Incêndios no Pará Mobilizam 522 Brigadistas e R$ 300 Milhões em Recursos Federais
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. O oeste do Pará concentra uma operação federal de combate a incêndios florestais que mobiliza 522 brigadistas, 41 veículos terrestres e 13 aeronaves, em uma região onde o uso irregular do fogo, a ocupação de terras e a estiagem compõem o cenário investigado pelas autoridades ambientais. No estado que lidera as ocorrências de incêndios florestais no país, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), há 321 eventos de fogo ativos em 76 municípios.
O governo anunciou nesta quinta-feira (22), o reforço das equipes em campo, enquanto 16 municípios paraenses já decretaram situação de emergência e a União abriu crédito extraordinário de R$ 300 milhões para ações da Defesa Civil em diferentes regiões do Brasil. “Acionamos a Força Nacional de Segurança para auxiliar no trabalho dos brigadistas”, afirmou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, em entrevista coletiva, segundo reportagem da Agência Brasil. O reforço policial foi solicitado após relatos de ações destinadas a dificultar o trabalho das equipes de combate aos incêndios.
As autoridades investigam a possibilidade de que parte das queimadas esteja relacionada a práticas criminosas em áreas de ocupação irregular, mas ainda não há confirmação sobre a origem intencional dos incêndios investigados. A região conhecida como Chapadão, na divisa dos municípios de Santarém e Uruará, concentra 62 incêndios florestais identificados pelo governo. O território fica nas proximidades da rodovia estadual PA-370 e da Transamazônica (BR-230), em uma área que reúne assentamentos da reforma agrária, reservas legais e ocupações irregulares.
A operação federal também abrange áreas relacionadas ao município de São Félix do Xingu, no sudeste do Pará, onde o combate ao fogo integra as ações coordenadas pelos órgãos ambientais. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), os incêndios estão concentrados em áreas ocupadas irregularmente, incluindo assentamentos e reservas legais. Nesses locais, o órgão identificou práticas irregulares de manejo com utilização intencional do fogo.
A informação acrescenta uma dimensão fundiária ao trabalho de combate às chamas, uma vez que os agentes ambientais precisam atuar em territórios onde também são investigadas possíveis infrações relacionadas à ocupação e ao uso da terra. Capobianco afirmou que as forças policiais estão apurando a possibilidade de ações deliberadas para provocar incêndios. “Não estamos afirmando que há ocorrência direta [de incêndios criminosos], mas isto está sendo investigado”, disse o ministro.
O governo também orientou a população a evitar o uso do fogo sem manejo adequado e a comunicar possíveis práticas criminosas às autoridades. 991 focos de calor no Pará, número que, segundo os dados apresentados pelo governo, representa aumento de 610 registros em relação ao período de comparação mencionado na divulgação . O levantamento por satélite permite identificar anomalias térmicas associadas à presença do fogo, enquanto os dados operacionais apresentados pelo MMA contabilizam os incêndios florestais em atendimento.
O estado ocupa a primeira posição nacional em ocorrências, segundo a plataforma Queimadas, mantida pelo Inpe. Para ampliar a capacidade de resposta no Chapadão, seis aviões do modelo Air Tractor serão posicionados na região de Santarém. As aeronaves são utilizadas no lançamento de água sobre as áreas atingidas, em apoio ao trabalho terrestre dos brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A mobilização integra a estrutura de 13 aeronaves informada pelo governo federal para a operação. Seca amplia situação de emergência nos municípios A extensão dos incêndios também alcança áreas urbanas, rurais e ribeirinhas de municípios paraenses. Em Altamira, no sudoeste do estado, a prefeitura decretou situação de emergência diante dos efeitos da estiagem e das queimadas.
Outros 15 municípios adotaram a mesma medida, enquanto sete pedidos de reconhecimento federal permanecem em análise, conforme as informações divulgadas em 22 de outubro. O reconhecimento federal da situação de emergência faz parte dos procedimentos que permitem aos municípios solicitar apoio da União para ações de resposta a desastres. No caso do Pará, o governo aponta limitações na capacidade de atendimento das administrações municipais, principalmente diante do número de ocorrências e da necessidade de mobilizar equipes e equipamentos para enfrentar os incêndios em diferentes localidades .
398/2026. O texto abre crédito extraordinário de R$ 300 milhões no Orçamento de 2026 para ações da Defesa Civil em várias regiões do país, com atenção ao aumento das queimadas na Amazônia. Os recursos não se destinam exclusivamente ao Pará e integram as medidas federais de enfrentamento aos efeitos da estiagem e dos incêndios florestais.
Na justificativa apresentada para a abertura do crédito, o governo relaciona a escassez de chuvas na região à influência do fenômeno El Niño, em um cenário de crescimento do número de municípios classificados em situação de seca moderada a severa. O documento também aponta a capacidade limitada de resposta das administrações municipais como um dos motivos para a necessidade de apoio financeiro federal. A fumaça dos incêndios também alcança áreas habitadas do oeste paraense.
Em Santarém, a qualidade do ar foi classificada como insalubre, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, enquanto Alter do Chão, distrito do município, está entre as localidades atingidas pelas chamas. A situação acrescenta os efeitos da poluição atmosférica às consequências dos incêndios que avançam sobre áreas florestais e rurais. A operação reúne ações de combate aéreo e terrestre, fiscalização ambiental e apoio das forças de segurança, com prioridade para as ocorrências identificadas no Chapadão .
A participação da Força Nacional foi determinada em um contexto de investigação sobre possíveis interferências no trabalho dos brigadistas e suspeitas de uso criminoso do fogo, cuja apuração permanece em andamento. “Estamos trabalhando nas ações preventivas em relação a esse fenômeno que vem tornando nossas florestas mais suscetíveis a incêndios desde 2024”, afirmou Capobianco. Enquanto os aviões são direcionados à região de Santarém e as equipes permanecem mobilizadas no oeste paraense, sete municípios ainda aguardam a análise dos pedidos de reconhecimento federal da situação de emergência.
(Com Agência Brasil) O post Incêndios no Pará Mobilizam 522 Brigadistas e R$ 300 Milhões em Recursos Federais apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>
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