Ibovespa Fecha em Queda em Novo Capítulo de Ajustes Pós-eleição; Dólar Recua
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. A Bolsa Paulista teve mais uma sessão de ajustes negativos pós-eleição nesta quarta-feira (28), com o Ibovespa renovando mínima de fechamento desde agosto. 711,22 na máxima do dia.
O volume financeiro do pregão foi novamente robusto e somou R$ 76,40 bilhões. “Foi um terceiro capítulo de um ajuste que começou na segunda-feira”, afirmou o Gabriel Felix, especialista de alocação da Blue3 Investimentos. Feliz citou o primeiro pregão após a eleição, quando o Ibovespa desabou quase 14%, na maior queda desde 2020.
“Nenhum cenário positivo em relação à situação fiscal do Brasil foi divulgado até o momento e o mercado começa a questionar se ainda teremos cortes de juros no futuro, com essa possibilidade ficando cada vez mais remota”, reforçou Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital. Ainda no cenário político, o senador Flávio Bolsonaro e sua família chegaram a Miami nesta quarta-feira, onde o governo dos Estados Unidos concedeu vistos de entrada, após ele descumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar passaportes e permanecer no Brasil. Flávio é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Nos EUA, o Federal Reserve manteve as taxas de juros na faixa de 3,75% a 4%, como esperado, em uma decisão por 10 a 2. A autoridade monetária optou por adiar quaisquer alterações nos custos dos empréstimos para até depois das eleições de meio de mandato nos EUA, na próxima semana, e aguarda mais dados sobre a trajetória da inflação, que devem estar elevados. Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 0,28%.
Destaques • SANTANDER BRASIL UNIT caiu 5,88% após reportar queda de 28% no lucro líquido recorrente do terceiro trimestre, com piora na rentabilidade e aumento nas provisões na comparação ano a ano. O presidente-executivo, Gilson Finkelsztain, afirmou nesta quarta-feira que o Santander Brasil trabalhará para melhorar a sua rentabilidade e destacou um cenário macroeconómico ainda exigente, principalmente pelo nível elevado de taxas de juros. • BRADESCO PN recuperou 6,68%, tendo ainda de pano de fundo relatório de analistas do Itaú BBA cortando a recomendação dos papéis para “market perform” e o preço-alvo para R$20 ante R$22.
No setor, ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 3,42%, BANCO DO BRASIL ON cedeu 3,39% e BTG PACTUAL UNIT caiu 6,52%. • VALE ON caiu 2,57%, também entre as maiores pressões de baixa do Ibovespa, mesmo em pregão com alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian subiu 1,05%, para 672 yuans (US$ 100,81) por tonelada métrica. A mineradora brasileira divulgou seu balanço do terceiro trimestre na quinta-feira, após o fechamento do mercado.
• PETROBRAS PN fechou com declínio de 0,53% antes da divulgação do relatório de produção e vendas do terceiro trimestre, que será conhecido após o fechamento do mercado. No exterior, o barril de petróleo Brent fechou em alta de 1%, a US$ 115,32. Analistas do Citi elevaram o preço-alvo das PNs da estatal de R$ 47 para R$ 56, citando o cenário de alta dos preços do petróleo, mas reiteraram a recomendação neutra por incertezas envolvidas na alocação de capital da petrolífera.
• KLABIN UNIT recolheu 6,37%, com investidores também repercutindo o resultado do terceiro trimestre da fabricante de papel para embalagem e celulose, que mostrou queda de 18% no lucro líquido do terceiro trimestre. A empresa destacou que o desempenho foi afetado pelo aumento de custos relacionado às medidas de mitigação do El Niño, pela valorização do real frente ao dólar e por maiores gastos com insumos e fretes. O custo caixa total subiu 12% ante os três meses encerrados em setembro de 2025.
