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    Empiricus·21 de set., 13:51

    Ibovespa: Trump encontra Xi Jinping, Lula discursa na Assembleia da ONU e expectativa de negociações no Oriente Médio acalma os mercados globais; veja destaques da semana

    Os mercados globais começam a semana em tom positivo, apoiados pela expectativa de avanços diplomáticos no Oriente Médio e por sinais mais construtivos nas relações entre Estados Unidos e China . O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, viaja a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, enquanto Donald Trump terá uma agenda intensa de encontros com líderes internacionais e Xi Jinping chegará a Washington para uma visita de Estado, com reunião prevista para quinta-feira. Comércio, tarifas, inteligência artificial, terras raras, controles tecnológicos e uma possível extensão da trégua comercial estarão no centro das conversas entre Washington e Pequim.

    Esse ambiente ajudou a sustentar altas nas bolsas da Ásia, Europa e nos futuros de Wall Street, enquanto o petróleo recua pelo quarto pregão consecutivo , com Brent e WTI em queda de cerca de 2%. A melhora do fluxo pelo Estreito de Ormuz e novas iniciativas diplomáticas contribuíram para reduzir o prêmio de risco, embora ataques dos houthis, ameaças à infraestrutura saudita e a tensão em Bab el-Mandeb mantenham o mercado de energia vulnerável a novos episódios de volatilidade. · 00:59 — A fala brasileira na ONU O mercado brasileiro encerrou a última semana em tom mais cauteloso.

    229 pontos, e acumulou perda de 1,06% no período, interrompendo uma sequência de quatro semanas consecutivas de alta. O dólar, por sua vez, fechou a R$ 5,1440, com valorização de 0,37% na semana. A agenda doméstica agora se volta para a Pesquisa Focus , a ata do Copom , o IPCA-15 e o Relatório de Política Monetária , que devem oferecer novas pistas sobre a trajetória da Selic após o corte para 13,75%.

    O quadro fiscal também seguirá no centro das atenções, especialmente depois do reajuste de 15% do Bolsa Família e da revisão das projeções para a dívida bruta, que pode alcançar 90% do PIB em 2030. Ao mesmo tempo, a corrida presidencial continua influenciando a precificação dos ativos , com pesquisas recentes apontando uma disputa apertada entre os dois principais candidatos. Nesse contexto, medidas econômicas com potencial repercussão eleitoral, como o aumento temporário da mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%, também passaram a ocupar espaço crescente no debate político.

    No exterior, as atenções se concentram na agenda de Lula em Nova York , às vésperas da Assembleia Geral da ONU. O presidente deve reforçar temas como soberania, multilateralismo, combate a barreiras comerciais e cooperação internacional, ao mesmo tempo em que busca ampliar o diálogo com lideranças democratas nos Estados Unidos em meio às tensões tarifárias com o governo Trump. Há ainda expectativa em torno de um eventual encontro informal entre Lula e o presidente americano.

    Em paralelo, Brasil, Canadá, Quênia e União Europeia anunciaram uma iniciativa conjunta, o P4M, voltada à coordenação entre potências médias e países em desenvolvimento diante de uma ordem internacional cada vez mais fragmentada. · 01:45 — Encontro entre gigantes A semana começa com uma agenda relativamente leve de indicadores econômicos nos Estados Unidos, o que tende a deslocar a atenção dos investidores para eventos corporativos e, sobretudo, para a geopolítica. No campo empresarial, a Costco divulga seus resultados na quinta-feira, enquanto Darden Restaurants, Cintas, Paychex e General Mills também apresentam balanços.

    A Meta realiza, a partir de quarta-feira, o evento Connect, com foco em inteligência artificial, óculos inteligentes e tecnologias de realidade virtual e mista, enquanto o McDonald’s promove um encontro com investidores. Também entram no radar os PMIs preliminares de setembro e um anúncio aguardado do Tesouro americano sobre recompra de títulos públicos. Em paralelo, os mercados seguem atentos à comunicação do Federal Reserve após a alta de 25 pontos-base da semana passada.

