Investidores de debêntures e CRAs da Raízen vão escolher entre virar acionistas ou aceitar perda de até 80%
Quem investiu em debêntures ou CRAs da Raízen viverá momentos decisivos entre novembro e dezembro para a perspectiva de recuperar parte do dinheiro aplicado. Isso porque os representantes dos debenturistas e daqueles com certificados de recebíveis do agronegócio vão ter de escolher entre três opções de pagamentos . A previsão é que o período para escolha comece em 7 de dezembro.
Leia também Negócios Com mais de R$ 60 bilhões em dívidas, Raízen será dividida em duas empresas e terá novo comando Como o plano de recuperação extrajudicial foi homologado pela Justiça, a escolha se tornou obrigatória a todos os credores, mesmo aqueles que não haviam aderido ao processo. Ou seja, não dá para simplesmente esperar o vencimento original. Para quem tem debêntures, a escolha passa pelo agente fiduciário de cada emissão.
Nos CRAs, a securitizadora exerce a opção, e a decisão vale para todos os titulares do papel, sem escolha individual. Em muitos casos, as assembleias de cotistas ou investidores já foram realizadas. Além disso, para operacionalizar a troca, a B3 vai bloquear os títulos por 120 dias corridos a partir do fim do período de escolha, previsto para fim de dezembro.
Nesse intervalo, não será possível vendê-los no mercado secundário. Conforme a securitizadora Opea, responsável por cinco séries de CRAs da Raízen que somam mais de R$ 7 bilhões, de acordo com as assembleias realizadas, investidores com créditos acima de R$ 13 mil por emissão vão entrar na opção A. Aqueles com até R$ 13 mil na emissão, vão ser enquadrados na opção C.
Segundo a securitizadora, o limite de R$ 13 mil é apurado por emissão, não por série nem por CPF. Explicamos as opções de pagamentos a seguir. Opção A: ações e dívida nova A Opção A combina participação acionária e dívida nova.
A proposta original prevê que 45% do crédito seja convertido em units da holding Raízen , cada uma formada por uma ação ordinária e uma preferencial, ao preço de R$ 0,25 por ação ou R$ 0,50 por unit . Há um ponto de atenção em particular: em 30 de outubro houve a aprovação da divisão da companhia em duas. A Raízen Combustíveis será a empresa que ficará com a distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell , enquanto a Raízen Energia vai concentrar a produção e a comercialização de açúcar, etanol e bioenergia.
Com isso, as units recebidas da Raízen serão divididas em 1 unit da Raízen Combustíveis e 1 unit da Raízen Energia , sendo a precificação de R$ 0,25 por unit de cada empresa. Leia também Negócios Raízen dá à Shell direitos sobre negócio de distribuição de combustíveis em reestruturação O valor de R$ 0,25 por ação é o mesmo pago pela Shell em seu aporte de R$ 3,5 bilhões e pelo eventual aporte de R$ 500 milhões que pode ser feito pelo Aguassanta, veículo de investimento do fundador da Cosan, Rubens Ometto. Os 55% restantes se tornam dívida nova, dividida entre a Raízen Combustíveis, com 37,4% do crédito original, e a Raízen Energia, com 17,6%.
800 ações, e R$ 550 em novos títulos. Desse segundo valor, R$ 374 vão para debêntures da área de combustíveis e R$ 176 para CRAs da Raízen Energia. Leia também Negócios Às vésperas de assembleia, Raízen fecha acordo para regularizar R$ 22,4 bilhões em dívidas com a União Os títulos da companhia de combustíveis vão pagar o equivalente a CDI + 2,75% ao ano, com amortização em duas parcelas iguais, em 2032 e 2034.
Os de energia rendem CDI + 1,25%, com vencimentos em 2033 e 2035, e ambos pagam juros semestrais. Para as debêntures incentivadas e CRAs IPCA+, o plano prevê instrumentos que preservam a isenção de Imposto de Renda, remunerados a IPCA + 9% ao ano. Previsão de resgate antecipado Nos três primeiros anos, a proposta prevê ainda que a Raízen Energia poderá incorporar os juros ao principal em vez de pagá-los em dinheiro.
