Indústria diz que manutenção da Selic em 13,75% é injustificável
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) classificou como equivocada e excessivamente conservadora a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. Para a entidade, a manutenção dos juros elevados encarece o crédito, reduz investimentos e consumo e prejudica a atividade econômica. 2026), a confederação defendeu a retomada do ciclo de cortes da Selic na reunião de dezembro.
A entidade avalia que há espaço para reduzir os juros sem comprometer o controle da inflação, apesar da piora das expectativas depois das eleições presidenciais. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o custo da política monetária restritiva se tornou excessivo para empresas e famílias. “A Selic permanece muito alta e isso afeta crédito, investimentos e a atividade econômica.
É verdade que as expectativas para a inflação pioraram, mas o IPCA segue dentro do intervalo da meta no chamado horizonte relevante da política monetária” , declarou. Segundo Alban, a redução dos juros pode ocorrer em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor custos adicionais à economia. JUROS REAIS A CNI calcula que, com a Selic em 13,75%, os juros reais permanecem em aproximadamente 8,4% ao ano, acima da taxa neutra estimada em 5%.
Esse indicador representa o nível de juros que não estimula nem restringe a atividade econômica. A entidade afirma que a política monetária brasileira está em território contracionista há 58 meses. No horizonte relevante para as decisões do Banco Central, atualmente o 2º trimestre de 2028, a mediana das expectativas de inflação do Boletim Focus está em 4%.
Embora acima do centro da meta de 3%, a projeção permanece dentro do intervalo de tolerância, cujo limite superior é de 4,5%. Para a CNI, esse cenário não justifica a interrupção do ciclo de redução da Selic. RISCO FISCAL A confederação também criticou o desalinhamento entre as políticas fiscal e monetária.
Segundo a entidade, a reação negativa dos mercados depois do 2º turno das eleições, marcada pela desvalorização do real, alta dos juros futuros e queda da Bolsa, reflete o aumento da percepção de risco fiscal. A CNI destacou 3 fatores de preocupação: fiscal – a meta de resultado primário só será cumprida com o uso das deduções permitidas pela legislação; dívida – a dívida pública continua em trajetória de crescimento, com parcela elevada do estoque indexada à Selic; ameaça – o risco fiscal é percebido pelo mercado como a principal ameaça à estabilidade financeira e monetária. A entidade argumenta que a manutenção dos juros elevados aumenta o custo de financiamento da dívida pública, especialmente porque parte expressiva dos títulos federais acompanha a taxa básica.
Para a confederação, a deterioração das expectativas provocada pelas contas públicas precisa ser enfrentada com medidas fiscais, e não com a manutenção dos juros elevados por mais tempo. “Um choque de origem fiscal pede resposta no campo fiscal” , afirmou a CNI no documento. A entidade defende um compromisso crível com o equilíbrio das contas públicas para reduzir os prêmios de risco e permitir uma queda mais rápida e sustentável dos juros.
ENDIVIDAMENTO A CNI afirma que os efeitos da política monetária restritiva já aparecem nos indicadores da atividade econômica. Na Sondagem Industrial de setembro, os estoques indesejados atingiram o maior nível desde outubro de 2023. A avaliação dos empresários sobre as margens de lucro foi a pior desde a pandemia.
A entidade também destacou a perda de dinamismo do comércio e dos serviços. Em agosto, as vendas do varejo estavam aproximadamente 1% abaixo do nível de janeiro, enquanto o volume de serviços permanecia praticamente estagnado desde o fim de 2025. O impacto dos juros também aparece no endividamento das famílias.
Segundo os dados citados pela CNI, o comprometimento da renda chegou a 29% em agosto, maior nível em 21 anos. O endividamento atingiu 50,1% da renda acumulada em 12 meses, um recorde. Na indústria, uma consulta realizada em outubro mostrou que: 51,9% – dos empresários esperam maior necessidade de financiamento para pagar fornecedores nos próximos 3 meses; 56,9% – projetam redução das margens de lucro.
Para a CNI, a combinação de crédito caro, endividamento elevado e perda de dinamismo da atividade reforça a necessidade de retomada dos cortes da Selic na próxima reunião do Copom, em dezembro. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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