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    Lula é reeleito presidente do Brasil – o que esperar do novo governo para ciência e tecnologia
    Olhar Digital·26 de out., 00:12

    Lula é reeleito presidente do Brasil – o que esperar do novo governo para ciência e tecnologia

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República e comandará o Brasil por mais quatro anos. O resultado foi confirmado matematicamente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h10 deste domingo (25), com 98,2% das urnas apuradas. Com a vitória nas urnas garantida, o governo reeleito precisará aprofundar os trabalhos em áreas como inteligência artificial , proteção de dados, terras raras e transição energética .

    O desafio agora é acelerar a reindustrialização verde, buscando avanços tecnológicos e a proteção ambiental com forte presença do Estado. Abaixo estão reunidas as principais propostas do plano de governo eleito para inteligência artificial (IA), data centers, soberania, terras raras, clima e energia, com análises de especialistas sobre os impactos na economia, os cenários geopolíticos e os principais obstáculos para implementar essa agenda ao longo do mandato. Lula é reeleito presidente do Brasil – quarto mandato começa em 2027, com duração de quatro anos.

    – Foto oficial da candidatura registrada no TSE O que Lula planeja para inteligência artificial, data centers e soberania digital A corrida global em torno da IA generativa redesenhou a geopolítica econômica, transformando o poder computacional bruto em ativo soberano. O governo reeleito pretende expandir a infraestrutura de centros de processamento de dados em solo nacional, buscando superar o papel histórico do Brasil como mero importador de tecnologia avançada e exportador de dados brutos. Embora a matriz elétrica brasileira seja um atrativo para a instalação de grandes centros de processamento de dados, a chegada dessas estruturas não garante, por si só, ganhos tecnológicos para o país.

    Global, o governo precisa vincular o fornecimento de energia à criação de estruturas locais de pesquisa e desenvolvimento. “A infraestrutura física de nuvem continuará concentrada fora do país se o governo não condicionar o fornecimento energético à instalação de ecossistemas locais de pesquisa e desenvolvimento”. A preocupação é que o Brasil ofereça condições favoráveis à instalação dessas empresas, mas concentre os benefícios em infraestrutura e consumo de energia, sem estimular o desenvolvimento tecnológico nacional.

    Para o professor Thiago Muniz, especialista em economia digital e estratégia de negócios e docente da Fundação Getulio Vargas (FGV), uma forma de evitar esse cenário é vincular incentivos fiscais à transferência de tecnologia. “Condicionar incentivos fiscais à transferência tecnológica garante que o valor agregado fique retido no mercado interno brasileiro”. O novo governo Lula planeja ampliar data centers, desenvolver inteligência artificial nacional e fortalecer a soberania digital brasileira.

    – Crédito: Imagem gerada por IA Para colocar em prática as propostas de transparência algorítmica e regulação da inteligência artificial previstas no plano, o governo precisará enfrentar desafios de fiscalização. DD), questionando a eficácia das medidas governamentais sem estruturas técnicas. Para estruturar a soberania digital, o plano federal aposta no Conselho Nacional pela Soberania Digital e no desenvolvimento de modelos de inteligência artificial em português.

    ” Em paralelo, Muniz destaca que a exigência de contrapartidas de capacidade computacional por parte de empresas de data centers pode favorecer universidades públicas e a pesquisa científica. Para ele, essa medida “transforma data centers em instrumentos de pesquisa científica”. Na prestação de serviços públicos, o plano prevê ampliar o uso da inteligência artificial na Plataforma Pública Nacional de Empregabilidade, integrada à rede do Sistema Nacional de Emprego (SINE), e na triagem do Sistema Único de Saúde (SUS).

    No entanto, a regulação das redes sociais e a proteção de crianças e adolescentes envolvem dilemas éticos importantes. ” Reindustrialização verde, transparência algorítmica e serviços públicos digitais Todas essas diretrizes integram o projeto de reindustrialização verde conduzido sob forte coordenação do Estado. O programa prevê a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e o avanço da regulamentação dos direitos autorais no ambiente digital e da inteligência artificial, com o objetivo de remunerar artistas pelo uso de conteúdo brasileiro pelas plataformas.

    O combate às fake news caminhará junto com a regulação das redes sociais e a defesa de padrões globais de governança digital. Nos serviços públicos, a administração pretende ampliar o uso da inteligência artificial no agronegócio e no Sistema Nacional de Emprego. Na saúde pública, o plano prevê o uso da tecnologia na triagem, na priorização de casos graves, na regulação por risco clínico e no diagnóstico em áreas com escassez de especialistas.

