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    InvestNews·25 de set., 13:19

    Juros americanos estão no maior nível em 20 anos. Veja como isso afeta o investidor brasileiro

    Quem tem 20 anos nunca viu as taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos no nível em que estão agora. As Treasuries seguem ultrapassando marcas históricas. E isso tem impactos no mercado brasileiro, como não se veem também há muitos anos.

    Nesta sexta-feira (25), a taxa do título americano de 30 anos atingiu 5,472% ao ano, no maior nível desde 2004, ou seja, em 22 anos. Já o papel de 10 anos, que serve como uma referência para os custos do financiamento imobiliário nos EUA, subiu para 5,169%. Trata-se do patamar mais elevado desde julho de 2007.

    Os juros americanos vivem uma escalada nos últimos dois meses. O motor tem sido a crescente aposta dos investidores de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) promoverá um novo aperto monetário em outubro. O vencimento de 2 anos, que é um dos mais sensíveis às decisões do Fed, está estável em 4,881% ao ano, na máxima desde meados de 2024.

    Leia também Investimentos Presidente do Fed explica por que o juro voltou a subir e mercado passa a prever nova alta neste ano Na renda fixa, quando a taxa sobe significa que o preço do título recuou, ou seja, os investidores com esses títulos na carteira veem o saldo em dólar recuar. Mudança de fluxo Os juros de longo prazo nos EUA tem reagido a uma combinação de dados econômicos americanos acima do esperado, declarações mais duras de dirigentes do Fed e alta nos preços do petróleo. Diante desse cenário, a probabilidade de uma nova elevação de juros pelo Fed na reunião de outubro subiu de cerca de 55% na semana passada para 70%, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group.

    Para a economia brasileira, essa alta generalizada nas taxas americanas funciona quase que como um choque externo. Isso porque o movimento de juros em elevação lá fora passa atrair o capital global de volta para a renda fixa dos Estados Unidos. Leia também Investimentos Rendimento do título de 10 anos dos EUA acima de 5,25% pode mudar relação entre ações e títulos.

    Entenda E, como consequência, os investidores exigem prêmios maiores no Brasil, o que empurra para cima as taxas dos contratos de juros futuros. Essa subida encarece o crédito para empresas e aos consumidores. Os juros futuros sobem nesta sexta-feira com a pressão externa, mas, principalmente em reação ao IPCA-15 mais elevado do que o esperado.

    O índice avançou 0,70%, contra os 0,53% projetados pelo mercado. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,82% e, em 12 meses, de 4,47%. O maior impacto veio de Habitação, com alta de 2,07%.

    O dado reforça a leitura de que o Banco Central terá menos espaço para acelerar os cortes da Selic, hoje em 13,75% ao ano. Por volta de 10h20, a taxa dos contratos futuros de DI com vencimento em janeiro de 2029 subia 0,69% para 13,89% ao ano. Já os juros futuros de DI para janeiro de 2030 subiam 0,57% a 14,015% ao ano.

    O dólar também ganha força com um fluxo maior de recursos para o mercado americano. A moeda americana tinha alta de 0,13% ante o real cotada a R$ 5,1985. Um dólar mais forte pode pressionar a inflação no Brasil ao encarecer insumos e produtos importados.

    Em um cenário no qual os preços voltem a subir de maneira persistente, o Banco Central terá menos espaço para cortar a taxa Selic. Leia também Investimentos Escalada de juros nos EUA eleva taxas do Tesouro IPCA+ no Brasil Juros mais altos em todo o mundo Se as expectativas para os juros brasileiros voltarem a se inclinar para a visão de um período mais longo de taxas elevadas, as condições financeiras vão continuar mais duras, o que pode afetar o crédito e aumentar a vulnerabilidade das empresas mais endividadas. Um cenário de juros altos por ainda mais tempo pode puxar a bolsa para baixo e manter a renda fixa em evidência no Brasil.

    O estresse nos mercados de dívida se espalhou globalmente. No Japão, o rendimento do JGB de 10 anos atingiu o nível mais alto desde agosto de 1996, enquanto na Europa os gilts do Reino Unido e os bunds da Alemanha registraram altas expressivas, levando diversos títulos do continente às máximas em anos. Analistas têm apontado que o avanço recente das taxas já não pode ser atribuído apenas a preocupações com o déficit orçamentário nos EUA.

    Há, na verdade, um conjunto de fatores desfavoráveis, como pressões fiscais, econômicas, geopolíticas e uma inflação que persiste bem acima da meta. Um Fed mais duro? Com esse pano de fundo, os investidores se questionam sobre se o Fed começa a caminhar para um ciclo mais intenso de alta de juros.

    Essa mudança de expectativas sobre a inflação futura vêm se refletindo, justamente, no aumento do juro americano de longo prazo. No curto prazo, a nova realidade dos juros globais vai significar duas coisas para os mercados locais: taxas mais elevadas por mais tempo e muita  volatilidade . Para quem já tem títulos atrelados à inflação ou prefixados na carteira, o melhor é segurar a ansiedade e aguardar até, pelo menos, o próximo ano, quando as eleições já vão ter passado e as políticas do novo governo ficarão mais claras.

    Um estudo do BTG Pactual mostra que o cenário externo pode contribuir com até 40% de peso no comportamento dos juros brasileiros de longo prazo. ]]>

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