mês; 2020 – Pandemia de Covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março.
Juros em pânico O Tesouro Direto também ficou paralisado por quase três horas devido ao forte ajuste de taxas que ocorre na manhã desta segunda-feira após o segundo turno. Abriu, efetivamente, perto de 12h30, quando o normal é inciar as negociações às 9h30. Após a abertura, o título Tesouro Prefixado 2032 chegou a se aproximar de 16% ao ano, ao registrar 15,78%.
No fim do dia, após mais um circuit breaker, o papel terminou com subida de 15,50%. Já o Tesouro IPCA+ 2040 encerrou com inflação mais 7,40% ao ano. Os juros recuaram após duas intervenções do Tesouro Nacional, com leilões de recompras de títulos prefixados e de IPCA+, conhecidos como NTB-Bs.
Na primeira, o órgão recomprou 49,33% do lote de 15 milhões de títulos prefixados. A operação somou R$ 7,108 bilões. Na segunda parte, o Tesouro conseguiu recomprar 58,6% do lote de 3 milhões de NTN-Bs com custo de R$ 7,699 bilhões.
No total, a intervenção somou R$ 14,8 bilhões. Já os futuros de DI mostram um forte estress. O contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2028 tinha alta de 2,02pontos percentuais para 14,85% ao ano.
Já o de janeiro de 2029 subia 2,62 pontos para 15,22%. O DI futuro para janeiro de 2032 tinha um avanço de 2,63 pontos percentuais para 15,22%. O Tesouro informou ainda que cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para os dias 27 a 29 de outubro (terça-feira e quinta-feira próximas), mantendo apenas o leilão de papéis vinculados à Selic na terça-feira.
Tudo por causa da virada inesperada no segundo turno. Leia também Investimentos Dólar sobe mais de 12% e passa de R$ 5,60 no day after da eleição Investimentos B3 aumenta limite de queda para contratos futuros de Ibovespa, de dólar e DI com perspectiva de alta volatilidade No fim da apuração, o presidente Lula venceu a corrida presidencial contra o candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) com uma margem de cerca de de 3,5 pontos percentuais dos votos válidos, o equivalente a quase 4,4 milhões de votos. As pesquisas indicavam o contrário, uma vantagem entre 1 e 2 pontos para o oposicionista no segundo turno.
O cenário de manutenção do governo frustra a maior parte do mercado que apostou na vitória de Flávio e de um prometido ajuste fiscal, o que já começava a derrubar os chamados prêmios de risco dos ativos brasileiros. Dólar passa de R$ 5,60 Outros mercados também apresentam uma pesada oscilação. É o caso do dólar.
A moeda americana chegou a subir mais de 12%, negociado a R$ 5,60. Mas passou a desacelerar ao longo da sessão. O dólar terminou em alta de 8,66% cotado a R$ 5,40.
O avanço da moeda era esperado por gestores e analistas após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um quarto mandato de forma inesperada – dado o conjunto de pesquisas que apontavam a vitória do adversário, Flávio Bolsonaro. Leia também Investimentos Vitória de Lula surpreende mercado e pressiona títulos brasileiros no exterior O dólar sobe em meio a uma volta dos prêmios mais altos pedidos pelos investidores em um cenário de risco fiscal mais elevado. A forte e rápida elevação da divisa dos EUA também traz de volta temores sobre pressão inflacionária e pode reduzir o espaço para o Banco Central cortar a Selic mais vezes.
A moeda americana volta aos patamares visto em janeiro deste ano. A última vez que a divisa dos EUA alcançou esse nível foi em 5 de janeiro. Analistas veem dólar acima de R$ 5,60 Várias casas passaram a revisar os patamares projetados para a moeda americana.
O ASA, por exemplo, enxerga o dólar a R$ 5,50 no fim de 2026 e R$ 5,70 no encerramento de 2027. O Morgan Stanley enxerga o dólar em R$ 5,60, mas com potencial para voltar a superar R$ 6, caso o cenário fiscal se deteriore e surja o risco de dominância fiscal, ou seja, quando a política fiscal (os gastos e o endividamento do governo) dita os rumos da economia e anula a eficácia da política monetária. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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