Lula x Flávio: o que defendem sobre terras raras, energia e indústria automotiva
Quem assumir a Presidência em 2027 herdará decisões fundamentais sobre importantes questões estratégicas, como mostrou o InvestNews na série especial Desafios do Brasil. São temas para os quais as propostas diferenciam o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , e o senador Flávio Bolsonaro (PL) , que se enfrentam neste domingo (25) no segundo turno: o papel da exploração do petróleo na matriz energética, a indústria automotiva nacional diante da invasão de marcas chinesas em sua maioria importadas e o plano para exploração e geração de valor em cima das chamadas terras raras, que entraram na disputa entre Estados Unidos e China. O InvestNews analisou as propostas de campanha e as declarações dos dois candidatos e resume a seguir o que defendem ou pensam a respeito.
Os programas convergem em geral em um ponto: a defesa de processar minerais no país em vez de exportar matéria-prima bruta. As diferenças aparecem no papel do Estado, da Petrobras e do capital estrangeiro. Candidato à reeleição, Lula pode apontar medidas já adotadas.
Flávio responde pelo programa e pelo que disse na campanha. Leia também Economia Menos jovens, mais idosos: como o envelhecimento do país se tornou uma conta inescapável Economia A bomba-relógio da dívida pública. E como desarmá-la Indústria automotiva e a ascensão chinesa O setor vive um ano de alta.
Das 173 mil unidades produzidas a mais de janeiro a setembro, porém, 123 mil saíram de kits importados e só 50 mil de fabricação nacional plena. Os kits vêm da China sem usar autopeças nacionais e com pouca mão de obra local, disse o presidente da entidade, Igor Calvet, em comunicado à imprensa de 7 de outubro. As importações de veículos subiram 30,4% no ano, e os chineses já têm 11,3% do mercado.
A BYD, por exemplo, já chegou à marca de 100 mil carros em Camaçari (BA), mas ali só faz a montagem final de kits chineses, como mostrou o InvestNews . Em junho , o governo prorrogou por mais seis meses a cota que permite à empresa importar até US$ 463 milhões em kits de eletrificados sem imposto. A Anfavea acusou o governo de romper um acordo para encerrar as cotas.
A isenção, porém, termina em dezembro, e em 2027 os kits passam a pagar 35% de imposto de importação . As regras seguintes, como tarifas e conteúdo local, caberão ao próximo governo. Para Herlander Zola, presidente da Stellantis (dona de Fiat, Jeep e Peugeot) para a América do Sul, a tarifa de 35% não basta para estimular a fabricação local.
Com montagem por kits, disse num encontro com jornalistas em 6 de outubro, a empresa precisaria de 10% de seus 35 mil funcionários na região. As montadoras também veem aumento de custo no fim da escala 6×1, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais sem corte de salário. Defendida pelo governo Lula, a emenda passou no Senado na quarta-feira (14) por 75 votos a 1, com voto favorável de Flávio, que a havia criticado nos últimos meses.
Indústria automotiva sob Flávio Bolsonaro O plano de Flávio não tem proposta para o setor, mas traz medidas que podem afetá-lo. Defende abertura comercial que dê às empresas acesso a bens de capital, tecnologia e insumos importados, num ambiente de concorrência que, segundo o documento, reduz preços. Propõe também uma nova regra fiscal para reduzir a dívida pública, com a qual promete juros menores, e limitar o crédito subsidiado com recursos do Tesouro.
No transporte urbano, prevê que bancos públicos priorizem o financiamento de metrô, trens e ônibus movidos a eletricidade e biocombustíveis. Indústria automotiva sob Lula O programa de Lula também não tem seção específica sobre o setor, mas cita o país como polo de motores flex e híbridos flex e promete condições para juros menores, mantido o arcabouço fiscal. No governo, Lula criou em 2024 o Mover, para carros eficientes e eletrificados, com créditos de até R$ 4 bilhões em 2027 e R$ 4,1 bilhões em 2028, quando a lei expira.
Nele, o Carro Sustentável zerou em 2025 o IPI de compactos nacionais menos poluentes, aos quais a Anfavea atribui 84 mil das 350 mil vendas a mais no ano. O benefício vence em dezembro. Energia, do pré-sal à conta de luz Royalties, dividendos da Petrobras e outras receitas do petróleo somaram cerca de 5% da arrecadação federal em 2025.
