Mãe de Oruam deixa presídio e vai para prisão domiciliar
A mãe do funkeiro Oruam, Marcia Gama dos Santos Nepomuceno, deixou neste domingo, 8, o Presídio Djanira Dolores de Oliveira, no Rio de Janeiro, e foi levada para casa com tornozeleira eletrônica. O Supremo Tribunal Federal (STF) converteu a prisão preventiva de Marcia em prisão domiciliar. Marcia foi presa em 19 de outubro na Operação Backbone, da Polícia Federal (PF), sob suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho.
A ação, autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, mirou um esquema da facção que impunha o monopólio da internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na zona norte do Rio. + Leia mais notícias do Brasil em Oeste No dia da operação, os agentes cumpriram 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Além da capital, houve diligências em Nova Iguaçu, São João de Meriti e Magé, na Baixada Fluminense, em Maricá, na região metropolitana, e em Teresópolis, na Região Serrana.
Oruam em ensaio fotográfico para a revista Dazed | Foto: Divulgação/Dazed Um dos mandados determinava a apreensão de armas, munições, computadores, celulares e tablets no endereço de Marcia, no bairro do Pechincha, na zona sudoeste da cidade. A Justiça também autorizou a análise dos dados dos aparelhos, inclusive mensagens, e-mails e arquivos guardados em nuvem. Comando Vermelho estabeleceu monopólio da internet De acordo com a PF, traficantes armados cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição das operadoras regulares.
Sem conseguir fazer reparos, as empresas deixavam de prestar o serviço, e moradores e comerciantes eram obrigados a contratar provedores autorizados pela facção. Esses provedores pagavam uma taxa mensal ao Comando Vermelho para operar nas comunidades. Segundo as investigações, registros contábeis do próprio grupo mostram que, em um único mês, a internet respondeu por mais de 40% da receita da facção no Complexo da Penha.
Marcinho VP, pai de Oruam e antigo líder do Comando Vermelho, está preso desde 1996 | Reprodução: X/@republiqueBRA A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas e 42 empresas. As atividades das empresas investigadas foram suspensas. Entre elas estão provedores de internet, produtoras de eventos, um escritório de contabilidade e negócios que, segundo a polícia, serviam de fachada.
A investigação apontou que um antigo líder da facção, preso há quase 30 anos e hoje no Sistema Penitenciário Federal , ainda controlaria negócios explorados nos territórios dominados pelo grupo, com a ajuda de familiares e de outros chefes da organização. Segundo a PF, o dinheiro chegava à família do investigado por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem. Para ocultar a origem dos recursos, o grupo usaria produtoras de eventos, agências de publicidade, imóveis de alto padrão comprados em dinheiro vivo e criptomoedas.
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