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    Empiricus·23 de set., 13:20

    Ibovespa hoje: Xi Jinping inicia visita aos Estados Unidos e B3 recebe ‘voto de confiança’ de investidores estrangeiros; veja destaques desta quarta (23)

    Os mercados iniciam esta quarta-feira em um tom relativamente mais construtivo. A queda do petróleo e a retomada das conversas entre Estados Unidos e Irã ajudaram a aliviar parte das preocupações com a inflação global, enquanto o fluxo estrangeiro voltou a dar suporte aos ativos brasileiros. Ao mesmo tempo, a ata do Copom reforçou a percepção de que a desaceleração da atividade econômica pode abrir espaço para novos cortes da Selic nos próximos meses .

    Mas o pano de fundo continua sendo marcado pela geopolítica. Enquanto a ausência de uma aproximação entre Lula e Donald Trump chamou atenção durante a Assembleia Geral da ONU, os investidores acompanham agora os desdobramentos da visita de Xi Jinping aos Estados Unidos . Em um momento em que o mercado parece disposto a conceder um voto de confiança ao cenário global, a grande questão é saber se essa melhora de humor será suficiente para sustentar o atual movimento dos ativos de risco.

    1:11 – Um voto de confiança O mercado brasileiro voltou a ganhar tração no pregão de ontem. A combinação entre a queda do petróleo, a perspectiva de novos cortes na Selic e a entrada de capital estrangeiro criou um ambiente mais favorável para os ativos locais. Assim, o Ibovespa voltou a superar os 187 mil pontos, enquanto o dólar fechou próximo de R$ 5,10.

    Sobre o fluxo estrangeiro, apenas na sexta-feira passada a B3 recebeu R$ 3,6 bilhões de capital externo , elevando as entradas do mês para mais de R$ 9 bilhões. O mercado parece enxergar uma combinação relativamente favorável entre o alívio recente no petróleo, a perspectiva de cortes na Selic e uma possível melhora do cenário fiscal. A ata do Copom reforçou essa narrativa ao citar com mais ênfase os sinais de desaceleração do crédito e da atividade econômica.

    Para os investidores, a implicação é relevante, se a atividade desacelera sem uma deterioração significativa da inflação, o mercado tende a migrar gradualmente para uma discussão mais favorável aos ativos domésticos, especialmente aqueles mais sensíveis aos juros. 2:37 – O não encontro Como era esperado, o presidente Lula abriu o Debate Geral da Assembleia da ONU ontem defendendo bandeiras que já se tornaram marca de sua atuação internacional: multilateralismo, preservação da soberania dos países e críticas ao uso de tarifas como instrumento de pressão econômica. Entre os temas domésticos, o destaque foi a defesa do Pix como exemplo de inovação financeira bem-sucedida e a volta das discussões sobre regulação de plataformas digitais e inteligência artificial.

    Mas o que mais chamou atenção do mercado foi justamente o que não aconteceu. Diferentemente de outros encontros multilaterais recentes, Lula e Trump não tiveram uma reunião informal ou qualquer gesto de aproximação nos bastidores do evento. Na prática, isso não altera imediatamente a relação entre Brasil e Estados Unidos, mas reforça a percepção de que temas relevantes, como comércio exterior e tarifas, continuarão exigindo negociações formais e protocolares.

    3:28 – Outra relação à prova Se a ausência de um encontro chamou atenção em Nova York, o mercado olha agora para uma conversa que pode produzir consequências econômicas relevantes. O presidente chinês Xi Jinping inicia uma visita aos Estados Unidos que terá como ponto alto um encontro com Trump nos próximos dias. Na pauta estão alguns dos temas mais sensíveis da economia mundial como tarifas comerciais, semicondutores, inteligência artificial, terras raras e a reorganização das cadeias globais de suprimentos.

    A importância da reunião vai muito além da diplomacia. Hoje, uma parcela relevante dos investimentos globais depende direta ou indiretamente da relação entre as duas maiores economias do mundo. As expectativas, no entanto, parecem mais moderadas desta vez.

    A ausência de uma delegação empresarial chinesa reduziu as apostas em anúncios concretos ou novos acordos comerciais. Ainda assim, qualquer sinal de estabilização na relação entre Washington e Pequim tende a ser bem recebida pelos mercados. Em um cenário de crescimento global mais lento, os investidores não precisam necessariamente de grandes avanços.

    Muitas vezes, basta a percepção de que as tensões pararam de escalar. 4:10 – Um alívio sempre é bem-vindo Depois de gerar preocupações nas últimas semanas, o petróleo finalmente deu algum alívio aos investidores . A retomada das conversas entre Estados Unidos e Irã levou o Brent a acumular cinco sessões consecutivas de queda, encerrando o dia abaixo dos US$ 100 por barril pela primeira vez desde o início de setembro.

    O movimento ajudou a reduzir parte das preocupações com a inflação global e favoreceu o apetite por risco, tanto lá fora quanto no Brasil. Isso não significa, porém, que os riscos desapareceram. A evolução das negociações entre Washington e Teerã, além das incertezas envolvendo a oferta global da commodity, continua no radar dos investidores.

    Por enquanto, o mercado parece satisfeito em ver uma das principais fontes de pressão dos últimos meses perder intensidade. Em um ambiente ainda marcado por juros elevados e crescimento mais moderado, qualquer sinal de alívio tende a ser bem recebido pelos ativos de risco. 5:16 – Quem sobrevive, sai mais forte A menção ao Pix no discurso da ONU ontem nos lembrou de uma das transformações mais relevantes da economia brasileira na última década.

    Quando o sistema de pagamentos instantâneos foi lançado, muitos investidores enxergaram a novidade como uma ameaça direta aos grandes bancos. Afinal, o Pix tornava as transferências gratuitas, ampliava a competição e reduzia uma importante fonte de receita para as instituições financeiras. Isso de fato aconteceu, mas como de costume, os melhores conseguiram se adaptar.

    As instituições mais bem preparadas utilizaram sua escala, tecnologia e relacionamento com os clientes para incorporar o Pix aos seus ecossistemas . Em vez de perder relevância, ampliaram a oferta de produtos, fortaleceram seus canais digitais e ganharam eficiência operacional. Em um mundo em que inovação e competição avançam cada vez mais rápido, a capacidade de se adaptar às mudanças regulatórias e tecnológicas sem abrir mão da rentabilidade tornou-se um diferencial raro.

    O Itaú (ITUB4) é um dos melhores exemplos dessa combinação. A instituição atravessou diferentes ciclos econômicos, manteve níveis elevados de rentabilidade e continua bem posicionada para capturar os benefícios de um eventual ambiente de juros mais baixos. É justamente essa combinação de resiliência, eficiência e geração de valor que sustenta nossa visão positiva para a companhia.

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