Se usar esse mecanismo, pagará um prêmio de 2 pontos percentuais, e o spread sobe para CDI + 3,25%. Para o investidor, isso significa mais rendimento acumulado, mas menos caixa no início. O plano também obriga a companhia a antecipar pagamentos, sem prêmio, quando vender ativos ou gerar caixa excedente.
Leia também Negócios Mubadala e FS avaliam compra de dívida da Raízen que pode ser convertida em ações Após a conversão em ações, representantes dos maiores credores indicarão 4 dos 7 assentos do conselho, incluindo a presidência. Nas contas da XP, os credores ficarão com cerca de 83% da empresa, contra 13% da Shell e 3% da Cosan. Quem não quiser ficar com ações pode nomear um comissário para receber as units e vendê-las, com o custo da contratação bancado pela Raízen.
O problema nesse caso será que o dinheiro que o detentor do título vai recuperar dependerá da cotação no momento da venda. Um dos principais riscos da Opção A, portanto, refere-se ao fato de que 45% da aplicação troca o risco da renda fixa pelo da renda variável. Opção B: desconto agressivo A Opção B, basicamente, propõe uma perda explícita em troca de receber o restante de uma vez.
O credor aceita um corte de 80% sobre o valor do crédito. Mas não recebe de imediato. A Raízen só vai pagar os 20% em uma única parcela, em 31 de março de 2047, daqui a cerca de 21 anos.
A correção será apenas pela TR (Taxa Referencial), e a companhia poderá antecipar o pagamento pelo valor presente, com uma taxa de desconto que equivale à Selic projetada mais 2,25 pontos percentuais. 750. 000 aplicados.
750 (75% do valor original). 750 de recebimento, uma recuperação de 48,8% do valor investido. Isso porque 75% da dívida ultrapassa esse teto definido.
Leia também Negócios Justiça aprova plano de recuperação extrajudicial da Raízen Há, porém, um limite de R$ 150 milhões para o total pago nessa modalidade. Nesse caso, o pagamento será feito em parcela única após o fechamento do plano, previsto para 31 de março de 2027. Se a demanda superar esse valor, os créditos serão atendidos dos menores para os maiores até esgotar o limite.
Quem ficar de fora será transferido automaticamente para a Opção A. Próximos passos Nenhuma das três alternativas reproduz as condições originais dos títulos, é importante destacar. A escolha, na prática, passa por aceitar uma perda definida, nas opções B e C, ou apostar na recuperação da companhia no longo prazo, na Opção A, com prazos que se estendem até 2035.
O plano de recuperação extrajudicial foi homologado pela Justiça em 30 de julho e entra agora na fase de implementação. O primeiro passo concreto é a escolha entre as três formas de pagamento oferecidas aos credores. A principal condição pendente para destravar o calendário era o acordo tributário com a União, anunciado pela Raízen em 28 de outubro.
Com isso, a expectativa é que os chamados Materiais de Eleição sejam divulgados por volta de 16 de novembro. A previsão é que o período para escolha das opções de recebimento comece em 7 de dezembro e se estenda por 20 dias, portanto até 27 de dezembro. Leia também Negócios Raízen conclui venda de operações na Argentina por US$ 1,42 bilhão O fechamento da operação, com a emissão dos novos títulos e das novas ações, tem como data-limite 31 de março de 2027.
A separação da Raízen em duas companhias, uma de distribuição de combustíveis e outra de açúcar, etanol e bioenergia, está prevista para o fim de 2027. Como o processo envolve cisões e outros movimentos societários complexos, o cronograma ainda pode sofrer atrasos. O consolo é que as novas dívidas chegam mais protegidas do que as antigas, que contavam apenas com fiança das empresas do grupo.
Na Raízen Energia, a garantia será a alienação fiduciária de ações de sociedades de propósito específico. Na área de combustíveis, a garantia é física: recai sobre a planta de lubrificantes e tanques selecionados, em ambos os casos com prioridade sobre esses ativos. ]]>
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