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    Money Times·04 de nov., 22:19

    Lucro líquido da Tenda (TEND3) cai quase 50% e margens recuam no 3T26: CFO detalha os impactos e diz o que esperar

    A Tenda (TEND3) enfrentou um terceiro trimestre de desaceleração após um primeiro semestre de resultados recordes. Embora tenha mantido o crescimento da receita e ampliado os lançamentos, a construtora viu as margens recuarem e os distratos aumentarem, em meio a um cenário de crédito mais restritivo para as famílias e dificuldades operacionais na Caixa Econômica Federal . Entre julho e setembro, a companhia registrou lucro líquido consolidado — que inclui a própria marca Tenda e a Alea , subsidiária de casas pré-fabricadas — de R$ 57,3 milhões, queda de 48,7% na comparação anual e 68% em base trimestral.

    O resultado foi pressionado por uma despesa contábil de R$ 49,1 milhões decorrente da marcação a mercado de contratos de swap vinculados às próprias ações da empresa. Sem esse efeito, o lucro líquido teria sido de R$ 106,4 milhões, alta de 3,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Excluindo também as despesas com planos de opções de ações, o lucro ajustado alcançou R$ 117,9 milhões.

    A despesa com os swaps não provocou desembolso de caixa no trimestre, mas contribuiu para que o resultado financeiro consolidado ficasse negativo em R$ 86,9 milhões. Sem esse efeito, o saldo negativo seria de R$ 37,8 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 207,8 milhões, queda de 24,5% em relação ao segundo trimestre.

    Na comparação anual, porém, houve alta de 11,1%. Na geração de caixa operacional, a Tenda registrou R$ 82,4 milhões no trimestre, o 14º consecutivo no azul. A marca Tenda gerou R$ 95,7 milhões, enquanto a Alea consumiu R$ 13,3 milhões.

    O fluxo de caixa operacional consolidado teria superado R$ 125 milhões se a companhia já tivesse recebido cerca de R$ 45 milhões em parcelas do programa Pode Entrar vencidas entre julho e setembro. Segundo a Tenda, o atraso representa uma postergação, sem perda de valor. p no ano, para 38,1%.

    A receita líquida consolidada avançou 10,5% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, para R$ 1,25 bilhão, mas recuou 2,8% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. O lucro bruto ajustado somou R$ 407,6 milhões, alta anual de 14,8%, mas queda de 15,3% frente ao 2T26. ) em relação ao período imediatamente anterior.

    p. p. p.

    na anual. A Tenda atribui a oscilação da margem a fatores como o mix de produtos e regiões, os preços e o ritmo de reconhecimento dos custos das obras. A companhia ressalta que o 2T26 havia sido um trimestre excepcional e avalia que o resultado mais recente está próximo do piso da faixa observada desde o início de 2025, e não representa necessariamente um novo patamar.

    O que impactou as margens da Tenda? Segundo o CFO Luiz Maurício Garcia , a pressão veio de uma combinação de preços menores, aumento dos custos de construção e efeitos relacionados aos distratos. p.

    Na composição dos preços, o principal fator foi a redução do crédito pós-entrega das chaves (TCD) , modalidade em que a construtora concede financiamento diretamente aos compradores após a entrega do imóvel. A decisão reflete um cenário de maior restrição ao crédito para as famílias e a preocupação das empresas com o risco de inadimplência. Segundo o executivo, o impacto dessa mudança deve ser considerado mais estrutural.

    “Entendemos que é mais prudente ter um patamar de TCD menor”, afirmou. Outro componente veio da mudança no mix de vendas, com maior participação de imóveis destinados à faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida . Como esses empreendimentos têm preços médios menores e margens um pouco mais baixas, a composição acabou pressionando o indicador no trimestre.

    Esse efeito, porém, pode variar conforme a distribuição dos lançamentos e das vendas entre as faixas do programa. Já na linha de custos, a pressão também foi influenciada por ajustes operacionais na estrutura produtiva da companhia. Segundo Garcia, os efeitos dessa transição estão concentrados no terceiro trimestre e não devem continuar afetando os resultados na mesma intensidade.

