IFI: Folga na Previdência é contraditória com fila do INSS zerada
O diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado Federal, Marcus Pestana, avaliou que a informação divulgada pela equipe econômica de que as despesas com Previdência geraram “folga” é contraditória com a notícia de que “zeraram” a fila de espera para concessão de benefícios do INSS, que havia superado 3 milhões de pedidos em fevereiro. “Temos que aguardar o relatório de avaliação de receitas e despesas primárias que sai esta semana. Mas o que importa estrategicamente é que fica esse bolero ‘são dois pra lá, dois pra cá’, mas o resultado primário efetivo é muito distante do necessário para estabilizar a dívida e criar o ambiente para a queda dos juros”, disse Pestana à Broadcast .
Leia Mais INSS prorroga por um ano auxílio-doença sem perícia presencial Trump apoia proibição da exportação de diesel devido a preços recordes Crescimento de 2% para o Brasil em 2026 ainda é otimista, diz Salto A IFI estima que o superávit teria que ser de 2% do PIB , ou seja, cerca de R$ 260 bilhões . “A gente fica preso a supostos espaços de R$ 19,6 bilhões , com bandas de tolerâncias e descontos de despesas na apuração da meta”, criticou. Nesta segunda-feira (21) o ministro do Planejamento e Orçamento , Bruno Moretti, disse que o governo federal identificou um espaço fiscal de R$ 19,6 bilhões no orçamento deste ano, o que permitiu o reajuste de 15,04% no Bolsa Família , anunciado na semana passada.
Pestana avalia que o governo costuma deixar “alguma gordura” em despesas como, por exemplo, com pessoal. Ele também analisa que a receita do petróleo com a permanência da guerra no Irã ajudou a criar um espaço adicional. Em entrevista ao portal G1, Moretti afirmou que houve quedas nas projeções para as despesas previdenciárias, para os gastos com o BPC (Benefício de Prestação Continuada), para as despesas de pessoal e em subsídios.
A queda mais substancial foi nos benefícios previdenciários, em que houve uma redução da projeção de crescimento em R$ 11,5 bilhões . Conforme mostrado pelo Estadão/Broadcast , o Ministério da Previdência usa dois critérios principais para dizer que a fila hoje está zerada: o tempo médio de concessão (de 34 dias em agosto) e adoção de um critério que considera a capacidade de análise do INSS em relação ao volume de entrada de novos pedidos – o que chama de fluxo de atendimento. Em agosto, a fila de pedidos iniciais ficou abaixo da de novos pedidos.
O ministério argumenta que, como o estoque de pedidos iniciais ficou abaixo do volume de novos pedidos, há um fluxo. No entanto, embora avaliem que houve uma melhora na administração da fila, especialmente após a saída do ex-ministro Carlos Lupi, especialistas questionam o anúncio do governo de que zerou a fila, pois o número de indeferimentos aumentou substancialmente e os pedidos negados podem voltar a aumentar o fluxo em breve. ]]>
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