Israel suspeita de interferência de Turquia e Catar nas eleições
O serviço de segurança interna de Israel, Shin Bet, suspeita de que uma possível operação de financiamento estrangeiro foi destinada a interferir nas eleições parlamentares realizadas nesta terça-feira, 27. Catar e Turquia aparecem entre os países mencionados. A apuração rastreia possíveis transferências de recursos para organizações ligadas à mobilização de eleitores árabes, segundo a mídia israelense.
+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste O Shin Bet busca esclarecer se valores expressivos foram utilizados para estimular a participação eleitoral por meios ilegais. Os investigadores também examinam movimentações financeiras realizadas por casas de câmbio e instituições locais, algumas delas supostamente associadas a mecanismos anteriormente empregados no financiamento de atividades terroristas. Ainda não há comprovação da origem, do destino ou da utilização irregular desses recursos.
Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por הכנסת | knesset (@theknesset) O presidente do Comitê Eleitoral Central, juiz Noam Sohlberg, determinou que o diretor do Shin Bet, David Zini, aprofundasse as investigações. Em documento encaminhado nesta quarta-feira, 28, o magistrado classificou as denúncias como graves, mas ressaltou que não dispunha de elementos suficientes para confirmar sua procedência. Também solicitou a apresentação de eventuais descobertas no prazo de uma semana, em razão dos limites legais para contestar os resultados das urnas.
O Shin Bet já possuía informações de inteligência sobre possíveis remessas clandestinas antes da votação, mas não as havia comunicado à autoridade eleitoral. Na noite de quarta-feira, Zini apresentou novos dados a Sohlberg e, por iniciativa própria, reuniu-se com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para tratar das suspeitas. O governo do Catar rejeitou com ênfase qualquer envolvimento em tentativas de interferência no processo eleitoral israelense.
A carta de Sohlberg, por sua vez, não mencionou nominalmente governos estrangeiros ou legendas políticas. Em uma investigação policial distinta, sete homens foram detidos sob suspeita de compra de votos em benefício do partido árabe Ra'am. Três deles, moradores de localidades do deserto do Neguev, foram presos no dia da eleição.
Outros quatro tiveram a prisão anunciada na quinta-feira. Durante as buscas, agentes apreenderam envelopes com dinheiro, cédulas eleitorais da legenda e outros materiais considerados relevantes. O caso passou à responsabilidade da unidade nacional de combate a fraudes, vinculada à Lahav 433.
Até o momento, não foi estabelecida ligação entre essas detenções e o suposto financiamento internacional. A participação dos eleitores árabes cresceu expressivamente no pleito, o que contribuiu para um avanço conjunto de pelo menos cinco cadeiras conquistadas pela Lista Conjunta e pelo Ra'am, conforme a mídia israelense. O aumento do comparecimento, entretanto, não constitui evidência de irregularidade.
O Likud, partido de Netanyahu, acusa as legendas árabes de manipular a disputa mediante pagamentos ilícitos, intimidação e fraudes. Seus representantes afirmaram ter reunido centenas de depoimentos e documentos e pretendem questionar judicialmente a votação em seções consideradas suspeitas. A sigla também defendeu que os partidos sionistas não negociem com o Ra'am ou com a Lista Conjunta para formar um governo ou substituir o presidente do Parlamento .
A polícia israelense contestou a narrativa de que a eleição teria sido roubada. Segundo a corporação, foram registrados relativamente poucos incidentes relacionados à lisura do pleito, sem elementos investigativos ou de inteligência que sustentassem as acusações mais abrangentes. O comissário Danny Levy assegurou que todas as denúncias serão examinadas de maneira imparcial e que eventuais responsáveis por crimes eleitorais responderão à Justiça.
As declarações do Likud provocaram reações de adversários políticos. Sami Abu Shehadeh, presidente do Balad, classificou as acusações como uma difamação racista e afirmou que Netanyahu e seus aliados estariam preparando argumentos para desconsiderar a decisão dos eleitores. Gadi Eisenkot, dirigente do Yashar, defendeu a investigação integral das denúncias, mas advertiu contra tentativas de utilizar o episódio para adiar a posse da 26ª legislatura do Knesset.
Divulgação de resultados das eleições em Israel Yair Golan, líder dos Democratas, também pediu rigor na apuração, ao mesmo tempo que acusou o primeiro-ministro de tentar deslegitimar o resultado, especialmente os votos da população árabe. A deputada Naama Lazimi, da mesma legenda, comparou a postura do Likud aos acontecimentos de 6 de janeiro de 2021, quando manifestantes invadiram o Capitólio dos Estados Unidos . Ela ainda defendeu uma nova votação sobre a possibilidade de declarar o Catar um Estado inimigo.
Apesar da controvérsia, uma fonte do Comitê Eleitoral Central informou ao The Jerusalem Post que a investigação não interromperá a divulgação dos resultados definitivos nem impedirá o presidente Isaac Herzog de indicar um líder partidário para tentar formar uma coalizão. A hipótese de convocação de novas eleições foi considerada prematura. Leia mais: "Israel: entenda por que o Parlamento é formado por 120 deputados" Pela legislação israelense, a contestação dos resultados deve ser apresentada ao Tribunal Distrital de Jerusalém, no prazo de 14 dias depois de sua publicação.
Para justificar uma intervenção judicial, é necessário demonstrar que a irregularidade poderia ter alterado o desfecho eleitoral. O tribunal pode determinar uma nova votação, inclusive limitada a determinadas seções, corrigir a distribuição de votos entre partidos ou modificar a atribuição de mandatos. A análise inicial cabe a três magistrados, com possibilidade de recurso ao Supremo Tribunal em condições previstas na lei.
Caso toda a eleição seja anulada, o recurso à instância superior é assegurado aos legitimados, e o julgamento exige pelo menos cinco juízes. A apresentação de uma contestação, contudo, não paralisa as atividades parlamentares nem invalida decisões já tomadas pelo Knesset. O post Israel suspeita de interferência de Turquia e Catar nas eleições apareceu primeiro em Revista Oeste .
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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