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    José Lorêdo Filho: ‘O espírito saquarema e as eleições presidenciais’
    Revista Oeste·01 de nov., 15:00

    José Lorêdo Filho: ‘O espírito saquarema e as eleições presidenciais’

    (*) José Lorêdo Filho Partido “Saquarema” — assim era identificado o venerando Partido Conservador do Império, que teve na figura cimeira de Bernardo Pereira de Vasconcelos o seu grande artífice. O conservadorismo político, em todo o mundo, possui uma tradição de mais de dois séculos. No Brasil, mesmo após o fim do Império, a tradição encarnada pelos saquaremas, embora cambaleante, teve continuidade.

    Devemos, porém, descer a regiões menos nobres e tratar, infelizmente, do último pleito presidencial. Desçamos um pouco mais: o chamado “Exército do Lula” — encabeçado por uma figura burlesca de deputado —, que, na prática, comandou a campanha do atual presidente no 2º turno, foi pródigo em imputar aos conservadores, bolsonaristas ou não, as mais graves acusações, apresentando-os como inimigos da democracia, das liberdades e da justiça social. Ora, meus amigos, já veremos o que nos diz a história.

    A importância dos conservadores Não iria me manifestar se se confirmasse a vitória do candidato da direita; nada assenta melhor na fronte do vencedor do que a coroa da modéstia, segundo o juízo acertado do meu mestre Juan Donoso Cortés. Como perdemos, faço algumas considerações, indiferente como sou, e sempre fui, à histeria das patrulhas ideológicas. “ Historia magistra vitae ” — não pouca razão tinha Cícero quando considerava ser a história a mestra da vida.

    A esquerda insiste em apresentar os conservadores como uma ameaça à democracia e aos direitos sociais? Pois bem, observemos os fatos: I. Ao tempo do Império, foram os conservadores — com o apoio expresso da Família Imperial — que elaboraram e aprovaram todas as leis abolicionistas: a Lei do Ventre Livre (1871), pelo gabinete conservador do Visconde do Rio Branco; a Lei dos Sexagenários (1885), pelo gabinete conservador do Barão de Cotegipe; e, por fim, a Lei Áurea (1888), pelo gabinete conservador presidido por João Alfredo Corrêa de Oliveira.

    Já nem falemos dos dois grandes tribunos abolicionistas daquele período: Joaquim Nabuco, monárquico-liberal à moda inglesa, e José do Patrocínio, que aderiu ao credo monárquico após a Abolição por identificar a estreita vinculação dos escravocratas ao elemento republicano. II. Toda a legislação trabalhista brasileira se deu sob o influxo, não das ideias socialistas, mas da Doutrina Social da Igreja, adotada no Brasil por Getúlio Vargas, mais ou menos por oportunismo político.

    As medidas reformistas do governo nesse sentido contaram com amplo apoio do clero brasileiro, liderado à época pelo cardeal Leme. III. 390, de 3 de julho de 1951) foi elaborada pelo então deputado federal Afonso Arinos de Melo Franco, um político de centro-direita da UDN, além de notável publicista e historiador.

    Suas motivações podem ser conhecidas no documentário de Fernando Sabino, intitulado O escritor na vida pública , de fácil consulta. IV. O Estatuto da Terra (1964) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foram obras do regime autoritário dos militares, que, se, por um lado, não eram conservadores, por outro, não tinham qualquer veleidade esquerdista.

    De um exame sumário da história emerge uma constatação incômoda a todos os propagandistas de ocasião: longe de corporificar a ameaça retrógrada que lhe atribuem, o conservadorismo representou, no Brasil como no mundo, o maior obstáculo ao esboroamento do tecido social em momentos de crise. As transformações mais duradouras da nossa ordem institucional não nasceram do ímpeto revolucionário, da intimidação ou do medo, mas do juízo prudencial e do senso de concretude dos estadistas conservadores. A liberdade moderada pelo bem comum, o governo consensual, o primado da lei e a intangibilidade da pessoa humana são conquistas civilizacionais; tais valores só subsistem onde há quem se disponha a conservá-los.

    É a advertência que os conservadores devem fazer ao governo reeleito nestas eleições . v=X-YfLMMiyfs O post José Lorêdo Filho: ‘O espírito saquarema e as eleições presidenciais’ apareceu primeiro em Revista Oeste . ]]>

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