Incerteza refletiu nas expectativas para 2027, diz Victal
O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa básica de juros no patamar atual, em decisão amplamente esperada pelo mercado. Nathalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, avaliou a decisão em entrevista ao CNN Money , destacando que a expectativa de manutenção era “praticamente unânime” entre os economistas, e que incertezas refletem nas expectativas para 2027. Segundo Nathalie Victal, o principal fundamento para a manutenção dos juros foi a desancoragem das expectativas de inflação ocorrida na semana anterior à reunião.
Leia Mais Cenário para os próximos meses é bastante incerto, diz Loyola à CNN BC vê inflação mais elevada em todo horizonte até 2028 BC destaca "aumento significativo" da incerteza no mercado; leia comunicado “Foi uma desancoragem muito forte, muito intensa e muito rápida”, afirmou a economista. Ela acrescentou que esse movimento provavelmente gerou desconforto na autoridade monetária, levando-a a optar pela manutenção da taxa. Apesar disso, Nathalie avaliou que a barra para uma elevação dos juros parece muito elevada.
Isso porque o próprio comunicado do Copom destacou que a desaceleração da atividade econômica tem sido mais acentuada do que o esperado. “A mensagem que o Banco Central passa é que está, sim, preocupado com a desancoragem das expectativas, mas os pontos que ele inclui no comunicado são muito mais relacionados à desaceleração da atividade”, explicou. A economista ressaltou que, em momentos de desancoragem de expectativas, o Banco Central desempenha um papel crucial para evitar que o processo se retroalimente.
“Desancoragens adicionais podem comprometer até mesmo a capacidade do Banco Central de resposta a uma atividade econômica mais fraca, porque expectativa de inflação mais alta significa que trazer a inflação para a meta é mais custoso”, afirmou Nathalie. Nesse contexto, ela interpretou a postura de cautela adotada pela autoridade monetária como uma tentativa de preservar sua credibilidade e seu instrumento de política monetária. Ao mesmo tempo, ao destacar a desaceleração da atividade, o Banco Central sinalizaria intencionalmente que não pretende elevar os juros nas próximas reuniões.
Nathalie Victal apontou uma série de incertezas que, em sua avaliação, contribuíram para a deterioração das expectativas de inflação para horizontes mais longos, como 2027, 2028 e 2029. Entre os fatores citados estão as dúvidas sobre a continuidade dos subsídios sobre combustíveis, os impactos da reforma tributária – cuja alíquota discutida no TCU veio acima do esperado pela maioria dos economistas – e a percepção de uma trajetória de crescimento contínuo da dívida pública. “A gente tem aqui uma série de pontos de incerteza que acabaram se refletindo nas expectativas para 2027 em diante”, disse a economista.
Ela ponderou que a reversão desse quadro dependeria de entregas concretas tanto do ponto de vista fiscal quanto de política econômica como um todo, e que o Banco Central, sozinho, teria dificuldade em promover a reancoragem das expectativas caso as causas sejam de natureza não estritamente monetária. Questionada sobre o impacto do cenário externo – marcado por altas de juros em diversas economias desenvolvidas –, Nathalie avaliou que a política monetária brasileira tem histórico de desacoplamento em relação à de outros países, dadas as características da economia nacional. Copom de novembro será um dos mais desafiadores para Galípolo, diz economista | MONEY NEWS No entanto, ela ressaltou que o movimento sincronizado de aperto monetário global acaba influenciando o Brasil via taxa de câmbio.
“Um dos determinantes da taxa de câmbio é o diferencial de juros do Brasil em relação a outros países”, explicou, acrescentando que esse diferencial afeta a atratividade do país para investidores estrangeiros. Ao comentar o balanço de riscos do Copom, que cita estímulos à demanda agregada como fator de risco para a inflação, Nathalie explicou que o Banco Central tem sido surpreendido de forma recorrente pela resiliência do consumo das famílias. Segundo ela, medidas fiscais, parafiscais e creditícias – como políticas de transferência de renda – acabam contrabalançando o efeito contracionista da política monetária .
“Por um lado, o Banco Central tenta desacelerar o consumo das famílias via seu canal de transmissão. Por outro, se há medidas que estimulam esse consumo, você tem forças puxando em direções opostas”, concluiu a economista. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação.
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