Juros dos Treasuries no maior nível em 20 anos abrem janela de oportunidade. Saiba como investir
O investidor conta hoje com a janela de oportunidade na renda fixa americana com maior rentabilidade em 20 anos. Em dólar. Isso porque os juros dos títulos públicos americanos – conhecidos como Treasuries – de longo prazo passaram dos 5% ao ano, para o maior patamar em mais de duas décadas, e podem subir mais.
O rendimento do título do Tesouro dos EUA de 10 anos alcançou 5,23% anuais nesta segunda-feira (28), enquanto o de 30 anos está em 5,54%. São patamares que não são vistos desde 2004 , no caso dos Treasuries de 30 anos. Já o título de 10 anos está na máxima desde 2007.
Leia também Investimentos Treasuries: veja tipos, riscos e como investir em títulos do Tesouro americano Mesmo os títulos com vencimentos mais curtos, como os Tresuries de 2 anos e 3 anos, estão a um fio de passar a marca psicológica de 5% ao ano. A taxa do papel de 2 anos atingiu 4,91%, enquanto a do de 3 anos já está em 4,99% – níveis não registrados desde 2024. Essas taxas representam um momento favorável para “travar” os maiores retornos da renda fixa em dólar em duas décadas.
Isso para quem vai levar o título até o vencimento. Estamos falando de um dos mercados com maior liquidez do mundo: ou seja, que tem uma das maiores demandas de negociação – as Treasuries giram por dia quase US$ 1 trilhão – e que, por isso, é muito fácil comprar e vender os papéis diariamente. Veja as simulações Quem investir R$ 20 mil agora, por exemplo, vai conseguir uma taxa de 5,23% anuais em um título de 10 anos.
832. 381, que, em convertido para reais, seriam R$ 33,3 mil. Equivale a um ganho nominal de 66,5%.
Isso sem considerar a variação cambial. Agora vamos calcular como ficaria com essa variação do dólar frente ao real. Nos últimos 10 anos, de setembro de 2016 ao fim de agosto de 2026, a moeda americana valorizou 62,9% ante a brasileira.
Se aplicarmos o mesmo percentual à cotação atual, a divisa dos EUA estaria em R$ 8,5 em setembro de 2036. 381, portanto, iriam equivaler a R$ 54,2 mil. O valor equivale a um ganho de 171%.
Dólar X IPCA+ Podemos ainda comparar esse ganho com um investimento em Tesouro IPCA+. Vamos considerar o mesmo prazo para o título brasileiro atrelado à inflação. Só para efeito de referência, vamos usar o Tesouro IPCA+ 2040, que paga atualmente um retorno de inflação mais uma taxa 7,30% ao ano.
Nesse cálculo vamos considerar o IPCA acumulado nos últimos 10 anos, de início de setembro de 2016 a fim de agosto de 2026, que alcançou 61,15%. Uma aplicação de R$ 20 mil com juro real, ou seja, acima da inflação, de 7,30% ao ano e usando o IPCA do período citado, retornaria R$ 65,2 mil após 10 anos. O investimento em dólar parece ter apresentado um ganho menor.
No entanto, é preciso colocar esses dados em perspectiva. O Tesouro IPCA+ atualmente apresenta um retorno historicamente elevado. Na última década, o juro real de 10 anos das NTN-Bs, como são chamdos no mercado os títulos públicos IPCA+, ficou em torno de 5% ao ano.
Nesse patamar, o papel do Tesouro brasileiro atrelado à inflação teria um retorno final de R$ 52,5 mil, abaixo, portanto do investimento em dólar. Leia também Investimentos Escalada de juros nos EUA eleva taxas do Tesouro IPCA+ no Brasil Uma janela rara A questão é que investir em moeda forte ajuda a proteger o portfólio. A tese é de diversificação, e não voltada para ganhos no curto prazo.
Isso porque em momentos de turbulência nos mercados locais, o dólar costuma subir, o que valoriza a sua fatia da carteira na moeda americana e ajuda a compensar eventuais perdas em investimentos em real. E o momento atual é, particularmente, favorável a ampliar a fatia do portfólio em Treasuries diante dos juros em patamares historicamente elevados. “Estamos numa janela rara para a renda fixa em dólar, e o investidor deve aproveitar esse ambiente”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Juros históricos, mas com volatilidade Mas tem riscos. Se você pretende vender o papel antes do vencimento , ou entende que existe essa possibilidade por causa de uma necessidade de recursos no médio ou até no curto prazo, precisa estar atento a uma questão importante: na renda fixa, quando os rendimentos oferecidos aumentam, significa que os preços dos títulos caíram. O risco, portanto, é o de ter que vender esse título em um momento no qual as taxas continuam a subir e superam o retorno que você contratou.
Por exemplo, se você tem um papel com juros de 5% ao ano e esse título passou a ser negociado a 5,5%, o seu saldo em dólares encolheu. Para um papel que ainda tem 10 anos até o vencimento, uma subida de 0,5 ponto percentual na taxa representa cerca de 3,7% de queda no valor. É um risco hoje não desprezível se buscarmos entender o pano de fundo da alta dos juros: o desafio do governo dos EUA de se financiar diante de déficits elevados que estão igualmente em patamares históricos.