    A infraestrutura de data centers deverá observar salvaguardas socioambientais, critérios de eficiência energética e a utilização progressiva de fontes 100% renováveis. O plano também prevê contrapartidas de conteúdo local e capacidade computacional para o mercado interno. Terras raras e minerais críticos No setor de minerais críticos, o plano de Lula prioriza a coordenação estatal da política industrial e o desenvolvimento das etapas de processamento no Brasil.

    “A proposta atribui ao governo papel central na organização e coordenação da política industrial e da definição de prioridades para as cadeias produtivas completas desses minerais”, explica o geólogo Álvaro Penteado Crósta, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), especialista em exploração mineral e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Na avaliação de Crósta, a estratégia também deve envolver instrumentos de financiamento público e estímulo à pesquisa para ampliar a capacidade nacional de processamento. ” Para o neurocientista e futurista Álvaro Machado Dias, professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colunista do Olhar Digital, o principal desafio não está na disponibilidade de recursos minerais, mas no domínio das técnicas necessárias para processá-los.

    “O problema das terras raras não é nem geológico, nem de dinheiro, mas químico. ” Ele avalia que ampliar o processamento interno é fundamental para consolidar essa capacidade. ” O novo governo Lula aposta em pesquisa, financiamento público e parcerias internacionais para desenvolver a indústria brasileira de minerais críticos.

    – Crédito: Imagem gerada por IA A proposta se insere no contexto mais amplo da neoindustrialização brasileira, que busca fortalecer a indústria nacional e ampliar a participação do país em cadeias produtivas estratégicas. Nesse cenário, a transformação de minerais críticos em insumos de maior valor agregado depende não apenas da extração, mas também de investimentos em processamento químico, pesquisa e desenvolvimento tecnológico. No campo das relações internacionais, Crósta destaca a importância da cooperação com outros países para viabilizar esse avanço.

    ” Essas parcerias podem contribuir para ampliar o acesso a conhecimento técnico e fortalecer a capacidade industrial brasileira. O desafio, nesse caso, é transformar a cooperação internacional em desenvolvimento tecnológico interno, de modo que o país avance para além da exportação de matérias-primas e amplie sua participação nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral. Mudanças climáticas e transição energética Na pauta ambiental, o governo pretende cumprir a meta climática brasileira de reduzir entre 59% e 67% as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, tendo como base o ano de 2005.

    O plano prevê a expansão contínua de fontes renováveis, a modernização de hidrelétricas e o fortalecimento dos biocombustíveis, incluindo o aprimoramento de políticas como a Lei do Combustível do Futuro e o programa federal RenovaBio. O combate ao desmatamento continuará entre as prioridades ambientais do governo, com a atuação de órgãos federais como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A fiscalização busca proteger biomas fundamentais e consolidar o protagonismo brasileiro nas negociações climáticas internacionais ao longo dos próximos anos de mandato presidencial.

    Analisando essas metas, o físico Paulo Eduardo Artaxo Netto, com doutorado em física atmosférica e professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), ressalta os resultados já alcançados. Ele destaca que a queda na devastação florestal recoloca o país em patamares de liderança climática. “Tivemos uma redução do desmatamento da Amazônia em 51%, que é um valor extremamente elevado.

    ” A comparação entre países é uma avaliação do especialista e não corresponde diretamente ao percentual de queda do desmatamento, que é um indicador específico. O novo governo Lula prevê reduzir emissões, ampliar energias renováveis, modernizar hidrelétricas e combater o desmatamento, enfrentando desafios políticos para cumprir metas climáticas nacionais. – Crédito: Imagem gerada por IA Artaxo ressalta que a transição energética ainda enfrenta enormes barreiras estruturais no país e precisa se tornar prioridade central da nova gestão.

    ” O especialista também aponta as barreiras políticas que o governo enfrentará com a oposição no Congresso Nacional, de perfil mais conservador. “Lula vai ter que enfrentar um congresso dominado pela extrema direita que sempre se opôs a pautas como o combate ao crime organizado e a repressão à grilagem de terras na Amazônia. ” Na frente climática, o cumprimento da meta de reduzir entre 59% e 67% das emissões líquidas até 2035 exigirá cooperação estreita entre ministérios, setor produtivo e governos estaduais.

    O fortalecimento combinado de biocombustíveis e fontes renováveis pode contribuir para a

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