    Neel Kashkari reforçou que as pressões inflacionárias permanecem disseminadas para além de energia e alimentos, especialmente no setor de serviços, e a probabilidade implícita de uma nova elevação dos juros já em outubro subiu para perto de 55%. O principal evento da semana, porém, será o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping , em Washington, na quinta-feira. Comércio, tarifas, cadeias de suprimentos, Taiwan e inteligência artificial devem ocupar o centro das discussões, após uma rodada considerada positiva entre Scott Bessent e o vice-premiê chinês He Lifeng.

    Os dois lados avançaram na criação de um mecanismo bilateral de notificação para incidentes envolvendo IA com possíveis implicações para a segurança nacional e também discutem uma nova extensão da trégua tarifária, ainda sem consenso sobre sua duração. Para Taiwan , o encontro é particularmente sensível, diante das dúvidas sobre eventuais concessões americanas a Pequim e da preocupação com uma possível mudança na linguagem de Washington em relação à independência da ilha. A apreensão aumentou após relatos de retenção de um pacote de armas de US$ 14 bilhões, em um momento em que a opinião pública taiwanesa se mostra cada vez mais dividida sobre a disposição dos Estados Unidos de manter seu apoio militar.

    · 02:31 — Petróleo recua, mas o risco no Oriente Médio permanece elevado O petróleo abriu em queda pelo quarto pregão consecutivo , com Brent e WTI recuando mesmo diante da escalada militar no Oriente Médio. A melhora recente do fluxo pelo Estreito de Ormuz , o aumento das exportações via Golfo e a expectativa de recuperação parcial do oleoduto saudita Leste-Oeste ajudaram a reduzir o prêmio de risco de curto prazo. Ainda assim, o quadro está longe de uma normalização efetiva: Ormuz continua operando abaixo dos níveis anteriores ao conflito , o corredor até Yanbu permanece comprometido e Bab el-Mandeb também segue sob pressão após o avanço dos houthis e os novos ataques contra a Arábia Saudita.

    A ofensiva do grupo, apoiado pelo Irã, incluiu o lançamento de mísseis e drones contra Riad e instalações da Saudi Aramco, ampliando a vulnerabilidade das principais rotas de escoamento de energia da região. Em paralelo, mecanismos alternativos, como transferências entre navios ao largo de Omã, permitiram recuperar parte dos embarques, embora a custos mais elevados de transporte e seguro. A China também tem funcionado como um importante amortecedor, apoiada por estoques estratégicos próximos de 1,4 bilhão de barris e pela redução das importações no segundo trimestre.

    No campo diplomático, a escalada militar convive com novas tentativas de negociação . Donald Trump afirmou estar em “modo decisão” e disse estar aberto a se reunir com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, durante a Assembleia Geral da ONU, enquanto Teerã sinaliza disposição condicional para retomar as conversas. A retórica, contudo, permanece dura, e Trump voltou a ameaçar a economia e a liderança iranianas caso não haja acordo.

    Os efeitos do conflito também começam a se espalhar de forma mais clara para outros mercados: refinarias europeias foram informadas de cortes nas alocações de petróleo saudita, aumentando a busca por fontes alternativas de suprimento e pressionando referências físicas como o Dated Brent, que chegou a superar US$ 130 por barril. Em paralelo, os Estados Unidos devem avançar em um pacto de segurança com Dinamarca e Groenlândia para ampliar sua presença militar no Ártico. O quadro, portanto, combina algum alívio recente nos preços com uma estrutura de oferta e logística ainda bastante frágil, na qual novos ataques a Ormuz, Yanbu, Bab el-Mandeb ou à infraestrutura saudita podem rapidamente devolver pressão às cotações do petróleo.