O pré-sal, com 3,7 milhões de barris por dia em agosto, 82% do total, deve chegar ao pico em 2031 ou 2032, como mostrou o InvestNews . A aposta para substituí-lo no médio prazo é a Margem Equatorial, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, com produção prevista para 2033, que depende de descobertas comerciais, investimentos bilionários e licenças de exploração. Na eletricidade, 86,6% da oferta veio de fontes renováveis em 2025, e às vezes sobra energia.
A sobra não baixa a conta , que paga redes, contratos antigos, usinas de reserva e os subsídios da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), de cerca de R$ 52 bilhões neste ano. O próximo governo administrará mudanças já aprovadas, como o teto para parte desses subsídios, em 2027, e a abertura do mercado livre, que deixa o consumidor escolher o fornecedor, para residências até novembro de 2028. Levantamento de maio da Frente Nacional dos Consumidores de Energia estima em R$ 985 bilhões, até 2050, os custos extras na conta criados por decisões do governo e do Congresso desde 2023.
Energia sob Flávio Bolsonaro O plano de Flávio foca o preço ao consumidor. Propõe reduzir impostos sobre energia e combustíveis, sem dizer quais nem quanto, cortar aos poucos a CDE e os subsídios às fontes incentivadas, mantida a tarifa social, e liberar o fraturamento hidráulico ( fracking ) para extrair gás. Em agosto, num podcast, prometeu acabar com o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, criado pelo governo em março.
O documento não cita a Petrobras e propõe retomar a desestatização caso a caso, sem nomear empresas. Em vídeo de outubro, Adolfo Sachsida, um dos coordenadores do programa, afirmou que a estatal não será privatizada. O plano promete fazer do país uma potência de biocombustíveis.
Em agosto, porém, numa transmissão nas redes sociais, Flávio disse que a mistura de etanol na gasolina, elevada de 30% para 32% em julho, teria de ser discutida, e seis entidades do setor reagiram em nota. Energia sob Lula O programa de Lula dedica um capítulo à energia. Nele, prevê que a Petrobras amplie a exploração em terra e no mar, expanda o refino e volte à distribuição de combustíveis, e promete mais renováveis e baterias, troca de fósseis por biocombustíveis e avanço no ciclo do combustível nuclear.
Sobre a tarifa, fala em debater o barateamento da energia, sem medida definida. Desde maio, o diesel recebe subvenção, hoje de R$ 2,12 por litro, renovada a cada 30 dias. Flávio acusa o governo de uso eleitoral da Petrobras e diz que o benefício acaba logo após a eleição.
Em julho, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu que não haja novos subsídios à geração de energia elétrica num eventual quarto mandato. Leia também Investimentos Cenário reformista pode trazer guinada aos investimentos em 2027. Entenda Economia Alternância de governo pode mudar comércio brasileiro de etanol, aço, carnes e minerais críticos Minerais críticos e terras raras O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, cerca de 21 milhões de toneladas, atrás da China, mas uma só mina em produção comercial, a da Serra Verde , em Minaçu (GO), comprada em abril pela americana USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões e apoiada pelo governo dos EUA com ao menos US$ 1,6 bilhão.
Só 25% do território tem mapeamento geológico. A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos , sancionada por Lula em 16 de setembro, depois de os candidatos entregarem seus programas ao TSE, prevê crédito fiscal de até R$ 1 bilhão por ano, de 2030 a 2034, para quem processar minerais no país, fundo garantidor com até R$ 2 bilhões da União e um conselho na Presidência que aprova projetos e analisa mudanças de controle, inclusive por estrangeiros. Minerais críticos e terras raras sob Flávio Bolsonaro O plano de Flávio tem seção própria sobre o tema.
Lista lítio, nióbio, grafite, cobre, níquel, urânio e terras raras, define o Estado como regulador, não empresário, e propõe atrair capital estrangeiro, acelerar o licenciamento e fazer parcerias com todos os países, sem restrições ideológicas. Minerais críticos e terras raras sob Lula O programa de Lula promete uma política para minerais críticos e terras raras que evite exportar matéria-prima bruta e quer fazer do Nordeste um polo de indústrias que consomem muita energia, como o processamento desses minerais. Lula já comparou as terras raras ao ouro do século 21 e defendeu processá-las no país .
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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