Indígenas denunciam ameaças após eleições no MS
O povo indígena Terena, localizado no Mato Grosso do Sul, denunciou, nesta terça-feira (27), ameaças, intimidações e episódios de racismo dentro das próprias aldeias durante o segundo turno das eleições presidenciais. A APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), ainda publicou situações em que os indígenas foram impedidos de votar em escolas localizadas nas aldeias . Muitos ainda foram chamados de “bugres”, termo pejorativo, racista e histórico usado no Brasil para designar os povos originários.
Um dos áudios pulicados em meio a denúncia mostra o desejo de um homem de que os povos não deveriam votar . Leia Mais Justiça garante transporte e intérpretes para quilombolas irem às urnas Mato Grosso registra 14 ocorrências nas eleições, incluindo compra de voto MPT soma 946 denúncias de assédio eleitoral entre primeiro e segundo turno Indígenas e entidades cobram que TSE forneça transporte para votação | CNN 360º “Senão nós não vamos começar a botar isso, trabalhar, mandar fechar a porteira para não sair mais para a cidade, porque índio é só no mato. E cortar luz, cortar água, porque índio também não pode ter nada disso, é só lamparina.
E água no poço. E eu acho que o índio também não podia voltar”, ressaltava um dos áudios da denúncia. A APIB destacou que repudia essas violações e exige que as denúncias sejam investigadas, com a responsabilização dos envolvidos e a garantia da segurança das comunidades.
“O direito ao voto é de todos! Nenhum povo indígena pode ser ameaçado, discriminado ou silenciado por exercer seus direitos políticos”, ainda afirmou o órgão. A CNN Brasil entrou em contato com o Governo do Mato Grosso do Sul, com a Polícia Federal e com o Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul, mas até o momento não obteve resposta.
Povo Terena O s Terena são um povo indígena falante de língua Aruak. Atualmente, uma das maiores populações indígenas do país , habitam terras indígenas em dois estados brasileiros, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Os Ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR), por meio de nota, apontaram que estão atuando em conjunto para investigar as denúncias de violência relacionadas aos povos indígenas, comunidades quilombolas e povos de terreiro, após o segundo turno das eleições.
“É inaceitável que discordâncias políticas possam ter como resultado o uso de violência para reprimir e intimidar opiniões diferentes, colocando em risco a vida das pessoas. Vivemos em um país democrático em que as diferentes visões de mundo devem ser respeitadas e coexistir de forma pacífica e livre”, afirmou a nota. ]]>
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