Ibovespa hoje: Fed mantém juros nos EUA, empresas de tecnologia sob pressão e reforma tributária no Brasil; veja destaques desta quinta (29)
Os mercados começam esta quinta-feira com pressão concentrada em tecnologia . Os futuros do Nasdaq 100 recuam cerca de 0,8% , enquanto os do S&P 500 caem 0,2% , depois de resultados de Alphabet e Samsung reacenderem a pergunta que deve acompanhar o setor nos próximos trimestres: quanto do enorme investimento em inteligência artificial vai efetivamente virar lucro? Ao mesmo tempo, o Fed decidiu ontem manter os juros no intervalo de 3,75% e 4,00% ao ano, em uma decisão com dois votos dissidentes favoráveis a uma alta de 25 pontos-base.
Na Europa, o debate fiscal continua ganhando espaço, enquanto no Brasil a reforma tributária e o novo cenário político depois das eleições entram no radar. 00:40 — O mercado começa a cobrar a conta da IA Depois de meses em que anunciar mais investimentos em inteligência artificial era praticamente sinônimo de valorização, o mercado começa a exigir algo adicional: retorno . A Alphabet cai cerca de 10% no pré-mercado, depois de vendas abaixo das expectativas e novas preocupações de que o aumento expressivo dos investimentos ainda não esteja se traduzindo em resultados na mesma velocidade.
A Samsung também recuou mais de 4% na Ásia, com lucro da divisão de chips abaixo das projeções e aumento do capex . Isso não significa que o ciclo de IA acabou . Mas a discussão está mudando.
Depois de centenas de bilhões de dólares direcionados a chips, data centers e infraestrutura, os investidores começam a diferenciar mais claramente quem está simplesmente gastando de quem consegue transformar esse investimento em crescimento de caixa e lucros . Os próximos resultados devem ajudar a testar essa tese. Amazon divulga números hoje e Apple vem na próxima semana.
Se essa cobrança por monetização continuar crescendo, podemos começar a ver uma seleção muito maior dentro do próprio trade de inteligência artificial. 01:45 — Warsh mostra um Fed menos refém do dado do mês O Fed manteve ontem a taxa entre 3,75% e 4,00% , em uma decisão por 10 votos a 2. Beth Hammack e Lisa Cook defenderam uma alta de 25 pontos-base.
O comunicado aumentou o tom em relação a avaliação de que a atividade segue forte e a inflação permanece elevada. O mais interessante, porém, está na forma como Kevin Warsh vem conduzindo o banco central. Sob sua liderança, o Fed parece dar mais peso ao cenário de médio prazo e menos importância à reação imediata dos dados entre duas reuniões.
Isso ajuda a entender a decisão de ontem. Desde a última reunião, inflação, atividade e mercado de trabalho apresentaram números que, isoladamente, poderiam justificar uma nova alta. Ainda assim, o Comitê optou por esperar.
Nossa leitura é que isso mostra confiança elevada no cenário de desaceleração futura da inflação , à medida que o aperto monetário já implementado continua atravessando a economia. Em vez de responder a cada dado mais forte com uma nova alta, o Fed parece confortável em espaçar os movimentos. Por isso, continuamos vendo espaço para mais duas altas, mas provavelmente em reuniões intercaladas.
A mensagem não é de fim do ciclo de aperto; é de um Fed disposto a dar tempo para que as condições monetárias façam efeito. Também tivemos a divulgação do PIB americano do terceiro trimestre , que cresceu 3,4% em termos anualizados , acima dos 3,2% esperados pelo mercado. A composição também foi forte: a demanda doméstica privada avançou 4,9%, com consumo das famílias crescendo 3,8% pelo segundo trimestre consecutivo e investimento empresarial acelerando, especialmente em equipamentos, que subiram 21%.
Ao mesmo tempo, o núcleo do PCE avançou 0,32% em setembro e voltou a 3,1% em 12 meses , reforçando a leitura de uma economia ainda bastante resiliente e de uma inflação que segue desconfortavelmente acima da meta. O dado ajuda a explicar por que, apesar da pausa de ontem, o Fed ainda mantém um viés de aperto para as próximas reuniões. 03:00 — Fiscal continua incomodando na Europa Na Europa , o fiscal continua ocupando espaço cada vez maior na discussão dos mercados.
No Reino Unido , o novo orçamento prevê medidas capazes de elevar as receitas em aproximadamente £ 6,6 bilhões até 2030-31, acompanhadas de cerca de £ 1,6 bilhão em gastos adicionais. O próprio governo já sinalizou que decisões mais difíceis sobre despesas ainda serão necessárias nos próximos anos. O problema é mais amplo do que o Reino Unido.
Os juros soberanos elevados começam a apertar as condições financeiras em boa parte da Europa, enquanto a França continua enfrentando uma combinação particularmente desconfortável de déficit fiscal elevado e pressão no mercado de títulos . Ao mesmo tempo, a inflação europeia permanece pressionada principalmente pela energia, enquanto a atividade perde força. Isso coloca o BCE em uma posição delicada: apertar mais os juros ajuda no combate à inflação, mas aumenta ainda mais a pressão sobre crescimento e dívida pública .
04:10 — Reforma tributária entra na fase em que ganhadores e perdedores aparecem No Brasil, a implementação da reforma tributária começa a ganhar contornos mais concretos. O TCU calculou em 11,3% a alíquota de referência da CBS , que substituirá PIS e Cofins e começa a ser efetivamente cobrada em 2027. A proposta ainda passará pelo Senado.
Somando CBS e IBS, algumas estimativas colocam a tributação total sobre consumo próxima de 30% , embora a alíquota final ainda não esteja definida. E aqui existe uma distinção importante: o cálculo da CBS foi desenhado para preservar a arrecadação agregada, e não necessariamente para aumentar a carga tributária total. O que pode mudar bastante é quem paga essa conta .
Empresas de serviços intensivas em mão de obra aparecem entre as mais expostas porque salários não geram créditos tributários. Já companhias com cadeias maiores de insumos tendem a aproveitar melhor o sistema de créditos. Ou seja, mesmo que a arrecadação total permaneça semelhante, a distribuição da carga entre setores pode mudar significativamente.
Tudo isso acontece poucos dias depois do segundo turno. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo o TSE. Flávio afirmou posteriormente que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos e alegou fraude eleitoral sem apresentar provas.
O resultado foi reconhecido pelo TSE e pelo próprio PL . Com a eleição encerrada, portanto, o foco do mercado começa a migrar do resultado das urnas para algo mais concreto: qual será a capacidade do próximo governo de executar sua agenda econômica e fiscal em um Congresso politicamente fragmentado. 05:20 — Inflação curta ainda oferece uma boa assimetria No Brasil, a piora das expectativas em torno do ajuste fiscal e a fraqueza recente do real aumentam o risco de uma inflação mais pressionada no curto prazo.
Esse cenário favorece os títulos indexados ao IPCA , que passam a combinar proteção inflacionária com um carrego mais interessante. Ao mesmo tempo, os juros reais já passaram por uma correção relevante, levando as taxas dos títulos IPCA+ novamente para níveis atrativos. Ou seja, além da inflação corrente, o investidor também consegue travar uma taxa real elevada.
É justamente aí que entra o PACC11 , que concentra exposição em títulos indexados à inflação de duration mais curta. Essa característica adiciona uma camada importante de proteção contra novas aberturas da curva de juros, reduzindo a volatilidade em comparação com posições de prazo mais longo. Por isso, vemos o PACC11 como uma alternativa interessante para capturar inflação mais alta, juros reais elevados e menor risco de duration dentro da renda fixa.
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