    “No segundo trimestre tivemos uma economia muito grande e neste trimestre tivemos um leve aumento nos custos de R$ 2,9 milhões, muito ligado à estabilização de novas fábricas, migração de tipologia e estabilização da jornada. O grosso desse impacto já veio agora”, afirmou o CFO. O terceiro fator foi o aumento dos distratos, que, segundo o executivo, teve relação principalmente com a greve da Caixa Econômica Federal e com um aperto temporário nas condições de concessão de crédito.

    Você pode entender melhor esse cenário, que vem afetando as construtoras populares como um todo, nesta reportagem do Seu Dinheiro, portal parceiro do Money Times . A avaliação da Tenda é que essa parcela da pressão sobre as margens é predominantemente não recorrente, com possibilidade de alívio à medida que os repasses e as operações da instituição financeira sejam normalizados. A queda também foi influenciada pela base de comparação elevada do segundo trimestre, quando a companhia registrou economias relevantes nos custos estimados das obras.

    Na avaliação da administração, portanto, o recuo da margem não representa necessariamente um novo patamar para a operação, mas reflete uma combinação de decisões comerciais, mudanças no mix e efeitos operacionais que ainda estão em processo de ajuste. Alea espera atingir ponto de equilíbrio até o fim de 2027 Na operação de casas industrializadas Alea, a Tenda ainda enfrenta prejuízos e consumo de caixa, embora a administração avalie que os avanços estão ocorrendo dentro do esperado. A operação registrou prejuízo líquido de R$ 27,7 milhões no trimestre, menor que o rombo de R$ 34,8 milhões apresentados no ano passado, e consumiu R$ 13,3 milhões de caixa operacional, dentro do guidance para este ano.

    “Os avanços estão indo bem e a operação está se encaixando. Estamos verticalizando a mão de obra e trazendo ganhos de produtividade. Tudo está ocorrendo dentro do esperado.

    A expectativa é seguir avançando para alcançar o break-even de lucro e queima de caixa até o final do ano que vem”, afirmou. O executivo também antecipou que a operação está caminhando para atuar na faixa 3 do Minha Casa, Minha Vida, em linha com a estratégia de diversificação do grupo. Nesta outra reportagem do Seu Dinheiro, você pode entender o contexto por trás da Alea, um dos grandes pontos de atenção do mercado em relação à Tenda Tenda mantém projeções para 2026 A companhia manteve suas projeções para o ano.

    Para a marca Tenda, a expectativa é de Ebitda ajustado entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,2 bilhão e vendas líquidas entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões. No consolidado, a empresa projeta lucro líquido de R$ 600 milhões a R$ 660 milhões, sem considerar o resultado dos swaps. Ao falar sobre o que os investidores devem acompanhar nos próximos trimestres, Luiz voltou a destacar a geração de caixa, além da rentabilidade e do desempenho operacional de lançamentos e vendas.

    “O que ele precisa olhar é a geração de caixa, pois num cenário de juros mais altos o lucro caixa se torna mais importante do que o contábil. O patamar de rentabilidade da companhia segue muito forte, com 39% de retorno sobre o patrimônio líquido nos últimos doze meses. Por último, acompanhar o desempenho operacional de lançamentos e vendas para manter resultados positivos”, afirmou Garcia.

    A Tenda encerrou setembro com R$ 923,8 milhões em caixa e aplicações financeiras. A dívida líquida corporativa correspondia a 0,1% do patrimônio líquido, enquanto a dívida líquida total equivalia a 20% do patrimônio líquido e participações minoritárias. Com a manutenção do guidance, a companhia aposta na recuperação gradual dos repasses, na normalização dos distratos e na diversificação do portfólio para sustentar o crescimento.

    O desafio será recompor preços e margens sem comprometer o ritmo de vendas em um ambiente de crédito ainda mais seletivo. ]]>

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