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    Forbes Brasil·24 de set., 08:00

    José Roberto Marinho: de Repórter a Herdeiro de um Império de R$ 24,1 Bilhões

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Aos 16 anos, José Roberto Marinho entrou em O Globo para fazer o que seu avô havia transformado em negócio: jornalismo. Em 1972, começou como repórter no jornal fundado por seu avô Irineu Marinho e, antes de chegar ao conselho e ao núcleo de controle do Grupo Globo , aprendeu a empresa de dentro para fora – pela apuração, pela reportagem e pelo fechamento de uma edição.

    Irineu Marinho fundou O Globo em 1925 . Ele morreu apenas 25 dias depois da publicação da primeira edição. Seu filho, Roberto Marinho, assumiu posteriormente o comando do jornal e transformou o negócio no conglomerado que viria a se tornar o Grupo Globo.

    Filho mais novo de Roberto Marinho e Stella Goulart Marinho , José Roberto nasceu no Rio de Janeiro , em 26 de dezembro de 1955. Estudou História na PUC-Rio e Geografia na UFRJ, mas foi na redação que construiu sua primeira identidade profissional. Em uma família cujo patrimônio já estava profundamente ligado à imprensa, ele começou justamente no centro desse negócio.

    Passou pelas editorias de Política e Cidade e, em 1979, ganhou destaque pela cobertura do caso Aézio, sobre a morte de um servente de pedreiro sob tortura em uma delegacia na Barra da Tijuca. No ano seguinte, tornou-se repórter especial de Política na sucursal de Brasília. Em 1981, de volta ao Rio, assumiu o posto de editor-assistente de O Globo .

    Décadas depois, aos 70 anos, ele é vice-presidente do Grupo Globo, presidente do Conselho Curador da Fundação Roberto Marinho e um dos herdeiros de uma fortuna estimada em R$ 24,1 bilhões, ocupando a 14ª posição na lista de bilionários brasileiros da Forbes 2026 , acima dos R$ 18,5 bilhões calculados em 2025. O patrimônio é compartilhado com a história de uma empresa que atravessou um século de transformações na mídia brasileira: do jornal impresso à televisão e, agora, ao streaming e ao ambiente digital. José Roberto permaneceu ligado ao jornalismo mesmo depois de deixar a redação.

    Em 1991, já como vice-presidente do Sistema Globo de Rádio, idealizou a CBN, lançada como uma emissora dedicada 24 horas por dia ao jornalismo, um movimento que ajudou a levar a lógica da informação contínua para o rádio brasileiro. O detalhe é importante porque ajuda a separar José Roberto do estereótipo do herdeiro que simplesmente recebe um patrimônio e passa a administrá-lo. Ele construiu sua carreira em diferentes partes do negócio e, em momentos distintos, participou da transformação dos veículos da família.

    Há também uma característica que aparece em um perfil publicado pelo O Eco em 2005. Na entrevista, o então vice-presidente das Organizações Globo chegou sem hora para sair, respondeu às perguntas e não pediu para ler o texto antes da publicação. O repórter que herdara um conglomerado continuava, de alguma maneira, se comportando como alguém do ramo.

    O empresário que encontrou outro negócio no legado A relação com o meio ambiente não começou como uma extensão da filantropia . José Roberto foi o primeiro presidente do WWF-Brasil, décadas antes da criação do Instituto Humanize. O próprio instituto registra essa experiência como uma das raízes de sua atuação posterior no investimento social privado.

    Em 2017, José Roberto e sua família criaram o Humanize para administrar seu portfólio de investimento social privado. A organização passou a atuar em áreas como desenvolvimento territorial, empreendedorismo, gestão pública e sustentabilidade. Seu patrimônio não está restrito ao grupo de mídia.

    José Roberto também preside a Zhouse, empresa que desenvolve projetos imobiliários, hoteleiros, filantrópicos e agro-sustentáveis. Entre os negócios associados estão empreendimentos como Trijunção, Tutabel, Fazenda Bananal e Pousada Literária de Paraty, além das marcas Amma e Juçaí. O herdeiro que não precisou ser o protagonista José Roberto pertence a uma geração para a qual a palavra “sucessão” sempre esteve no horizonte.

    Seu pai, Roberto Marinho, construiu a Globo durante mais de sete décadas. Quando os três filhos assumiram posições centrais no grupo, não receberam uma empresa em fase de construção. Receberam uma instituição.

    Em 1998, Roberto Marinho e os três filhos deixaram as funções executivas nas empresas e passaram a se dedicar às decisões estratégicas por meio de um conselho de gestão. José Roberto assumiu a vice-presidência de Responsabilidade Social do grupo e a direção-geral da Fundação Roberto Marinho. A divisão de papéis acabaria se tornando uma das marcas da família.

    Roberto Irineu ficou mais associado à gestão executiva. João Roberto assumiu, mais tarde, a presidência do Grupo Globo. José Roberto ocupou uma posição diferente: permaneceu no núcleo de controle, mas construiu sua influência sobretudo em torno da responsabilidade social, da educação, da cultura e da sustentabilidade.

    José Roberto continua sendo vice-presidente do Grupo Globo. Mas, desde 2024, quando a Fundação Roberto Marinho deixou de ser uma fundação familiar e passou a ser uma fundação empresarial do Grupo Globo, ele preside seu Conselho Curador. Um homem de patrimônio, mas também de legado José Roberto está em uma fase diferente da carreira.

    Já não se trata de construir uma empresa ou provar capacidade de gestão. Trata-se de administrar a passagem de um patrimônio para a próxima geração. Ele formou uma família numerosa: é casado com Vania Boghossian Marinho, tem seis filhos e três netos.

    A questão é particularmente complexa porque a empresa que sustenta a fortuna está atravessando uma transformação que talvez seja tão profunda quanto a ocorrida quando o jornal deu lugar ao rádio e, depois, à televisão. A empresa que sustenta a fortuna de José Roberto Marinho cresceu em 2025, mas não de maneira linear: a receita avançou 11%, para R$ 18,3 bilhões, enquanto o lucro líquido recuou 25%, para R$ 1,5 bilhão. O EBITDA, por outro lado, saltou 57%, para R$ 2,45 bilhões.

    O contraste resume parte do desafio de uma companhia centenária que tenta adaptar sua economia à transformação do mercado de mídia. José Roberto conhece essa transformação de um ângulo peculiar. Ele viu a indústria nascer praticamente dentro de casa, trabalhou na redação de um jornal aos 16 anos, participou da criação de uma rádio de notícias, atravessou a profissionalização da gestão e chegou ao centenário de O Globo como um dos responsáveis pelo legado da família.

    Para alguém que começou a vida profissional escrevendo notícias, o desafio agora é outro: ajudar a escrever o próximo capítulo de uma empresa que começou com seu avô, cresceu com seu pai e, um século depois, precisa encontrar uma forma de continuar relevante quando a televisão já não ocupa sozinha o centro da sala. O post José Roberto Marinho: de Repórter a Herdeiro de um Império de R$ 24,1 Bilhões apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>

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