Se o governo não endereçar com medidas o aumento do déficit e da dívida, o mercado pode continuar a exigir prêmios mais altos para comprar títulos do Tesouro americano, e isso significará taxas ainda maiores. Leia também Investimentos Juros americanos estão no maior nível em 20 anos. Veja como isso afeta o investidor brasileiro Do lado de cá, o investidor brasileiro tem uma motivação mais conjuntural para aplicar lá fora: a volatilidade cambial alimentada pela eleição no país deve durar até, pelo menos, o segundo turno no fim de outubro.
Isso significa que existe uma janela para aproveitar esses ativos antes que a moeda americana passe a subir ou descer ante o real com mais força. O dólar acumula alta de 0,61% em setembro até dia 28, cotado a R$ 5,22. No ano, por outro lado, a moeda americana recua 5,46% ante o real.
Investir em dólar: diferentes caminhos E como aproveitar essa maré dos juros internacionais? O surgimento das chamadas contas globais abriu as portas dos mercados americanos e da dolarização das carteiras a investidores de todos os tamanhos no Brasil. Até 2019, antes do surgimento dessas primeiras contas internacionais, investir diretamente no exterior poderia exigir estruturas complexas, como trusts e offshores, que têm um custo elevado.
E estava acessível somente a investidores com patrimônio mais alto, de muitos milhões de reais. Leia também Finanças Investir lá fora e em dólar nunca foi tão simples e barato. Veja aqui o passo a passo Hoje em dia, basta abrir uma conta global em plataformas, como Nomad, Wise, Avenue, Nubank, Inter, BTG Pactual e outras casas.
São contas-correntes nas quais o titular converte reais em dólar, euro ou, basicamente, qualquer moeda de circulação internacional. E utiliza o saldo diretamente lá fora, por meio de um cartão de débito. As casas costumam oferecer ainda, associadas às contas globais, plataformas de investimentos em ativos no exterior, como títulos de renda fixa, ações e ETFs.
Tesouro americano de diferentes formas É possível investir diretamente em Treasuries por meio dos apps. O valor mínimo padrão é de US$ 1 mil. Mas algumas casas já oferecem a possibilidade de investimento a partir de US$ 100, nos quais você aplica em uma fração do título.
Além de aplicar diretamente em títulos, por meio das plataformas das contas globais, o investidor tem acesso ainda a ETFs listados nos EUA. São fundos passivos que seguem um índice, que podem ser formados por títulos públicos americanos. Quem prefere aplicar de olho em um prazo mais curto de vencimentos pode buscar ETFs de T-Bills, como são chamados os papéis públicos de curtíssimo prazo.
Leia também Investimentos O dólar vai subir? Cenário indica bom momento para compra da moeda O VBIL, da Vanguard, por exemplo, acompanha a variação de títulos com vencimento de até três meses e tem retorno próximo de 4% ao ano. Entre os fundos desse segmento com maior liquidez também estão o SPDR Bloomberg 1-3 Month T-Bill (BIL) e o iShares 0-3 Month Treasury Bond (SGOV).
As cotas custam entre US$ 75 e US$ 100, um valor acessível para quem quer começar com pouco. Quanto custa a operação Para o brasileiro, há custos como um imposto de renda de 15% sobre os ganhos, incluindo a variação cambial, além de outros impostos como o IOF de 1,1% cobrado de recursos enviados para investimentos no exterior. A operação de conversão de reais para dólares também acrescenta custos, como o “ spread “, ou seja, uma taxa extra cobrada pelos bancos para remunerar os serviços prestados no câmbio.
Esse pedágio varia de casa para casa, de 0,8% a 2% para cada operação. Isso vale tanto para a conversão de reais em dólares, quanto, no sentido contrário, da moeda americana para a nossa divisa. Fundos de índices são alternativas É possível ainda encontrar alternativas na própria B3, aqui no Brasil.
Há, por exemplo, ETFs negociados na bolsa, em reais, que acompanham os juros de 10 anos nos EUA. É o It Now S&P Tesouro Americano 10 Anos (T10R11), do Itaú. O ETF segue um índice baseado em contratos futuros de títulos do Tesouro americano de 10 anos.
Esse fundo, no entanto, tem proteção cambial, ou seja, só entrega a subida ou descida das taxas, sem incluir a variação do dólar. Outra porta de entrada são os BDRs de ETFs. Os Brazilian Depositary Receipts são recibos negociados na B3 que representam ativos estrangeiros.
Leia também Investimentos Escalada de juros nos EUA eleva taxas do Tesouro IPCA+ no Brasil Um BDR de ETF permite, na prática, comprar aqui cotas de um fundo de índice listado lá fora. Os BDRs, em geral, não têm a proteção cambial e estão sujeitos à variação do dólar. A BlackRock oferece várias opções de renda fixa americana nesse formato.
O BGOV39 segue o iShares US Treasury Bond, que reúne títulos do Tesouro americano com prazos variados. O BSHV39 replica um índice de Treasuries de curto prazo, menos sensível às oscilações das taxas longas. Quem aceita um pouco mais de risco em troca de retorno maior tem o BLQD39, que investe em títulos corporativos de empresas com grau de investimento e, portanto, não em papéis do governo.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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