SJX NEWS

    moneytimes.com.br

    Money Times

    SJXNEWS
    Money Times·22 de set., 15:21

    Lula faz discurso de candidato, manda recados a Trump e diz que ONU falha em livrar humanidade da guerra

    No tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu o papel de candidato de uma reeleição ameaçada por “inimigos externos e internos da democracia”, mandou recados ao presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , sem citá-lo nominalmente, e considerou que a entidade tem falhando em livrar a humanidade do flagelo da guerra. Na abertura do seu décimo pronunciamento como presidente, Lula disse que, desde que ocupou a tribuna, em 2003, esse é o momento mais crítico da ONU. “O sentimento que me move hoje é o da indignação.

    A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”, disse o presidente que criticou o “imobilismo” do Conselho de Segurança da ONU em resolver conflitos globais. “Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, disse o presidente.

    “O anos de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista”, completou Lula, que classificou a guerra como uma falência total da política. Lula lembrou seu passado como líder popular que lutou contra a ditadura brasileira e defendeu o País contra a tentativa de golpe de estado, em 2023.

    Citou o ex-primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin e o presidente da Organização para Libertação da Palestina (OLP) Yasser Arafat, que firmaram o histórico acordo de paz entre as nações, em 1994, como estadistas que desafiaram passado para projetar futuro de paz, mas que foram derrotados pelo ódio. “Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixado pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos aos fatos terroristas do Hamas”, disse Lula se referindo ao recente conflito na região.

    Lula ainda citou o conflito entre Estados Unidos e Irã, sem citar os países nominalmente – disse que o estreito de Ormuz transformou-se em trincheira da guerra, quando deveria permanecer uma passagem vital para o comércio internacional – e classificou a guerra entre Rússia e Ucrania, que se arrasta ha cinco anos, em um “drama humanitário”. ‘Brasil não cabe no quintal de ninguém’ No primeiro recado a Trump, Lula disse que na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo em um contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.

    Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos”, afirmou ele, citando o caminho das nações da região que viveram regimes de exceção. “Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular.

    A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, afirmou. Em seguida, outro recado ao presidente dos Estados Unidos, País que classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

    “O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades”, afirmou. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas.

    Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado”. Segundo Lula, a cooperação foi o espírito da proposta entregou pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos. “Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.

    Por muito tempo, os estados brasileiros atuaram cada um à sua maneira. O crime se aproveitou da falta de coordenação. Mas isso está mudando”, completou Lula.

    Pilares do multilateralismo corroídos Lula avaliou que os “pilares do multilateralismo estão sendo corroídos” e que a Organização Mundial do Comércio (OMC) respira por aparelhos. “Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como arma de coerção e chantagem, as consequências são nefastas”. O presidente atacou também os negacionistas da saúde e do clima.

    “Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento da covid-19. Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos erradicadas”, afirmou. “Temos autoridade moral para rejeitar medidas protecionistas disfarçadas de apego à causa ambiental”, completou, para, em seguida, enviar outro recado a Trump, sobre exploração de minerais críticos e terras raras.

    “Temos os minerais críticos e as terras raras de que o mundo precisa para realizar a transição energética. Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro e é em benefício dele que serão exploradas. O acesso aos nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais”.

    Bets e Pix público Em seguida, o presidente voltou ao papel de candidato e atacou as bets e a pressão dos Estados Unidos sobre o Pix como forma de retaliação econômica. “A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro. Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo milhões de lares e o Brasil não vai tolerar esse modelo de negócios”, afirmou o presidente sobre apostas e os jogos eletrônicos de azar.

    “Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros e brasileiras”, emendou ele sobre o modelo de pagamento adotado no País, alvo dos Estados Unidos. Tarifaço, mulheres e escala 6×1 Perto do final do discurso, Lula afirmou que apesar do “tarifaço contra a nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações”, avaliou que ainda há muito a ser feito na ecomia em um mundo em transformação para introduzir o fim da escala 6×1 de trabalho, uma de suas bandeiras na campanha à reeleição, juntamente com a atração do eleitorado feminino. “Pessoas idosas querem permanecer ativas.

    Jovens desejam empreender. O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família. No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6×1 para garantir ao trabalhador dois dias livres por semana”, disse “Esta mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres.

    Estamos construindo um Brasil onde as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder ou se inserir no mercado de trabalho”. “Um país livre do feminicídio, onde nenhuma mulher, dentro ou fora de casa, viva sob a ameaça da violência. Essa é uma causa que o mundo precisa, e o mundo todo precisa abraçar”.

    Eleitor decidirá entre democracia e negacionismo Por fim, o assumidamente candidato Lula citou, na tribuna da ONU, a eleição de 4 de outubro, na qual, segundo ele, os brasileiros não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do poder legislativo. “Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão”, afirmou.

    O presidente brasileiro reforçou que o pleito será transparente e competitivo em que todos os candidatos disfrutam da mais ampla liberdade de expressão. “Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país”, afirmou sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário e aliado de Trump. “Possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto, sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”, afirmou.

    “A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano”, concluiu. ]]>

    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

    Leia a matéria completa em Money Times