• HYPERA ON subiu 1,35% no primeiro pregão após a divulgação de balanço, bem como o anúncio de recompra de ações. No terceiro trimestre, a farmacêutica apurou alta de 16% no lucro líquido, acima da variação dos analistas compiladas pela LSEG. O presidente-executivo da companhia, Breno de Oliveira, disse que a Hypera está registrando em outubro vendas de sua caneta emagrecedora Semavy praticamente dobrando em outubro em relação às 94 mil comercializadas por farmácias para consumidores em setembro.
• MOVIDA ON, que não faz parte do Ibovespa, desabou 16,24%, tendo também no radar um salto no lucro líquido do terceiro trimestre, que mais que dobrou em relação ao mesmo período de um ano anterior. No setor, LOCALIZA ON perdeu 2,93%. Dólar tem sessão volátil e data estável com noticiário político e exterior no radar Na sessão de volatilidade, o dólar alterna altas e baixas em diferentes momentos até encerrar a quarta-feira próxima da estabilidade ante o real, com investidores ponderando o noticiário eleitoral e o cenário externo, no dia de decisão do Federal Reserve sobre juros.
O dólar à vista fechou com variação negativa de 0,04%, a R$ 5,3466. No ano, a divisão passou a acumular baixa de 2,59%. Às 17h03, o dólar futuro para novembro cedia 0,20% na B3, a R$ 5,3460.
Após os movimentos fortes de segunda e de terça-feira, em meio aos ajustes de posição pós-eleição no Brasil, o dólar iniciou a sessão desta quarta-feira próxima da estabilidade, com os investidores à espera de novos gatilhos para as cotações. Perto das 9h45 o dólar perdeu força ante o real, alinhando-se ao enfraquecimento da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior. No entanto, no fim da manhã o dólar voltou a ganhar força ante o real e outras divisões de emergentes, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Tesouros antes do principal evento econômico do dia — a decisão sobre juros do Federal Reserve, às 15h (horário de Brasília).
No Brasil, com a agenda de indicadores vazia, as atenções também seguiram externas para a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, para os EUA. O avião que transportou o senador e sua família chegou pela manhã em Miami. Investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio descumpriu a ordem para entregar seus passaportes e saiu do país dois dias depois de perder a eleição para Lula.
Além das receitas com o futuro da política fiscal no novo governo Lula, alguns agentes citaram preocupações de que a fuga de Flávio possa intensificar os atritos entre Brasil e EUA, com eventuais reflexos no câmbio. “Houve esse estresse todo eleitoral, com o dólar a R$ 5,60 (na segunda-feira), mas 48 horas depois já estava na casa dos R$ 5,30”, comentou à tarde o diretor de assessoria do FB Capital, Fernando Bergallo. “Naturalmente esses 30 centavos que sobraram em cima do preço, na comparação com a semana passada, nós colocamos na conta do eleitoral e do fiscal”, acrescentou.
Na sexta-feira antes do segundo turno, a moeda norte-americana havia encerrado abaixo dos R$5,00, em meio à expectativa de que Flávio vencesse Lula no segundo turno — o que não se confirmou. No pico desta quarta-feira, às 13h36, o dólar à vista atingiu R$ 5,4005 (+0,97%). No meio da tarde, o Federal Reserve anunciou a manutenção de seus impostos de juros na faixa de 3,75% a 4,00%, como era largamente esperado, com o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) dizendo que aguardará a coleta de mais informações para decidir o boato da política de cooperação dos EUA.
Já após a decisão, o dólar voltou a perder força e se reaproximou da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana tinha sinais mistos ante outras divisas de países emergentes — alta ante o peso chileno e o peso colombiano, mas queda ante o peso mexicano e o rand sul-africano. Em relação às moedas fortes, às 17h11 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caiu 0,24%, a 102,110. O post Ibovespa Fecha em Queda em Novo Capítulo de Ajustes Pós-eleição; Dólar Recua apareceu primeiro em Forbes Brasil .
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