    · 03:28 — Diesel em alerta: o gargalo que pode pesar sobre o Brasil O diesel nos Estados Unidos ultrapassou US$ 6,50 por galão pela primeira vez, reforçando a percepção de perda de poder de compra em um ambiente no qual os preços ao consumidor acumulam alta desde 2025 e os combustíveis subiram ainda mais. Ao mesmo tempo, o cenário geopolítico permanece delicado. Mesmo com a sinalização de Trump para conversar com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, a retórica entre Washington e Teerã segue hostil e a falta de confiança entre as partes limita a probabilidade de uma solução rápida.

    Nesse contexto, qualquer avanço diplomático ajuda, mas o mercado de energia continua operando com prêmio elevado de risco. O principal problema, porém, não parece estar apenas na disponibilidade de petróleo bruto, mas na oferta de derivados , especialmente diesel. Petróleo e diesel fazem parte da mesma cadeia, mas não são o mesmo mercado: o barril precisa ser refinado antes de virar combustível.

    Quando há interrupções em refinarias ou quando a capacidade global de processamento fica apertada, pode haver petróleo disponível e, ainda assim, faltar diesel. Isso faz o preço do derivado subir mais rapidamente, aumenta as margens das refinarias e incentiva os produtores a direcionarem combustível para os mercados que pagam mais. Os Estados Unidos têm papel central nessa dinâmica porque possuem grande capacidade de refino e são exportadores relevantes de diesel, de modo que uma eventual restrição às exportações poderia aliviar os preços domésticos, mas apertar ainda mais o mercado internacional.

    Para países importadores como o Brasil, esse quadro exige atenção porque a diferença entre o preço doméstico e o custo de importação pode comprometer a entrada de produto estrangeiro. Se o diesel internacional estiver muito caro, somado a frete e demais custos, enquanto o preço interno permanecer significativamente mais baixo, a arbitragem deixa de funcionar e as importações privadas tendem a cair. Isso aumenta a dependência da produção doméstica, dos estoques e da Petrobras .

    Não significa que haverá necessariamente falta de diesel, mas quanto maior e mais persistente for essa defasagem entre preços internos e externos, maior o risco de dificuldades de abastecimento. · 04:17 — Europa sob pressão: fragmentação política e guerra redesenham o cenário regional Na Alemanha , as eleições regionais ampliaram a pressão sobre o governo do chanceler Friedrich Merz e evidenciaram uma perda expressiva de espaço da CDU. Em Mecklenburg-Vorpommern, a AfD terminou em primeiro lugar, com 38,2% dos votos, enquanto a CDU obteve apenas 4,9% e ficou fora do Parlamento estadual, registrando seu pior desempenho em uma eleição regional no período pós-guerra.

    Em Berlim, o Die Linke venceu com 25,7%, à frente da CDU, que alcançou 18,8%. Embora esses resultados não alterem diretamente a composição do governo federal, eles enfraquecem politicamente Merz , que afirmou pretender permanecer no cargo, e reforçam um movimento mais amplo de fragmentação do eleitorado alemão. Esse ambiente político mais disperso tende a tornar mais difícil a formação de maiorias e, consequentemente, a implementação de reformas econômicas e fiscais, justamente em um momento em que a Europa convive com desafios relevantes de crescimento, competitividade e segurança.

    Esse pano de fundo europeu se conecta a outro elemento central do cenário geopolítico: a Rússia . As eleições legislativas realizadas entre 18 e 20 de setembro preservaram o domínio do partido governista Rússia Unida sobre a Duma Estatal. Os resultados preliminares apontaram cerca de 58% dos votos na lista partidária e uma projeção de 355 das 450 cadeiras, em um pleito marcado pela ausência de parcela relevante da oposição e por fortes restrições políticas.

    Foi a primeira eleição para a Duma desde a invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022, e a votação também ocorreu em territórios ucranianos ocupados e anexados pela Rússia. Além disso, foram abertas seções eleitorais na Transnístria, apesar das objeções apresentadas pelo governo da Moldávia. O resultado, portanto, reforça a continuidade política interna em Moscou ao mesmo tempo em que o conflito permanece como um dos principais vetores de risco para a região.

    E é justamente na Ucrânia que esse risco segue se materializando de forma mais concreta. As aten

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