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    Poder360·23 de set., 22:35

    Lobista amiga de Lulinha pagou servidores de ministério, diz PF

    Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular da empresária Roberta Luchsinger mostram que ela orientou um funcionário a fazer pagamentos a servidores do Ministério do Desenvolvimento Social em 2023. A pasta é comandada pelo ministro Wellington Dias (PT). As informações foram publicadas pelos jornalistas Aguirre Talento, Gustavo Côrtes e Vinícius Valfré do Estadão .

    Em uma das conversas, Luchsinger pede a Ulisses Barbosa, seu funcionário, que retire dinheiro em espécie. “Vc pega 60 mil por favor para fazer uns pagamentos pra mim ta”, disse. 000 para Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento Social.

    De acordo com a investigação, o funcionário enviou os comprovantes dos pagamentos depois de realizar as transferências. Outro destinatário identificado pela PF foi José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial do ministério. Uma mulher que tem uma filha com ele também aparece entre as beneficiárias dos pagamentos, segundo os investigadores.

    A PF aponta ainda que José Martinho foi preso em 2014 pela Polícia Rodoviária Federal transportando R$ 180 mil. À época, ele havia saído de Brasília, onde trabalhava como motorista de Wellington Dias, então senador, em direção ao Piauí. O político afirmou naquele momento que não tinha relação com o episódio.

    Luchsinger é investigada pela PF em apurações que também envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A empresária é apontada pelos investigadores como lobista, e a polícia apura suspeitas relacionadas a tráfico de influência e negócios com o governo federal. Os pagamentos aos servidores se deram meses antes de a 3Structure IT , empresa do empresário Cleber Ribas de Oliveira, fechar um contrato de R$ 31,2 milhões com o Ministério do Desenvolvimento Social.

    O acordo foi firmado no fim de 2023, depois de a empresa vencer um pregão. Em abril de 2026, a 3Structure IT assinou outro contrato com a pasta, no valor de R$ 19,2 milhões, com vigência até abril de 2031. A empresa atua nas áreas de cibersegurança e proteção de dados.

    A atuação de Luchsinger na intermediação de negócios da companhia com o governo é uma das frentes investigadas pela PF. Mensagens obtidas pelos investigadores também mostram uma conversa entre Lulinha e Luchsinger em 24 de julho de 2023. Na ocasião, ele pediu que ela emitisse uma nota fiscal para cobrar Cleber Ribas.

    “Emite a NF pro Cleber” Luchsinger respondeu: “Já fiz” Lulinha, então, escreveu: “Boaaaaa” OUTRO LADO A defesa do empresário Cleber Ribas de Oliveira, da 3Structure IT , afirmou que a empresa não tem conhecimento sobre os pagamentos mencionados. Disse ainda que os contratos firmados pela 3Structure com o governo federal seguiram as normas aplicáveis às contratações públicas e passaram por instâncias decisórias, análises técnicas dos órgãos contratantes e auditorias do TCU (Tribunal de Contas da União). O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome afirmou que não houve favorecimento na licitação de serviços de backup de tecnologia.

    Segundo a pasta, o processo foi realizado por meio de pregão eletrônico, modalidade em que vence a empresa que apresenta o menor preço durante uma disputa. O MDS também afirmou que os 2 servidores citados na reportagem não têm competência sobre a área e, portanto, não participaram do processo licitatório. O Poder360 procurou Roberta Luchsinger para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito das informações apresentadas nesta reportagem.

    Não houve resposta até a publicação deste texto. O conteúdo será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital. Eis a íntegra da nota da defesa de Cleber Ribas de Oliveira: “A 3Structure não tem conhecimento sobre tais pagamentos.

    ” Eis a íntegra da nota do Ministério: “O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome rechaça a tese de que tenha havido qualquer tipo de favorecimento na licitação de serviços de backup de tecnologia, que foi realizada por meio de pregão eletrônico –modalidade em que vence a empresa a apresentar o menor preço durante disputa feita com absoluta transparência. ” OPERAÇÃO SEM DESCONTO A investigação que apura um esquema de desvios indevidos de aposentados e pensionistas do INSS teve a 1ª fase deflagrada em 23 de abril de 2025. O prejuízo estimado aos beneficiários é de R$ 6,3 bilhões, de 2019 e 2024.

    Os valores estão sendo devolvidos. 2025 – o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi o principal alvo da 1ª etapa da Sem Desconto . Lula mandou demitir Stefanutto no mesmo dia.

    2025 – foram cumpridos 2 mandados de busca e apreensão em Indiaroba e Umbaúba, no litoral sul de Sergipe. 2025 – a operação Cambota, um desdobramento da Sem Desconto, prendeu Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS , e o empresário Maurício Camisotti. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, também determinou a prisão preventiva do advogado Nelson Wilians.

    Foram apreendidos bens de luxo como carros e pinturas . 2025 – os agentes da PF cumpriram 66 mandados de busca e apreensão em 7 Estados. O Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), cujo vice-presidente é José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi um dos alvos.

    2025 – a PF prendeu Alessandro Stefanutto. De acordo com a investigação, ele recebia R$ 250 mil mensais em propina. A defesa chamou a prisão de “ilegal”.

    2025 – o senador Weverton Rocha (PDT-MA) foi alvo de busca e apreensão . A PF afirmou que o congressista era o “braço político” do Careca do INSS. Rocha disse estar à disposição das autoridades.

    2026 – a operação Indébito , desdobramento da Sem Desconto, cumpriu mandados no Ceará e em Brasília. Entre os alvos estava a deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE). 2026 – a PF cumpriu 31 mandados de busca e apreensão em 3 Estados e em Brasília.

    Mirou funcionários do INSS e de associações investigadas no caso. 2026 – a operação teve como alvos familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz . A PF afirmou que o congressista coordenava pagamentos na fraude do INSS.

    Leia a íntegra da decisão de Mendonça que autorizou a ação (PDF – 282 kB). ]]>

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