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    Ilha paradisíaca que virou refúgio secreto de mães chinesas para driblar a lei do filho único e ter bebês americanos está com os dias contados
    CNN Brasil·29 de out., 15:00

    Ilha paradisíaca que virou refúgio secreto de mães chinesas para driblar a lei do filho único e ter bebês americanos está com os dias contados

    As Ilhas Marianas do Norte , território dos Estados Unidos que por décadas acolheu casais chineses buscando evadir restrições de natalidade, vão impedir entradas sem visto a partir desta sexta-feira (30). O anúncio foi feito pelo Departamento de Segurança Interna na semana que a China completa 11 anos do fim da política do filho único. O intuito, segundo o governo de Donald Trump , é combater o chamado “ turismo de parto “.

    Isso acontece quando viajantes internacionais entram em um país nos estágios finais de uma gravidez para garantir a nacionalidade do filho por direito de nascença . Os turistas que ainda estão nas Ilhas Marianas do Norte poderão ficar até o final de sua estadia permitida. Os que ainda não viajaram terão as autorizações anuladas e deverão fazer o processo clássico para obtenção de visto americano.

    A mudança teve recepção mista. Enquanto é apoiada por políticos partidários do endurecimento das regras de imigração para os Estados Unidos, é motivo de preocupação para a população de ilhas como Saipã, que criou dependência econômica e fortes laços históricos com turistas chineses. A ilha de Saipan, nas Ilhas Marianas do Norte, território dos Estados Unidos no Oceano Pacífico • Wikimedia Commons Leia Mais: Trump diz que Lula pediu que ele não tomasse partido na eleição brasileira Netanyahu intensifica ataques a partidos árabes sob risco de perder poder Flávio e família receberam autorização para permanecer nos EUA por um ano Uma ilha paradisíaca com muitos “donos” Saipã, ilha de 52 mil habitantes e importante ponto turístico no Oceano Pacífico, tem uma história conturbada.

    Inicialmente ocupada pelos nativos Taotaomonas, foi colonizada pelos espanhóis no século XVI. Entre 1899 e 1914, seu controle foi tomado por alemães e transferido aos japoneses durante a Primeira Guerra Mundial. A ilha foi tomada do domínio japonês durante a Segunda Guerra Mundial e, desde então, está sob controle dos Estados Unidos.

    Até ser absorvida pelo protetorado americano , sua economia era baseada em pesca e cultivo de açúcar; depois, virou ponto estratégico para a construção de fábricas têxteis com foco em exportação para os EUA. Uma série de críticas às condições de trabalho nestas fábricas, que passaram a competir com a indústria americana, fizeram com que o setor perdesse força e resultaram em crise econômica na ilha. Para estimular outras fontes de renda, em 2009, o então presidente Barack Obama decidiu flexibilizar a entrada em Saipã.

    Visitantes chineses e russos agora podiam visitar o território e aproveitar suas praias, resorts e cassinos por até 15 dias sem precisar de visto . O incentivo coincidiu com um importante programa que transformou a população chinesa: a política do filho único . Graças ao direito à cidadania por nascimento, protegido pela Constituição dos EUA, Saipã acabou permitindo que mães chinesas evadissem o controle de natalidade dando à luz filhos americanos.

    Bebê recém-nascido em maternidade chinesa • Unsplash O que foi a política chinesa do filho único? Entre 1979 e 2015, a República Popular da China manteve dura restrição ao crescimento populacional no território continental. Para conter um número de habitantes que se aproximava de 1 bilhão na década de 1970, o governo instituiu diversos programas de controle de natalidade, por fim, limitou parte de suas famílias a um único descendente .

    Durante os 35 anos da política, chineses com mais de um filho eram submetidos a multas, exoneração de cargos públicos e, em alguns casos, abortos forçados e esterelizações compulsórias. Entre as exceções à regra estavam as minorias étnicas, moradores de zonas rurais cujo primeiro descendente fosse do sexo feminino e, na prática, a famílias ricas, que simplesmente arcavam com a multa . O fim da restrição foi anunciado em 29 de outubro 2015 e entrou em efeito em janeiro de 2016, primeiro permitindo até dois filhos e, por fim, eliminando qualquer limite.

    Como Saipã virou berço para filhos americanos de mães chinesas A partir de 2009, este trecho de ilha tornou-se o único território dos Estados Unidos em que cidadãos chineses poderiam entrar sem visto . Ainda, qualquer criança parida no local estava protegida pelo direito à cidadania automática por nascimento, ou “ birthright citizenship “. Dados do governo das Ilhas Marianas do Norte começaram a mostrar mudanças populacionais: em 2009 nasceram em Saipã apenas oito crianças de turistas chinesas; em 2016, já nasciam mais crianças de mães chinesas do que saipanesas.

    O crescimento exponencial veio durante a política do filho único, que restringia nascimentos na China continental; mas a prática persistiu mesmo depois de 2015. Além de Saipã, outros territórios receberam grandes quantidades de famílias buscando ter mais descendentes. Hong Kong, território autônomo da China, foi o principal, graças à proximidade e acessibilidade.

    Los Angeles (EUA), Canadá, Austrália e países do sul da Ásia também foram destinos populares. ]]>

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