Lula cita democracia 5 vezes e recebe aplausos na ONU; leia resumo
2026), na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, o fortalecimento do multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança. Também abordou conflitos internacionais, soberania, não interferência em assuntos internos e a necessidade de ampliar a capacidade de negociação da organização. Leia a íntegra (PDF – 180 kB).
O discurso durou cerca de 20 minutos. Lula foi aplaudido 4 vezes: ao ser anunciado, antes de subir à tribuna; ao afirmar que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” ; ao citar o reconhecimento do tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade; e ao encerrar o discurso. O discurso foi voltado principalmente ao público interno.
O termo mais usado pelo presidente foi “democracia” , citado 5 vezes no discurso. “Vontade popular” apareceu 2 vezes. Ao falar das eleições brasileiras, Lula afirmou que não permitirá que “inimigos da democracia”, internos ou externos, atentem contra a vontade popular.
As palavras “eleição” , “eleitoral” e “eleitorais” foram citadas 1 vez cada. Leia os principais assuntos abordados por Lula em seu discurso: autoelogio – Lula começou o discurso louvando a si próprio, um “ operário que ganhou 3 vezes” a eleição para presidente, lutou “contra a ditadura” e “derrotou um golpe de Estado” . multilateralismo – disse que os pilares do multilateralismo “estão sendo corroídos” e que a Organização Mundial do Comércio “respira por aparelhos” ; criticou o uso de tarifas como arma de coerção e chantagem; reforma da ONU e do Conselho de Segurança – afirmou que o Conselho de Segurança “não cumpre o seu papel” e que o direito de veto deu às grandes potências “o privilégio da insensatez” ; cobrou reunião urgente dos líderes dos países-membros; soberania e não interferência – declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” , classificou de “anacrônica” a divisão do mundo em zonas de influência e defendeu que o povo venezuelano “merece definir o próprio destino”; conflitos internacionais – voltou a classificar de genocídio a ofensiva israelense em Gaza sob o governo Netanyahu, defendeu a solução de dois Estados, cobrou fim da guerra na Ucrânia pela via diplomática e criticou a escalada no Estreito de Ormuz; crime organizado e segurança regional – citou a Lei Antifacção e a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil, em 2025; defendeu cooperação internacional contra o fluxo de armas e dinheiro e rejeitou presença militar estrangeira nas águas do país; democracia e eleições – afirmou que o Brasil “não permitirá que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular” nas eleições de outubro, e que “a democracia brasileira pertence aos brasileiros”; a palavra “democracia” apareceu 5 vezes ao longo do discurso; mudanças climáticas – defendeu a retomada da agenda ambiental global, citou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a redução do desmatamento na Amazônia ao menor nível em 11 anos; fome e pobreza – disse que “é possível colocar o pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte” e citou a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza como fruto dessa política; Cuba – volta a dizer que o embargo comercial e de energia (com o bloqueio de venda de petróleo para o país caribenho) é “ilegal” .
inteligência artificial e novas tecnologias – criticou a falta de regras para big techs e IA, classificando a corrida atual como “neoliberalismo digital sem regras”; citou o vício provocado pelas apostas online (bets) e defendeu a manutenção do Pix como infraestrutura pública; cooperação internacional – defendeu parcerias com base em “agenda positiva” com América Latina, África e Ásia, citando o Grupo de Amigos da Paz –criado por Brasil e China– como exemplo de diplomacia multilateral. Assista à íntegra do discurso de Lula (22min30s): LULA NA ONU Esta foi a 10ª vez que Lula abriu o Debate Geral da Assembleia Geral da ONU como presidente da República. Acompanharam o discurso na bancada do Brasil: Janja Lula da Silva (primeira-dama); Audo Faleiro (assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República); Sérgio Danese (embaixador do Brasil junto à ONU); Wellington Dias (ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome); Mauro Vieira (ministro das Relações Exteriores) e Celso Amorim (assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República).
Discursou pela 1ª vez em 2003 e voltou à tribuna em 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025. Em 2005, participou da reunião de alto nível da ONU, mas não abriu o debate geral. Em 2010, não viajou a Nova York, e o então chanceler Celso Amorim discursou em seu lugar.
A viagem deste ano foi curta. set), depois do discurso. Antes da Assembleia, cumpriu uma agenda de encontros, entre eles com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador norte-americano Bernie Sanders.
Também teve reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A agenda brasileira na ONU inclui ainda reuniões sobre a situação da Palestina e a solução de 2 Estados, desigualdade, consolidação da paz e direito internacional humanitário. O ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) presidirá a reunião da Zopacas, enquanto Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social) participará de atividades da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
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